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Infiltrações nas áreas molhadas causam danos estruturais e gastos excessivos

Enquanto a implantação de um sistema de impermeabilização representa, em média, de 1% a 3% do custo total da obra, a reimpermeabilização pode corresponder a até 25%

Publicado em: 06/03/2013Atualizado em: 05/03/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas 

Nada pior que, após a construção ou reforma, descobrir que o banheiro possui vazamentos devido à má impermeabilização. Os efeitos da umidade – grande vilã das áreas molhadas – podem causar sérios estragos na estrutura do piso e do contrapiso, alcançando até mesmo a laje e fazendo surgir goteiras nos andares inferiores.

É por isso que a impermeabilização é um item de total importância – lembrando que o ponto crítico, no caso dos banheiros, é o box, já que possui maior e mais constante fluxo de água. O arquiteto e designer José Luiz Leone revela que a falta de impermeabilização pode causar problemas não apenas estruturais, mas também danos à saúde dos moradores, uma vez que “os materiais utilizados na Construção Civil (tijolo e concreto, por exemplo) são muito porosos, devendo ficar livres da umidade para não trincar ou apresentar ferrugens, manchas e mofos”.

O custo da implantação de um sistema de impermeabilização na edificação também deve ser considerado. Representa, em média, de 1% a 3% do custo total da obra, considerando projeto, consultoria, fiscalização, execução e materiais. A execução da impermeabilização durante a construção é mais fácil e econômica se comparada à execução feita depois, já que a reimpermeabilização pode corresponder a 25% do custo total, dependendo do tipo de revestimento empregado, incluindo todos os custos diretos e indiretos, inclusive os transtornos, que não são pequenos.

Tipos de impermeabilizaÇÃo

Sistema Rígido

É o sistema que torna a área aplicada impermeável pela inclusão de aditivos químicos. Os impermeabilizantes rígidos não trabalham junto com a estrutura. São aplicados em locais não sujeitos a movimentações e fissuração. Portanto, para áreas expostas a grandes variações de temperatura não é o sistema mais adequado.

Indicações: locais com carga estrutural estabilizada, como poço de elevador, reservatório inferior de água (enterrado); pequenas estruturas que não sofram alteração; condições de temperatura constantes, como subsolos, galerias e piscinas enterradas; galeria de barragens.

Os tipos:
- Argamassa impermeável com aditivos hidrofugantes: indicada para banheiros em que o piso fica em contato com o solo, como em casas onde o banheiro localiza-se no andar inferior;
- Argamassa polimérica;
- Cimento cristalizante;
- Cimento modificado com polimérico;
- Resinas epóxi.

Sistema Flexível

Aqueles aplicados em locais sujeitos a movimentação e fissuração. Pode ser dividido em dois tipos: moldados no local, chamados de membranas; ou pré-fabricados, conhecidos como mantas. Essas possuem espessuras definidas e controladas pelo processo industrial, podendo ser aplicadas normalmente em uma única camada. Já o sistema moldado no local, que pode ser aplicado a quente, como os asfaltos em bloco, ou a frio, como as emulsões e soluções, possuem espessuras variadas e exigem aplicação em camadas superpostas, sendo observado, para cada produto, um tempo de secagem diferenciado.

Indicações: reservatórios de água superior, varandas, terraços e coberturas, lajes maciças, mistas ou pré-moldadas, lajes de cobertura e marquises, piscinas suspensas e espelhos d’água, calhas de grandes dimensões, pisos frios, como os de banheiros, cozinhas e áreas de serviço.

Os tipos:
- Membrana moldada na obra (a quente ou a frio), que pode ser dos tipos: asfalto moldado quente, emulsão asfáltica, membrana de poliuretano, membrana de poliureia, membrana acrílica e resina termoplástica.;
- Manta asfáltica;
- Membrana sintética, que pode ser tipo: mantas de PEAD, PVC, TPO e EPDM.

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RegulamentaÇÃo

De acordo com a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 9574 Execução de Impermeabilização e a NBR 9575/2003 que rege a seleção e projeto da impermeabilização, há duas maneiras de barrar a entrada da água. Uma é com os chamados sistemas rígidos, em que a massa usada como reboco recebe polímeros, cristalizantes ou hidrofugantes e, dessa forma, evita que a água se infiltre nos poros do concreto. A outra, dos sistemas flexíveis, compõe-se de mantas ou membranas moldadas na obra – as duas têm asfalto em sua composição e formam uma camada sobre a superfície a ser protegida.

Desde o dia 17 de outubro de 2010, entrou em vigor a nova norma ABNT NBR 9575:2010, que estabelece as exigências e recomendações relativas à seleção e ao projeto de impermeabilização. A nova norma estabelece requisitos mínimos de proteção da construção contra a passagem de fluidos, bem como requisitos de salubridade, segurança e conforto do usuário, de forma a ser garantida a estanqueidade das partes.

Como comprar

Alexandre Rodrigues, gerente de produtos da Weber Saint-Gobain, conta que a falha na impermeabilização pode gerar diversos problemas, como o comprometimento dos cômodos dos andares inferiores, desplacamento de revestimentos, formação de bolhas na pintura e danos ao forro de gesso do pavimento inferior.

Para evitá-los, o mercado oferece uma infinidade de materiais que prometem soluções para qualquer tipo de situação. “Ao escolher, devem ser levados em conta a indicação do fabricante em suas especificações, se o material é indicado para a área a ser tratada e as orientações para utilização, como consumo, se precisa ou não de mão de obra especializada, tempo para liberação do local e necessidade de proteção da camada impermeabilizante”, revela o gerente técnico e de novos produtos da Mactra, Vicente Parisotto Jr.

Assentamento correto evita problemas

O primeiro passo para evitar infiltrações é cuidar do assentamento correto do piso. Para isso, usar bons materiais e recorrer a um profissional competente faz toda a diferença. No caso de cerâmicas e porcelanatos, o assentamento deve ser feito com martelo de borracha, para não danificar o material nem a impermeabilização. O rejunte também deve ser de qualidade, pois cabe a ele evitar a infiltração da água entre a impermeabilização e o contrapiso. Cada revestimento requer um tipo diferente de rejunte, sendo recomendado consultar o fabricante antes da compra.

Durante a obra é necessária a regularização do piso, feita com argamassa pronta ou preparada na obra, no traço recomendado. “Além disso, não se deve esquecer do caimento mínimo de 1% em direção aos pontos de escoamento de água”, explica José Luiz Leone. Alguns locais específicos do banheiro merecem atenção especial, como as áreas em torno dos ralos. Nelas, a impermeabilização ideal deve ser feita com manta asfáltica e fogo, mas a opção de tela estruturante ao redor deles, para vedar a água que por ali passa, também funciona.

Há casos em que a impermeabilização é realizada no contrapiso já pronto. Nessas situações, é importante que os cantos sejam ligeiramente arredondados e que subam em direção à parede por cerca de 20 a 30 cm (no formato que, na Construção Civil, convencionou-se chamar meia-cana). Essa medida minimiza o surgimento de trincas.

Na área do box, é aconselhado que, além do piso e do entorno dos ralos, seja feita a impermeabilização das paredes internas e da junção entre elas e as esquadrias das janelas, pois o vapor proveniente da água quente do chuveiro pode causar infiltrações, manchas e bolores.

Banheira

O nicho da banheira é outro ponto fundamental, pois caso o vazamento demore a ser identificado, ele pode tomar proporções muito mais complexas pela dificuldade de localização. Assim, antes de usar a manta ou a membrana na base e na parede ao redor da banheira, recomenda-se a proteção do ralo de escoamento, que fica sob ela, e ao redor das tubulações hidráulica e elétrica. No caso da hidromassagem, aconselha-se fazer um reforço com cimento asfáltico. “Isso vale para apartamentos e sobrados com banheiros no piso superior”, avisa José Luiz Leone.

De acordo com Emil Fehr, gerente de marketing e desenvolvimento de mercado do fabricante Lwart Química, é indicado também fazer a imprimação de todo o banheiro, ou seja, a aplicação de um promotor de aderência para aumentar a adesão entre o substrato e o produto impermeabilizante, que deve ser aplicado após a secagem total da camada anterior, sempre respeitando o consumo recomendado, o intervalo entre as demãos e todas as instruções de uso indicadas pelo fabricante do produto.

Para ter certeza de que a obra foi bem executada, é recomendada a realização de um teste de estanqueidade: feche todos os pontos de drenagem de água no piso e todos os ralos, deixando uma lâmina de água em torno de 5 cm de altura. Aguarde por volta de 72 horas e observe se realmente não houve vazamentos.

ManutenÇÃo e prevenÇÃo

“A manutenção preventiva não deve ser esquecida. Deve ser feita regularmente, observando sempre o revestimento, vistoriando o rejunte (se há falha ou coloração escurecida), peças soltas, acessórios mal calafetados, caimento, presença de fissuras e trincas no entorno do ralo, para garantir que a impermeabilização não seja comprometida”, explica Eliene Ventura, gerente técnica da Vedacit e Otto Baumgart.

Existem, ainda, casos que exigem atenção quanto a possíveis danos à impermeabilização, como quando se torna necessária a posterior instalação de algum tipo de equipamento que exija perfuração do piso ou, ainda, quando é feita a troca do revestimento do banheiro. Nessas ocasiões, o ideal é refazer toda a impermeabilização do espaço, evitando novamente problemas com infiltração, manchas, trincas e mofos.