Iluminação de ginásios esportivos deve favorecer percepção dos atletas

O iluminamento deve ser uniforme, de baixo sombreamento e ofuscamento, de acordo com a modalidade esportiva. Instalação em quadras cobertas requer cuidados com questão térmica

Publicado em: 16/05/2017

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A iluminação é um fator determinante em projetos de ginásios poliesportivos. Ela deve ser uniforme, sem sombras e não ofuscante, permitindo a clara percepção de objetos e linhas demarcatórias pelos atletas.

De acordo com especialistas, esses espaços podem ter diferentes níveis de iluminação, tecnicamente chamados de iluminamento — o cálculo utiliza a unidade de medida lux (lx). Em geral, o que interfere é o tipo de modalidade esportiva ali praticadas e suas diferentes categorias (recreativa, amadora, profissional, televisiva, entre outras).

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Sistema de iluminação instalado na cobertura de um ginásio de basquetebol (nexus 7/ Shutterstock.com)

MATERIAIS

O sistema de iluminação mais indicado são os refletores de alto rendimento, que devem ser direcionados para a quadra com distribuição uniforme. É fundamental que o dimensionamento dos refletores, lentes e projetores evite o ofuscamento. Para isso, o cálculo deve manter a luz direta fora do alcance dos olhos dos atletas, profissionais envolvidos e espectadores.

Os modelos de lâmpadas podem ser de vapor metálico, mas a tendência atual mesmo é o LED. “O rendimento mínimo da luminária LED deve ser de 100 lm/W (lúmen/Watt), com lentes de qualidade para direcionar o facho de luz e excelentes dissipadores de calor”, aponta Paulo Roberto Koch, arquiteto especializado em eficiência em iluminação, titular do escritório Paulo Koch Lighting Consulting.

NORMAS

Atualmente cancelada, a NBR 8837 — Iluminação Esportiva, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), seria a principal referência para os projetos. O documento traz indicadores como os níveis de iluminamento utilizáveis para cada esporte e sua categoria.

Para quadras que atendem a eventos profissionais, é indicado seguir as recomendações das federações de cada modalidade esportiva, as quais possuem suas próprias normativas de iluminação. “A padronização da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) é um exemplo”, cita Marco Martins Poli, diretor Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e consultor da Transearch Brasil.

O DESAFIO DA LUZ DO DIA

Abundante no Brasil, a luz natural é um ponto a ser mais bem explorado nos projetos de arquitetura, permitindo que o edifício reduza o consumo de energia elétrica. Nos ginásios, seu aproveitamento requer cuidado com o ofuscamento e com a geração de calor excessivo.

Mas o maior desafio consiste em adequar a iluminação artificial com a luz proveniente do sol. “O principal limitante é a incerteza do iluminamento que virá da luz natural, pois ela varia de hora para hora e de dia para dia”, justifica Poli.

O principal limitante é a incerteza do iluminamento que virá da luz natural, pois ela varia de hora para hora e de dia para dia
Marco Martins Poli

Em projetos mais elaborados, Poli considera que poderiam ser construídos sistemas de monitoramento do iluminamento natural para complementá-lo com a artificial. “Mas o custo-benefício é duvidoso”, pondera.

ONDE INSTALAR

Em geral, os sistemas de iluminação devem ser instalados na estrutura da cobertura. Para isso, é necessário analisar o local de fixação quanto à capacidade de suportar peso adicional e a disposição do cabeamento elétrico. Já em ginásios descobertos, a disposição do sistema deve ser feita em torres de iluminação ao redor da quadra.

“As luminárias devem ser colocadas o mais alto possível quando houver riscos de elas serem impactadas por objetos”, orienta Koch, reforçando que, independentemente do local de instalação, a disposição deve ser feita de modo que os fachos fiquem distribuídos uniformemente.

O rendimento mínimo da luminária LED deve ser de 100 lm/W (lúmen/Watt), com lentes de qualidade para direcionar o facho de luz e excelentes dissipadores de calor
Paulo Roberto Koch

ISOLAMENTO TÉRMICO

Em quadras cobertas, onde o sistema de iluminação é fixado nas estruturas, é necessário cuidado para não se criar barreiras que prejudicam a ventilação das lâmpadas, refletores, entre outros, tornando-os passíveis de superaquecimento. “Confinar luminárias a LED é diminuir sua vida útil e seu rendimento”, alerta Koch.

Mesmo com ventilação, o isolamento térmico é considerado fundamental para o bom funcionamento dos sistemas de iluminação. Isso porque as luminárias, principalmente de LED, são dimensionadas para funcionar em temperaturas máximas de 30 a 50 °C.

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Colaboração técnica

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Marco Martins Poli – Diretor da Abilux (Associação Brasileira da Indústria de Iluminação) e consultor da Transearch Brasil. É formado em Engenharia Eletrônica e em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, complementada com diversos cursos do GTE Management Development Center em Norwalk, Connecticut.
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Paulo Roberto Koch – Arquiteto e urbanista pós-graduado em iluminação. Especialização em Eficiência em Iluminação. Professor de cursos de iluminação. Titular do escritório Paulo Koch Lighting Consulting, executando projetos nos mais variados seguimentos, como: esportivos comerciais, industriais, públicos, residenciais, fachadas, entre outros.