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O que são Instalações Elétricas Aparentes

Planejamento e adequação a requisitos e normas asseguram bons resultados estéticos e de segurança

Publicado em: 25/11/2014Atualizado em: 31/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Instalações aparentesExemplo de instalacao aparente no projeto de Rodrigo Kolton para o bar Show de Bola, em Sao Paulo
Foto: J. Vilhora

Deixar as instalações elétricas e de dados à mostra traz inúmeras vantagens: facilita mudanças no layout do ambiente, dispensando o quebra-quebra, e simplifica o acesso à infraestrutura de condutores para a realização de manutenções na rede. Não à toa é solução amplamente empregada em espaços industriais. Nas áreas comerciais e residenciais, é também opção que confere personalidade ao projeto de interiores. "Dá um ar industrial e combina muito com materiais mais rústicos, como cimento queimado e tijolo aparente", exemplifica o arquiteto Rodrigo Kolton, do escritório RK Arquitetura e Design.

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Antes de adotar o conceito, é bom ter em mente que o custo dos sistemas aparentes costuma ser mais alto que o das instalações embutidas tradicionais, além de demandar produtos específicos. "Mas é solução extremamente segura, desde que se utilize os materiais adequados", diz o engenheiro eletricista Wilson Moura, professor de Infraestrutura Urbana e Predial da Escola da Cidade.

Instalações aparentes
Canaletas de PVC - Schneider Electric

Para a passagem dos condutores, são recomendadas eletrocalhas e eletrodutos em aço galvanizado; no caso do emprego de materiais plásticos, como o PVC, a exigência é que sejam autoextinguíveis. Ponto igualmente importante, ressalta Moura, é o ordenamento da instalação. "A instalação aparente mal planejada e mal executada pode dar a impressão de confusão; na iluminação, pode até mesmo limitar o campo de visão.”

O conselho do engenheiro Daniel Gatti, gerente de Marketing da divisão residencial da Schneider Electric, é iniciar o planejamento pela avaliação das necessidades do ambiente em termos de quantidade de tomadas, interruptores e pontos de dados. "Com isso podemos determinar o tamanho e tipo de canaleta a ser utilizada, sempre levando em consideração o nível correto de ocupação pelos cabos. Reforçamos também a necessidade dos acessórios corretos como curvas e T's que respeitem a curvatura ideal dos cabos", indica o profissional.

Dá um ar industrial e combina muito com materiais mais rústicos, como cimento queimado e tijolo aparente
Rodrigo Kolton 

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DEMANDAS TÉCNICAS

Pela flexibilidade e agilidade que imprimem à obra, as instalações aparentes são indicadas para reformas e retrofits. Nessas situações, é comum tirar partido da solução para ampliar os pontos de alimentação elétrica e de iluminação. O cuidado aqui está em não sobrecarregar a rede existente. "É sempre necessário verificar a carga instalada do apartamento", alerta Rodrigo Kolton. Referência para a checagem da informação é o projeto elétrico da edificação.

Outra fonte de consulta obrigatória é a NBR 5410:2004 - Instalações elétricas de baixa tensão. "O item 6.2.11 traz prescrições para a instalação, inclusive sobre os eletrodutos", detalha o engenheiro Everton Moraes, fundador do blog Sala de Elétrica. Entre outras condições, a norma define a quantidade máxima de condutores que a eletrocalha pode receber. “É fundamental deixar espaço suficiente para a acomodação dos cabos, e também para permitir a ventilação natural, responsável pelo resfriamento dos condutores”, justifica o especialista. Ele exemplifica: “Três ou mais condutores devem ocupar, no máximo, 40% da eletrocalha”.

Instalações aparentes
Fabricantes oferecem sistemas completos, como canaletas,
caixas e acessorios (Divulgação: Schneider Electric)

Condutores de eletricidade e de telecomunicações jamais devem ocupar a mesma canaleta, alertam os especialistas. O problema, explica Everton, é que há possibilidade de interferência eletromagnética, criada pela corrente elétrica, na transmissão dos dados. Wilson Moura, da Escola da Cidade, chama a atenção também para a necessidade de utilizar prumadas diferentes para abrigar diferentes perfis de cargas. O correto é ter sistemas dedicados, por exemplo, para iluminação, para alimentação de equipamentos que exigem correntes mais elevadas, como freezers e de ar condicionado.

 

ELETRODUTOS: METAL OU PLÁSTICO

A instalação aparente mal planejada e mal executada pode dar a impressão de confusão; na iluminação, pode até mesmo limitar o campo de visão
Wilson Moura 

As duas opções têm desempenho semelhante, avalia Wilson. A principal diferença é a resistência mecânica. Em áreas onde os eletrodutos ficam sujeitos a contatos frequentes, é indicado optar pelos produtos metálicos, mais robustos. A capacidade destes em termos de armazenamento de condutores, afirma Everton Moraes, é no geral maior. Ponto positivo para as canaletas de PVC é o preço mais em conta.

Em ambos os casos, os fabricantes oferecem sistemas completos, contendo eletrodutos, caixas de sobrepor, curvas e outros acessórios, como adaptadores, tampões e braçadeiras. Também é possível encontrar no mercado produtos de dimensões variadas, destinados a abrigar condutores de diferentes bitolas, além de opções de sistemas coloridos, pensados para facilitar a decoração do ambiente.

SINAL DE PERIGO

Saiba quais são os erros mais comuns em instalações elétricas aparentes

Não planejar a instalação tanto do ponto de vista do dimensionamento, quanto da distribuição dos eletrodutos.

• Em reformas ou retrofits, adicionar pontos de alimentação ou de iluminação sem respeitar o projeto elétrico do sistema.

• Exceder a quantidade máxima permitida de condutores nos eletrodutos.

• Não utilizar acessórios que respeitem a curvatura ideal dos cabos.

• Misturar, numa mesma canaleta, cabos elétricos e de telecomunicações.

Colaboraram para esta matéria

Everton Moraes – Engenheiro Eletricista formado pela Universidade Bandeirantes de São Paulo, técnico em Mecatrônica pela ETE Lauro Gomes e Eletricista de Manutenção formado no Senai. Trabalhou durante 10 anos na área de manutenção elétrica e hoje se dedica à formação de profissionais da área técnica, tendo atuado no Senai São Paulo, e atualmente na empresa Toledo do Brasil como instrutor de treinamentos. Fundador do Blog Sala da Elétrica, por meio do qual dissemina conhecimento em eletroeletrônica para profissionais e interessados no assunto.
Rodrigo Kolton – Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), pós-graduado pela Universidade de Buenos Aires Argentina. É sócio fundador da RK Arquitetura e Design.
Daniel Gatti – Graduado em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Induastrial (FEI), com pós-graduação MBA em Gestão Estratégica de Mercado pela FGV, possui 12 anos de experiência no segmento de varejo de materiais elétricos e de construção. Atualmente é Gerente de Marketing de Produtos da Schneider Electric, sendo responsável pela equipe de Gerentes de Produto e Engenheiros de Aplicação para produtos destinados ao mercado residencial e predial. Linhas de baixa tensão como interruptores e tomadas, dispositivos de proteção (minidisjuntores, IDR, DPS, quadros) e sistemas de instalações aparentes (canaletas) estão sob a gestão do profissional.
Wilson Moura – Engenheiro eletricista e professor da disciplina Infraestrutura Urbana e Predial do curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade, em São Paulo.