Impermeabilização de paredes enterradas garante vida longa às edificações

Toda parte enterrada deve ser tratada, tanto externamente quanto internamente. Cimento polimérico ou manta asfáltica são boas soluções

Publicado em: 01/07/2014Atualizado em: 28/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Impermeabilização Paredes Enterradas

A parede enterrada está sujeita à umidade do solo quando não há a prevenção ao lençol freático do lado de fora. A presença de umidade deixará o ambiente interno com uma série de problemas como proliferação de fungos, soltura de tinta e condições para desenvolvimento de microorganismos que vão trazer alergia às pessoas. “As paredes enterradas podem ser de concreto, alvenaria estruturada de cerâmica ou bloco. Uma parede de concreto vai durar mais se for executada de maneira correta do que, por exemplo, se for feita de alvenaria e tijolo. Essas estruturas não suportam a pressão da água que vem do lado de fora”, afirma Marcos Storte, gerente da Viapol.

De acordo com ele, o uso de madeira em revestimento de piso não é aconselhável, principalmente em locais como porões onde há paredes enterradas. “O piso já tem contato com o solo e há elevada possibilidade de umidade, principalmente, se não houver cuidado com a impermeabilização. A umidade atingirá a madeira, que vai deteriorar”, diz.

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SISTEMAS DE IMPERMEABILIZAÇÃO

Toda parte enterrada da parede deve ser tratada, tanto externamente quanto internamente. Para a parte externa existem mais opções. Mas para isso é preciso ter acesso a esse lado e nem sempre é possível. “Para chegar à parte externa é necessário que haja uma contenção do solo e espaço para fazer a parede. Mesmo em uma obra nova – em construção – muitas vezes não é viável caso o solo seja ruim, caso esteja construindo no limite, ou dependendo do processo construtivo. Mas quando há essa possibilidade, as opções de impermeabilização são os materiais cimentícios como cimento polimérico – o mais prático nessa situação – ou impermeabilizações flexíveis como manta asfáltica”, afirma Storte.

Já no lado interno da parede as opções são restritas, sendo o cimento polimérico o sistema mais indicado. “Nesse caso, só é possível trabalhar com materiais rígidos. Ao aplicar o material flexível na face interna da parede, a água que eventualmente venha a entrar em contato com o material flexível poderá formar bolhas”, informa. Para usar manta asfáltica, é preciso construir outra parede de contra pressão com a função de segurar a manta. Porém, essa não é uma opção econômica. Se possível vale a pena apostar em outras alternativas, conforme sugere o engenheiro: “Estruturas de alvenaria também podem ser usadas, mas desde que exista somente umidade do solo. Se tiver pressão de água, não resolve fazer uma parede de alvenaria. Ao vedar pelo lado de dentro, a pressão da água do lado externo vai empurrar a parede e deteriorá-la rapidamente”, alerta.

PISCINAS

No caso de piscinas, é um pouco diferente, pois elas são revestidas. “É possível usar até uma manta asfáltica, porque haverá uma contra parede. Essa impermeabilização pode ser usada do lado externo e, se a umidade for somente de solo, deve-se aplicá-la também do lado interno. Os muros e garagens em subsolo seguem as mesmas diretrizes. Se houver acesso pelo lado externo é possível usar materiais flexíveis ou cimentícios. Pelo lado interno, basicamente, é preciso trabalhar com materiais cimentícios que são os cimentos poliméricos”, comenta Storte.

VIDA ÚTIL

A impermeabilização feita com material com base cimentícia é muito durável e a vida útil da manta asfáltica também é extensa. Segundo o gerente, existem duas normas técnicas sobre o assunto: a ABNT NBR 9574 – Execução de Impermeabilização e a ABNT NBR 9575 – Impermeabilização - Seleção e Projeto de Impermeabilização. “A última estabelece a vida útil do projeto de acordo com várias indicações, que se baseiam na dificuldade de intervenção pós-obra. Quando há umidade em uma estrutura de concreto enterrada é fácil identificar, é visível. Agora, quando é dentro de uma piscina, é muito mais difícil solucionar o problema de infiltração. Os custos são mais altos para reformar, impermeabilizar e fazer todo o revestimento”, comenta Storte, observando que é preciso ter vida útil específica para cada situação. “Quando olhamos a impermeabilização como um elemento de proteção à estrutura, é possível trocar um revestimento mais vezes e em menos tempo sem remover a impermeabilização. Ela tem uma responsabilidade maior que o próprio piso de acabamento proporciona. E isso impacta na vida útil”, afirma.

De acordo com a situação, o tempo de duração da impermeabilização muda. “Vai depender de fatores como impermeabilização exposta às intempéries, se há proteção mecânica ou se está numa piscina. Quanto mais difícil for o acesso e manutenção pós-obra, maior é a exigência de vida útil. Isso está bem explícito na norma técnica, que deve ser cumprida”, diz, exemplificando: Fornecemos todo o material de impermeabilização para a usina nuclear de Angra dos Reis. Como nesse caso a expectativa de vida de um reator em uma usina nuclear é de cerca de 50 anos, a impermeabilização tem que durar esse tempo ou mais”, comenta Storte.

Ele explica que, ao se aproximar do prazo final da vida útil, é importante ficar atento e checar as condições da impermeabilização. “Em alguns casos é possível fazer reparos localizados, dependendo da impermeabilização. Por exemplo, se a parede está com um furo, não é preciso impermeabilizar a área toda, mas reparar somente o local danificado. Normalmente, para a impermeabilização ter uma boa durabilidade, é indicado investir mais dinheiro no início da obra, ampliando o tempo necessário para realizar a manutenção. O material de preço inferior não terá a mesma durabilidade do mais caro. É a relação custo-benefício”.

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MERCADO

De acordo com o gerente, existe seriedade das construtoras com a questão da impermeabilização independente do padrão do empreendimento. “Mas há, ao mesmo tempo, uma ganância no mercado em querer algo extremamente barato. O valor gasto na impermeabilização de uma obra gira em torno de 1 a 2% do custo total do empreendimento. E esses 2% estão protegendo os outros 98% investidos. É pouquíssimo. Não vale a pena economizar nessa questão. A maioria das reclamações pós-obra está ligada a problemas de infiltração”, reforça.

PROJETISTAS

Toda a obra de impermeabilização exige projeto. E as construtoras tendem a contratar cada vez mais os serviços de projetistas. Segundo o engenheiro, quando se fala em projeto, se fala em um profissional habilitado pela entidade setorial, o IBI – Instituto Brasileiro de Impermeabilização. “Em regiões do país, onde não existe esse projetista ou a construtora, mesmo que em São Paulo, não queira pagar por um projeto, os fabricantes mantêm equipes técnicas de especificação que se aproximam muito do ideal”, diz o Storte.

Colaborou para esta matéria

Hamilton Fernando Schenkel
Marcos Storte – Graduado em Engenharia Civil, em 1978, na Escola de Engenharia Civil de Volta Redonda (RJ) e mestre em Engenharia Civil, em 1991, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Storte ingressou na Viapol em 2000 e atuou nas áreas técnica e comercial, exercendo atualmente a função de Gerente de Negócios. É autor do livro “Látex Estireno Butadieno – Aplicação em concretos de cimento e polímero”. Desde 1983, atua na área de Tecnologia de Materiais, sendo representante da empresa junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no Comitê Brasileiro de Impermeabilização (CB-22), no CB-02 – Comitê Brasileiro de Construção Civil e no CB-90 – Comitê Brasileiro de Qualificação de Pessoas no Processo Construtivo para Edificações. É associado do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) desde 1989. É professor, desde 2006, dos cursos de Pós-graduação “Patologias nas Obras Civis” e de “Tecnologia da Impermeabilização” no Instituto IDD, com sede em Curitiba (PR) e com cursos em outras cidades.