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Impermeabilização adequada ajuda a garantir durabilidade às marquises

Quando não são submetidas à manutenção preventiva, essas estruturas de concreto em balanço ficam sujeitas a desabamentos, colocando em risco a vida das pessoas

Publicado em: 17/04/2018Atualizado em: 18/04/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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A maioria das patologias que atinge as marquises está relacionada a falhas de projeto e execução (Foto: TheLiftCreativeServices/shutterstock)

Marquises são estruturas em balanço construídas em concreto para proteger a entrada de edificações. Muito presentes em edifícios comerciais construídos nos anos 1960 e 1970, esses elementos arquitetônicos são formados por vigas e lajes ou por apenas uma laje.

Quando não recebem os devidos cuidados, as marquises ficam sujeitas a desabamentos que põem em risco a segurança dos pedestres. Pior, por serem uma estrutura isostática, que fica em contato com a edificação principal apenas pela região de engastamento, podem sofrer um colapso brusco.

INSPEÇÃO EM MARQUISES

“Segundo o código de edificações da maioria das cidades brasileiras, é dever do proprietário, usuário ou síndico se responsabilizar pela conservação do imóvel. Isso significa que, caso as marquises não sejam inspecionadas regularmente, a pessoa responsável poderá responder criminalmente se houver danos a terceiros”, alerta o engenheiro Marcos Storte, consultor em patologias de estruturas.

Não há, contudo, legislação que determine a periodicidade dessas inspeções. “Deve-se ficar atento a sinais como manchas no concreto, trincas, fissuras aparentes, destacamento de revestimentos, infiltrações e se há ferragens expostas”, alerta a engenheira Marli Lanza Kalil, coordenadora da Câmara de Inspeção Predial do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape/SP).

Deve-se ficar atento a sinais como manchas no concreto, trincas, fissuras aparentes, destacamento de revestimentos, infiltrações e se há ferragens expostas
Marli Lanza Kalil

PATOLOGIAS NO CONCRETO

A maioria das patologias que acometem as marquises (podendo, inclusive, causar acidentes) está relacionada a falhas de projeto e de execução. É o caso do mal posicionamento das armaduras, por exemplo.

As patologias também podem ser resultado do mau uso da edificação, como falta de manutenção periódica e sobrecarga sobre a estrutura, que induzem à fissuração do concreto, corrosão de armaduras e infiltrações.

Esses problemas poderiam ser evitados com alguns cuidados, como a análise de projeto e das características geométricas da estrutura e inspeções visuais. Nesses casos, verifica-se se há pontos com acúmulo de água de chuva, ralos ou calhas entupidos, manchas no concreto, sobrecarga por colocação de letreiros e máquinas de ar-condicionado. Também se confere o estado da impermeabilização e se há ferragens expostas. “Quando necessário, pode ser executada uma inspeção mais detalhada com equipamentos e ensaios, como pacometria, ensaio de potencial de corrosão, ultrassonografia e resistividade elétrica”, comenta Marli Kalil.

IMPERMEABILIZAÇÃO EM MARQUISES

Entre os problemas que podem comprometer a durabilidade das marquises está a falta de impermeabilização. De acordo com o consultor Marcos Storte, por estarem expostas a intempéries, as marquises devem receber impermeabilização flexível, com valores maiores de alongamento. Nessa categoria se enquadram as mantas pré-fabricadas, como as asfálticas, geralmente aplicadas a quente.

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Também podem ser utilizados produtos impermeabilizantes moldados in loco, como as membranas asfálticas e de poliuretano. “Há uma ampla variedade de produtos que podem ficar expostos às intempéries, dispensando o uso de argamassa de cimento e areia”, diz o engenheiro.

De modo geral, as marquises demandam poucos detalhes executivos durante a fase de impermeabilização por serem áreas com relativo fácil acesso. Mesmo assim, há pontos críticos a serem observados pela mão de obra. “Entre eles destacam-se garantir o caimento aos ralos, com a menor espessura possível da argamassa de regularização, e ter os pontos de coleta de águas pluviais na quantidade adequada e fixados corretamente na estrutura para permitir um perfeito acabamento/ancoragem do tipo de impermeabilização aplicado”, diz Storte.

A norma técnica da ABNT NBR 9574 - Execução de Impermeabilização, bem como as boas práticas, recomendam que o substrato que irá receber a impermeabilização esteja limpo, seco e isento de partículas soltas. A regularização da marquise deve ser feita com argamassa de cimento e areia e caimento mínimo de 1% em direção aos ralos. Da mesma forma, todos os cantos vivos devem ser arredondados como meia-cana e com raio mínimo de 8 cm.

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Colaboração técnica

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Marcos Storte – Engenheiro-civil com mestrado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), membro do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon). Atua como consultor nas áreas de patologias e impermeabilização nas construções e é diretor técnico da A2S Engenharia e Perícia.
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Marli Lanza Kalil – Engenheira civil, pós-graduada em Avaliações e Perícias de Engenharia e em Engenharia e Segurança do Trabalho. Coordenadora da Câmara de Inspeção Predial do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape/SP), é sócia-proprietária da Conipe Engenharia.