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Industrialização das instalações prediais: agilidade e redução de desperdícios

Tubulação PEX, chassis pré-montados e sistemas polvo são algumas opções para levar racionalidade à execução das instalações de água, energia e gás

Publicado em: 06/08/2021Atualizado em: 21/09/2021

Texto: Juliana Nakamura

Tubulação PEX
A tubulação em polietileno reticulado (PEX) gera ganhos importantes na obra (Foto: nikkytok/Shutterstock)

Por uma série de razões, as instalações prediais sempre foram uma etapa crítica na construção de edifícios. Primeiro porque se trata de uma atividade que, quando realizada do modo tradicional, exige a gestão de uma enorme quantidade de itens e componentes. Além disso, o sucesso desses serviços é altamente dependente da qualificação da mão de obra. Há de se considerar, ainda, que falhas de execução nas instalações prediais comprometem o desempenho da edificação e causam uma série de dores de cabeça ao construtor, desde custos extra com retrabalhos a desgastes à imagem perante seu cliente.

Nos últimos anos, a demanda por alternativas que elevem a produtividade no canteiro, associada ao desenvolvimento da indústria de materiais para instalações, fez com que crescesse a oferta de soluções pré-montadas. Para instalações hidráulicas, o mercado já conta com opções de módulos de chuveiro, esgoto, prumadas e chassis para lavatórios. Para instalações elétricas, destacam-se os kits conhecidos como sistemas polvo. “Essas tecnologias agregam vantagens diferentes, mas todas podem contribuir para uma maior economia, redução de impacto ambiental e elevação da produtividade na obra”, diz Thiago Barbosa Yonamine, coordenador de obras na MPD Engenharia.

Essas tecnologias agregam vantagens diferentes, mas todas podem contribuir para uma maior economia, redução de impacto ambiental e elevação da produtividade na obra
Thiago Barbosa Yonamine

Facilidade na instalação, maior precisão dimensional, redução de desperdícios e melhor qualidade das conexões — que são executadas sob controle industrial — são vantagens comumente associadas às instalações prediais industrializadas. “Além de melhorar a produtividade, a utilização de kits hidráulicos ou elétricos reduzem riscos e erros nos processos”, acrescenta Pedro Henrique Batista, gerente de obras da HM Engenharia. Ele conta que a HM tem obtido ganhos importantes como redução do índice de manutenções e menor efetivo de instaladores no canteiro com o uso de kits elétricos e hidráulicos, esses últimos com tubulação em polietileno reticulado (PEX).

“A redução de juntas realizadas na obra e a utilização de kits que chegam pré-montados reduzem o tempo de execução na obra e evitam erros de interpretação de projetos executivos. O custo do material pode até ser mais elevado, mas a redução da mão de obra e das perdas podem compensar esse investimento”, adiciona Daniel Setrak Sowmy, pesquisador do Laboratório de Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Instalações Prediais do IPT.

Segundo Sowmy, um bom projeto é fundamental para a racionalização bem-sucedida dos sistemas de instalações prediais. “Durante essa etapa inicial é que optamos pelo produto mais adequado tendo em vista as solicitações previstas, assim como buscamos a melhor configuração com objetivo de facilitar a execução e reduzir o custo”, comenta o pesquisador do IPT.

COMO ESCOLHER?

A escolha do sistema precisa considerar vários fatores como, por exemplo, a tipologia e a escala de construção
Pedro Henrique Batista

Diante de uma disponibilidade cada vez mais ampla de soluções, escolher a tecnologia mais adequada para cada projeto pode ser um desafio. De acordo com Yonamine, na fase de planejamento, o construtor deve ficar atento às suas necessidades e às particularidades da obra. “A escolha do sistema precisa considerar vários fatores como, por exemplo, a tipologia e a escala de construção”, afirma Pedro Henrique Batista.

“Por mais vantajosas que essas tecnologias possam ser, seu uso não valerá à pena se não for bem pensado e executado desde o início, visando tirar o melhor proveito dessas inovações. Isso passa, também, pela capacitação da mão de obra”, destaca Thiago Yonamine. O engenheiro da MPD recomenda, ainda, privilegiar empresas idôneas e com boas referências, capazes de atender com qualidade tanto o fornecimento dos kits quanto a montagem em obra.

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Colaboração técnica

 
Thiago Barbosa Yonamine — Engenheiro civil formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FEG/UNESP), é coordenador de obras na MPD Engenharia.
 
Pedro Henrique Batista — Engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Piracicaba. Com especialização em gerenciamento de projetos, administração e negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é gerente de obras na HM Engenharia.
 
Daniel Setrak Sowmy — Engenheiro civil, pesquisador no Laboratório de Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Instalações Prediais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do estado de São Paulo (IPT).