Itens de desgaste das vibroacabadoras requerem checagem diária

Assim como os níveis de óleo, a chapa alisadora da mesa, a correia transportadora e as correntes do eixo motriz devem ser inspecionadas ao final de cada expediente

Publicado em: 13/11/2017Atualizado em: 08/12/2017

Texto: Redação PE


A manutenção diária da vibroacabadora envolve limpeza e inspeção para identificar possíveis desgastes, folgas ou empenamentos (Divulgação/ Ciber)

A manutenção de vibroacabadoras segue aspectos importantes, a começar pelos intervalos corretos nas inspeções. As peças de desgaste precisam ser substituídas de acordo com a quantidade de horas trabalhadas, ou dependendo do tipo de material que o equipamento aplicou. Geralmente, são feitas análises diárias e semanais, ou a cada 10 e 50 horas trabalhadas, e revisões programadas para cada seis meses ou 500 horas trabalhadas. Essas informações normalmente são compartilhadas entre as equipes de manutenção das empresas que utilizam as pavimentadoras e os dealers.

A manutenção diária abrange a limpeza do equipamento ao final de cada dia de trabalho, com checagem da mesa para identificar se há desgaste, folga ou empenamento. O operador precisa averiguar os níveis de óleo do motor, do sistema hidráulico e de arrefecimento, certificando-se também de que todas as funções elétricas e hidráulicas estão funcionando. A lubrificação diária também é fundamental para garantir a vida útil de componentes como os mancais das roscas sem fim (caracóis), que ficam em contato direto com o material.

Há modelos que possuem mesa com sistema de vibração e sistema de tamper. Nesse caso, é fundamental a lubrificação adequada com uso de graxa especial de alta temperatura
Sandro Pizza

Sandro Pizza, engenheiro de produto da área de máquinas de construção rodoviária da Volvo, explica que, para estabelecer um plano de manutenção adequado para pavimentadoras, como esses equipamentos também são conhecidos, é preciso considerar o tipo, modelo e as especificações.

“Há modelos que possuem mesa com sistema de vibração e sistema de tamper. Nesse caso, é fundamental a lubrificação adequada com uso de graxa especial de alta temperatura. O sistema de aquecimento elétrico da mesa, que possui seleção da temperatura de trabalho, também requer verificação quanto ao seu funcionamento”, exemplifica.

MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Com 50 horas de trabalho, devem ser substituídos os filtros do sistema hidráulico, óleos da caixa de transferência e redutores de translação. As manutenções preditiva e preditiva englobam a análise de fluídos do motor, redutores, sistema de arrefecimento e combustível, fornecendo informações sobre o nível de desgaste e tendências de depreciação do equipamento.

Na revisão de 100 horas são substituídos os lubrificantes das caixas de redução do sistema de tração e da caixa de engrenagens das bombas hidráulicas (PTO). Também é verificado o sistema de aquecimento da mesa e confirmadas as folgas das correntes do sistema transportador e sem fim.

Trabalhar com um ângulo de ataque elevado também pode aumentar o desgaste das chapas alisadoras
Jandrei Goldschmidt

A inspeção e o controle visual são fundamentais para definir o momento correto de parada e melhor programação, principalmente para troca dos componentes que mais sofrem desgaste abrasivo em contato com a massa asfáltica. Nesse caso, merecem atenção a espessura e o empeno da chapa alisadora da mesa, que fazem o acabamento final do pavimento, a espessura da rosca sem fim, correia transportadora, e as correntes do eixo motriz da transportadora.

CONTROLE DO DESGASTE

O desgaste dependerá da característica do material, da massa asfáltica que provoca abrasividade, do volume aplicado por hora e da velocidade de trabalho do equipamento. “O controle periódico e o planejamento adequado para a substituição das peças são essenciais para evitar paradas inesperadas e incidência de custos imprevistos”, sublinha Pizza.

Em geral, os equipamentos de construção rodoviária estão sujeitos a sazonalidades e podem ficar parados em época de chuva, invernos rigorosos, sem atingir horímetro para a manutenção programada. Mas alguns lubrificantes, combustíveis e líquidos de arrefecimento atingem o prazo de validade e podem perder as propriedades com o tempo, por isso devem ser substituídos conforme orientação do fabricante.

Jandrei Goldschmidt, gerente de marketing da Ciber Equipamentos Rodoviários, ressalta que os mecânicos precisam ficar atentos para manter o correto tensionamento das esteiras de translação, lubrificação dos mancais e limpeza dos contatos de componentes elétricos das vibroacabadoras. “Conforme o tempo de uso, os itens que mais se desgastam e devem ser substituídos são a barra do tamper, as sapatas da esteira de translação, rolamentos e mancais do sem fim”, detalha.

PROCEDIMENTOS INCORRETOS

Durante o uso, é preciso evitar procedimentos incorretos que podem acelerar a depreciação da vibroacabadora, como trabalhar com motor em rotação errada ou com excesso de material à frente da mesa. “Trabalhar com um ângulo de ataque elevado também pode aumentar o desgaste das chapas alisadoras”, alerta Goldschmidt, da Ciber.

O segredo para fazer uma pavimentação correta e manter a conservação do equipamento é, segundo os especialistas, adotar um regime de trabalho contínuo. A velocidade e o fluxo do material constante evitam segregação térmica e mecânica da massa asfáltica, propiciam menor desgaste dos componentes em atrito e, ao final, proporcionam um melhor acabamento.

Os operadores devem aguardar que a vibroacabadora faça o contato, mantendo velocidade constante
Alexandre Flatschart

Alexandre Flatschart, diretor de customer solutions da Volvo CE Latin America, acrescenta que é preciso cuidado para evitar choques durante a aproximação de reabastecimento do silo com o caminhão. “Os operadores devem aguardar que a vibroacabadora faça o contato, mantendo velocidade constante”, explica. Quando a máquina mudar de posição, o operador deve evitar o giro das esteiras sobre material cortante, ou bordas das pistas em desníveis, que poderão danificar as sapatas.

Também é preciso cuidado ao transportar a máquina no caminhão prancha, fazendo uma correta carga e descarga, sem golpes e danos na mesa e rosca sem fim.

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COLABORAÇÃO TÉCNICA:

Alexandre Flatschart, diretor de customer solutions da Volvo CE Latin America
Jandrei Goldschmidt, gerente de marketing da Ciber Equipamentos Rodoviários
Sandro Pizza, engenheiro de produto da área de máquinas de construção rodoviária da Volvo