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Incorporadoras investem na certificação

A tendência de empreendimentos comerciais sustentáveis e certificados é irreversível: há demanda suficiente, inclusive no segmento de centros logísticos

Publicado em: 02/10/2012

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Incorporadoras investem na certificação

Entrevista: Marcelo Coccaro

Paralelamente ao crescimento do mercado de imóveis comerciais e industriais como centros logísticos e shoppings centers – devido ao desenvolvimento da economia brasileira nos últimos anos – a procura pela certificação desses empreendimentos pelas incorporadoras também dispara no Brasil.

Nesta entrevista exclusiva ao Portal AECweb, o gerente Geral da Prologis CCP – Cyrela Commercial Properties, Marcelo Coccaro, explica que existe demanda por empreendimentos que respeitem o meio ambiente e que fazem bom uso dos recursos naturais, tanto por parte do consumidor, quanto pelo investidor, que buscam redução de custos operacionais e menor impacto urbano. Coccaro comenta ainda, que há uma tendência para que os edifícios residenciais também se ocupem da sustentabilidade para atender às exigências do consumidor mais consciente.

Há paradigmas a serem superados, principalmente com relação ao aumento de custos e sobre os reais benefícios de se adotar as iniciativas de sustentabilidade
AECweb - Há, de fato, uma tendência de os incorporadores investirem em empreendimentos certificados, desde centros logísticos a prédios corporativos e shoppings centers?
Marcelo Coccaro -
Sim. Além do desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis e com alto grau de eficiência energética fazer parte do DNA da empresa, existe uma demanda do consumidor para empreendimentos que respeitam o meio ambiente e que façam bom uso dos recursos naturais. Também é interessante para o investidor empreendimentos que tenham baixos custos operacionais e menores impactos urbanos.

AECweb - Qual o percentual de aumento no custo da construção, especialmente quando é requerida a certificação de impacto ambiental?
Coccaro -
O percentual varia de acordo com o investimento total e com o grau de certificação desejado. Podemos estimar, de qualquer maneira, que o percentual de aumento do custo de construção pode variar de 2% a 5% e que existe uma tendência de redução desse índice.

AECweb - A CCP já observa maior lucratividade na locação de CDs sustentáveis e certificados?
Coccaro -
Ainda não é possível quantificarmos isso. Porém, as certificações criam um diferencial nos empreendimentos da CCP, com um alto nível de competitividade no mercado.

Incorporadoras investem na certificação

AECweb - Na sua opinião, por que a busca pela sustentabilidade nos edifícios residenciais não é tão recorrente quanto nos comerciais?
Coccaro -
Existe uma tendência para que os edifícios residenciais também busquem sustentabilidade, considerando o aumento da conscientização ambiental em uma parcela maior da população, além da popularização das iniciativas sustentáveis com consequente redução de custos de implementação. Há paradigmas a serem superados, principalmente com relação ao aumento de custos e sobre os reais benefícios de se adotar as iniciativas de sustentabilidade. A educação ambiental e o acesso mais amplo às novas tecnologias são itens essenciais para que a sustentabilidade faça parte da cultura geral da população.

AECweb - Por que o certificado LEED e não os demais?
Coccaro -
A certificação LEED foi pioneira no mercado nacional e é muito aceita no mundo global, mas não existem restrições para as demais certificações ambientais. No desenvolvimento de seus empreendimentos, a CCP segue os princípios do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), os critérios de construção do Conselho Brasileiro da Construção Sustentável e também submete seus empreendimentos corporativos à certificação ‘triple A’ do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Planejamento é fundamental quando se trata de certificação ambiental
AECweb - A construção de um CD tem uma série de exigências ambientais, como tratamento de efluentes. Se feita a opção pelo reuso de águas tratadas para irrigação, já terá garantido quatro pontos no LEED, assim como a adoção de iluminação zenital e reuso da água pluvial. Dados como esses são considerados pelos incorporadores para decidir quanto à certificação?
Coccaro –
Sim. Esses dados são cruzados com as características de uso da edificação para concluirmos sobre os benefícios para o meio ambiente e para os usuários finais. Questões como localização do terreno, infraestrutura local, índices pluviométricos e dimensões das áreas permeáveis são consideradas na análise. É importante lembrar que muitas iniciativas devem ser tratadas como boas práticas de engenharia e ações de responsabilidade social, e não somente como itens para a certificação.

AECweb - Qual o momento certo para decidir pela certificação de um empreendimento?
Coccaro -
É no início do processo, ainda na fase de prospecção de novos terrenos. Existe uma curva de redução de custos de implantação e de melhor retorno do investimento, quando as iniciativas são consideradas nas fases preliminares de implantação. Planejamento é fundamental quando se trata de certificação ambiental.

AECweb - Como o incorporador vê a relação entre um edifício ‘triple A’ e as certificações ambientais?  É um ‘casamento’ obrigatório?
Coccaro –
Atualmente, podemos dizer que sim, e que essa relação será cada vez mais abrangente para as outras tipologias de produtos no mercado.

AECweb - Para a CCP, sustentabilidade – com ou sem certificação – é estratégia mercadológica irreversível?
Coccaro -
Sim, a sustentabilidade faz parte dos princípios corporativos da empresa e independe dos objetivos de obter a certificação. A CCP busca em todos os seus empreendimentos, nas fases de projeto, construção, operação e manutenção, desenvolver um produto moderno, flexível e eficiente em todos os seus aspectos.

Redação AECweb / e-Construmarket


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Incorporadoras investem na certificação Marcelo Coccaro - Tem MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getulio Vargas; graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Mais de 16 anos de experiência em projetos para empresas nacionais e multinacionais nos setores comércio, varejo, industrial, logística, institucional e residencial. Está na Prologis CCP desde março deste ano. De 1999 a 2006 foi gerente de Projetos, diretor de Projetos e diretor de Design da CH2MHILL Lockwood Greene do Brasil Ltda e, de 2006 a 2012 ocupou o cargo de gerente-geral de Desenvolvimento do Walmart Brasil.