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Interligação entre as represas Jaguari e Atibainha entra em operação

Obra de segurança hídrica consiste na construção de um conjunto de instalações para captação e transporte de água, que inclui túnel, adutoras e estação elevatória

Publicado em: 04/05/2018

Texto: Juliana Nakamura

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A obra de interligação das bacias hidrográficas do Cantareira e do Paraíba do Sul beneficiará mais de 20 milhões de pessoas (foto: divulgação/Engeform)

Já em operação no Vale do Paraíba, a interligação das bacias hidrográficas do Cantareira e do Paraíba do Sul foi construída para aumentar a segurança hídrica nas áreas metropolitanas de São Paulo (SP) e Campinas (SP), após a grave crise de abastecimento que acometeu a região entre 2014 e 2017.

Iniciada em 2016 e com custo de R$ 555 milhões, a obra beneficiará mais de 20 milhões de pessoas ao permitir transferência de água a uma vazão máxima de 8,5 m³/s da represa Jaguari (na Bacia do Rio Paraíba do Sul) para a Atibainha (parte do Sistema Cantareira), e a 12,2 m³/s no sentido contrário. Segundo dados da Sabesp, empresa que administra o empreendimento, a chance de o Sistema Cantareira receber um volume de água insuficiente para atender à demanda da população cai de 6,7% para 0,4% com a transposição em funcionamento.

DESAFIOS TÉCNICOS

De alta complexidade, a obra durou cerca de dois anos para ser concluída e envolveu o assentamento de 13,2 km de adutoras, a construção de uma estação elevatória de água bruta e de uma subestação de energia elétrica.

Ao longo desse período, uma série de desafios técnicos tiveram de ser superados. O primeiro deles foi a preparação do terreno para a construção das adutoras. Algumas áreas chegavam a ter 55 graus de inclinação, o que dificultava muito a instalação das tubulações rígidas.

Para completar, o espaço disponível muitas vezes não permitia realizar taludes, necessitando de grandes extensões de escoramento. Em alguns trechos do projeto, as vias de implantação da adutora eram muito estreitas. “Tudo isso exigiu a execução de quilômetros de novos acessos, assim como de novas estradas para atender à logística do empreendimento, que em seu pico contou com 1.100 colaboradores diretos”, comenta a engenheira Simone Vallilo, diretora de negócios da Engeform, empresa que constitui o consórcio construtor BPC, junto com a Serveng/Civilsan e a PB Construções.

TÚNEL PARA CONDUÇÃO DE ÁGUA

A construção de um túnel conectado às adutoras também demandou esforços de engenharia. Para a execução dessa infraestrutura, com 6,4 quilômetros de comprimento, foi utilizado o Novo Método Austríaco de Tunelamento (NATM, na sigla em inglês). Essa técnica, muito utilizada em obras no Brasil, consiste do uso de sistemas de suporte com concreto projetado associado a outros tipos de apoio, como cambotas metálicas e fibras de polipropileno adicionadas ao concreto.

Para viabilizar o serviço, foram utilizados explosivos e mobilizadas escavadeiras hidráulicas de diferentes portes, além de quatro jumbos para perfuração de rocha sã.

Cada metade do túnel começou a ser construída pelas pontas e pelo meio, simultaneamente. Ao todo, o processo de escavação do túnel contou com mais de 160 profissionais
Simone Vallilo

Vallilo conta que, para ganhar mais frentes de trabalho e atender aos prazos previstos no cronograma, foi realizada uma janela (abertura) no meio da extensão do túnel. Isso permitiu construir a tubulação com quatro frentes de trabalho, em vez de duas. “Dessa forma, cada metade do túnel começou a ser construída pelas pontas e pelo meio, simultaneamente. Ao todo, o processo de escavação do túnel contou com mais de 160 profissionais”, informa.

FUNDAÇÕES SUBMERSAS

O projeto de interligação das bacias no Vale do Paraíba previu, ainda, a construção de uma estação elevatória de água bruta junto à represa Jaguari. A estrutura, que conta com uma laje de 30 m x 30 m, exigiu a execução de fundações submersas profundas apoiadas em rochas sãs. Para executá-las, foram empregados tubulões com a aplicação de tubos-camisa de aço, técnica especialmente indicada para obras com cargas consideradas elevadas.

Fizemos a fundação sub-aquática com tubulões com 4,2 m de diâmetro, que ultrapassaram a profundidade de 40 m. Isso foi algo inédito na engenharia nacional
Simone Vallilo

Os moldes cilíndricos de aço atuaram como fôrmas metálicas preenchidas com concreto armado e foram submersos na água com a ajuda de três balsas e cinco guindastes. “Fizemos a fundação sub-aquática com tubulões com 4,2 m de diâmetro, que ultrapassaram a profundidade de 40 m. Isso foi algo inédito na engenharia nacional, seja pela dimensão, seja pela grande profundidade em águas, sem qualquer visibilidade nos pontos próximos às bases”, declara Vallilo, destacando que o trabalho também foi desafiador para os profissionais de mergulho.

Uma vez construída, a estação elevatória recebeu seis conjuntos de motobomba com eixo vertical com 5.000 CV cada. Os equipamentos foram dimensionados para fazer com que a água supere um desnível que, em alguns pontos do percurso, chega a 200 m de coluna de água. “Para se ter uma ideia, apenas um desses conjuntos tinha aproximadamente 28 metros de comprimento e peso total de 50 toneladas”, conclui a engenheira da Engeform.

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Colaboração técnica

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Simone Vallilo – Engenheira civil formada pela Universidade de Taubaté (UniTau), é diretora de negócios da Engeform Engenharia