Impermeabilização de fundações garante vida longa às estruturas

Por estarem expostos à umidade do solo, sapatas, radiers e baldrames precisam ser devidamente impermeabilizados. Sistemas rígidos e flexíveis podem ser utilizados

Publicado em: 18/10/2017Atualizado em: 16/06/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Durante a construção de uma edificação, impermeabilizar os elementos de fundação, como sapatas, radiers e vigas baldrames, é um cuidado importante para assegurar a salubridade e a durabilidade das estruturas. Ainda que não estejam expostos às intempéries, como ocorre com as lajes de cobertura, esses elementos de fundação ficam em contato permanente com a umidade do solo e, quando não tratados, conduzem a umidade por capilaridade para alvenarias e elementos estruturais.

As consequências são variadas e podem ir de destacamentos de revestimentos internos a danos estruturais mais severos. Uma patologia comum decorrente da falta de impermeabilização das fundações manifesta-se em paredes internas pintadas, principalmente nos andares inferiores. “Nesse caso, a tinta não suporta a pressão e a alcalinidade do substrato, provocando bolhas e saponificação, além do desenvolvimento de fungos e microrganismos prejudiciais à saúde”, explica o engenheiro Marcos Storte, consultor e especialista em impermeabilização de edificações.

A impermeabilização dos elementos de fundação assegura salubridade e durabilidade das estruturas (Spok83 / Shutterstock.com)

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PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO

Para evitar os problemas causados pela umidade, é importante a utilização de um sistema de impermeabilização compatível com a geometria das peças e com as características de cada obra, como condições de acesso e nível do lençol freático.

De acordo com a ABNT NBR 9574:2008 - Execução de impermeabilização – Procedimento e com a ABNT NBR 9575:2010 - Impermeabilização - Seleção e projeto, a escolha pelo sistema de impermeabilização deve ser precedida de um estudo preliminar para definir as áreas a serem tratadas e as alternativas de soluções impermeabilizantes. “Os sistemas que serão efetivamente adotados são definidos em um segundo momento, no projeto básico de impermeabilização”, comenta a engenheira Maria Amélia Adissy Silveira, consultora técnica do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI).

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PRODUTOS E TÉCNICAS

Entre os produtos mais utilizados para essa finalidade estão as emulsões asfálticas, os cimentos poliméricos, as mantas asfálticas e os aditivos impermeabilizantes para argamassas
Marcos Storte

A principal estratégia para impermeabilizar fundações é garantir estanqueidade na interface entre as fundações e as paredes. “Entre os produtos mais utilizados para essa finalidade estão as emulsões asfálticas, os cimentos poliméricos, as mantas asfálticas e os aditivos impermeabilizantes para argamassas”, cita Storte.

Em geral, para peças de pequenas dimensões ou com superfícies muito recortadas, os impermeabilizantes moldados in loco (aplicados como pintura com trincha) costumam apresentar melhor desempenho. Já elementos de grandes dimensões ou mais suscetíveis a fissurações costumam ser tratados com mantas asfálticas pré-fabricadas.

Em sapatas, é usual o capeamento com argamassa impermeável nas laterais e topo, seguida da aplicação de tinta asfáltica. Já os radiers, que costumam ser mais extensos, costumam receber sistemas de impermeabilização flexíveis, como as mantas asfálticas, que são capazes de acompanhar a movimentação. Usadas em obras com cargas pequenas sobre solo firme, a viga-baldrame costuma ter sua estanqueidade assegurada pela aplicação de argamassa impermeável.

Marcos Storte conta que, nos últimos anos, a indústria vem ampliando seu arsenal de soluções para dar estanqueidade às estruturas. “Entre os avanços, podemos destacar as emulsões asfálticas que agora podem ser enriquecidas com polímeros, os cimentos poliméricos produzidos por um número maior de fabricantes, e as mantas asfálticas que passaram a ser fornecidas também em versão autocolante ou previamente cortadas em diferentes larguras”, diz o consultor.

FALHAS DE EXECUÇÃO

Mas de pouco adianta dispor de uma oferta tão ampla e especificar o melhor produto, se a execução da impermeabilização for malfeita. “Por isso, a recomendação é recorrer sempre a aplicadores especializados, que tenham conhecimento do projeto de impermeabilização, sejam recomendados pelo fabricante do material e possuam equipe técnica compatível com o porte da obra, oferecendo garantia dos serviços executados”, destaca Silveira.

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Colaboração técnica

Marcos Storte – Engenheiro civil, mestre em Construção Civil e Urbana, pela Poli-USP. É consultor e palestrante em cursos e treinamentos na área de impermeabilização em edificações e em obras de saneamento
Maria Amélia Adissy Silveira – Engenheira civil, atua como consultora-técnica do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) e como consultora de impermeabilização para assessoria em obras, projetos de impermeabilização e perícia