Impermeabilização exige projeto

O arq. Sérgio Cardoso Pousa aponta os sistemas de impermeabilização mais utilizados no Brasil

Publicado em: 28/09/2009

Texto: Redação AECweb

O sucesso de um sistema de impermeabilização depende da boa especificação e execução

Redação AECweb


Infiltração, motivo de muita dor de cabeça para o empreendedor, construtora e, especialmente, para os usuários das edificações. Por isso a grande atenção das obras aos sistemas de impermeabilização. “O sucesso de um sistema de impermeabilização depende da boa especificação e execução”, pontua o arquiteto Sérgio Cardoso Pousa, da Proiso – Projetos e Consultoria, e ex-presidente do IBI – Instituto Brasileiro de Impermeabilização.

Segundo Sérgio, os produtos disponíveis no mercado estão todos normalizados, os fabricantes são qualificados e há controle de execução. “Em sistemas asfálticos, o Brasil não deve nada ao que se faz de melhor lá fora e é atendido, predominantemente, por indústrias brasileiras. As multinacionais do setor têm feito incursões por aqui, com produtos importados, principalmente da Suíça, Estados Unidos, Itália e Argentina”, diz.

SISTEMAS
Ele ensina que, entre os sistemas disponíveis, os mais utilizados são aqueles com base asfáltica, oferecidos em mantas ou moldadas ‘in loco’. Já as mantas elastoméricas de EPDM ou butil - sintéticas com base de borracha – dominavam o mercado há cerca de 20 anos, mas foram perdendo espaço para os sistemas asfálticos. “É um material nobre, com vida útil de cerca de 30 anos, porém muito artesanal, o que impede rapidez na obra e vai contra o ritmo da construção civil atual, bastante industrializada”, comenta. Já as mantas de PVC, geosintéticas, são de uso em áreas específicas como em subsolos, onde há pressão de lençol freático. Podem ser adotadas, ainda, para áreas de coberturas com pouco tráfego ou sob telhas metálicas, na modalidade branca resistente a raios ultravioleta.

“Numa hidroelétrica, podemos trabalhar com sistema asfáltico, porém, com o máximo de impermeabilização, geralmente com o tipo 4, com gramatura e resistência elevadas, dupla camada e aplicação com asfalto a quente”, revela, acrescentando que especificação semelhante pode ser feita para piscinas. Já em regiões com temperatura constantes abaixo de 10 ºC é possível usar o tipo 3.

“Em áreas molhadas, menores e internas dos edifícios residenciais, é recomendável, e são mais utilizadas, as membranas moldadas ‘in loco’, pelo seu custo menor e facilidade de execução, com ótimos resultados de estanqueidade”, afirma o consultor. Neste caso, as membranas asfálticas são aplicadas a quente ou a frio – emulsões. Há, ainda, cerca de cinco diferentes produtos à base de cimento com resinas acrílicas, variando em função do volume de polímeros. “Em edificações industriais – ou mesmo institucionais, como hospitais - submetidas a impactos abrasivos ou reações químicas, a melhor especificação são os sistemas de resina à base de epóxi, poliuréia ou asfalto, sempre moldada ‘in loco’”, recomenda Sérgio Pousa.

MANTAS ASFÁLTICAS

Hoje, as mantas asfálticas lideram no país, com várias nomenclaturas, espessuras, e tipos de aplicação. As espessuras vão de 3 mm a 5 mm, sendo que as mais utilizadas são as de 3 mm e 4 mm. Tipo é uma classificação que vai de 2 a 4, predominando o uso dos tipos 3 e 4. São conceituados a partir dos estruturantes utilizados na sua composição, que pode ser em poliéster com várias gramaturas.

“Engenheiros de construtoras têm conhecimento de que o sistema é a manta asfáltica e sua espessura. A partir daí, os dados são do domínio dos projetistas, já que nem mesmo os catálogos técnicos dos fornecedores mencionam os tipos”, diz Pousa, revelando que na maioria das obras, o sistema mais utilizado é o do tipo 3, que atende as movimentações e dilatações estruturais, considerando aspectos como local da edificação em que a impermeabilização será aplicada, qual o esforço que incidirá e se haverá tráfego sobre ela. “Outros critérios envolvem a vida útil do sistema que gira em torno de 15 anos, quando se trata de uma única camada de impermeabilização”, observa.

Quando a decisão do empreendedor é garantir o máximo em qualidade, especialmente nas edificações de alto padrão, o projetista fica livre para propor sistemas de performance mais elevada. “É inevitável a especificação de uma camada dupla de manta, que eleva a vida útil do material, reduzindo também as manutenções”, diz. As mantas podem ser aplicadas com maçarico, de custo mais alto, ou com asfalto quente. Esse seria o sistema ‘top’, com vida útil que dobra, chegando a 30 anos. As alternativas são as membranas asfálticas moldadas ‘in loco’, feitas manualmente.

“É bom lembrar que não existem normas que determinem o número de camadas de mantas”, alerta. No caso das coberturas, dependendo do nível de impermeabilização que se deseja obter, em função das dimensões, investimento e as várias interferências na área, é possível reforçar o sistema. Segundo ele, a longevidade do sistema, independente de ser mais ou menos reforçado, dependerá do uso, especialmente das instalações que venham a ser feitas na cobertura impermeabilizada no pós-obra.

MANUTENÇÃO
A manutenção da impermeabilização só é feita quando ocorre vazamento. Dependendo da gravidade das infiltrações, do tempo de aplicação e, em se tratando de um sistema asfáltico, é possível fazer a manutenção localizada. É preciso que a área seja isolada, de forma a oferecer garantia de execução. O trabalho exige que se quebre o revestimento do piso para chegar na camada de impermeabilização, onde, muitas vezes se detecta o ponto falho – em outras, será necessário fazer pesquisa, removendo tudo.

Redação AECweb