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Janela para banheiro deve garantir privacidade e eficiência

É possível escolher entre diferentes materiais e tipologias no momento de especificar o caixilho que será instalado no banheiro, sempre visando o conforto de quem está no ambiente

Publicado em: 08/04/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Janela para banheiro
Entre as tipologias mais comuns estão as basculantes, as pivotantes, as mistas de fixa e veneziana ventilada, além das maxim-ar (Foto: karamysh/Shutterstock)

Assim como as demais áreas do imóvel, os banheiros demandam a instalação de janelas em conformidade com a ABNT NBR 10821 — Esquadrias para edificações. A norma determina que os caixilhos devem suportar as pressões dos ventos, além de garantir estanqueidade à água e penetração do ar. Também é fundamental que sejam capazes de resistir à alta frequência de uso, graças aos ciclos constantes de abertura e fechamento que ocorrem nesses ambientes.

“Os acessórios devem ser dimensionados para essas solicitações, inclusive, certificando-se de que atendem aos requisitos do ensaio de ciclo de abertura e fechamento, prescrito na norma”, recomenda o engenheiro Crescêncio Petrucci Júnior, diretor da Crescêncio Engenharia. Os componentes empregados têm que ser em aço inox, já que a umidade e a alta temperatura são agressivas e com potencial de oxidar peças fabricadas com material inadequado.

Os acessórios devem ser dimensionados para essas solicitações, inclusive, certificando-se de que atendem aos requisitos do ensaio de ciclo de abertura e fechamento, prescrito na norma
Crescêncio Petrucci Júnior

No caso dos caixilhos projetantes tipo maxim-ar, comuns nesses ambientes, o braço ou a articulação precisam ser dimensionados observando as solicitações do vento. “Eles têm que impedir que solavancos extremos comprometam a estabilidade da folha ou provoquem a quebra do vidro”, diz Petrucci. Ao lidar com essa tipologia, outro cuidado é o posicionamento, principalmente se a janela abre para uma área com tráfego de pessoas, podendo causar acidentes.

A orientação de instalação nesta condição está prevista na ABNT NBR 10821. Nesse caso, esquadrias tipo basculante são mais adequadas, já que a projeção das folhas pode ficar contida na espessura da parede. “Existem outras formas de evitar problemas, como colocar a janela acima de 1,80 m ou limitar a abertura à espessura da parede se as esquadrias forem instaladas abaixo dessa altura”, enumera Joel Carlos Ferreira de Souza, sócio-gerente da SSG Consultores.

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Quais tipologias usar

A preferência deve ser por aquelas que garantem ventilação e iluminação permanentes, afinal, sanitários normalmente são insalubres e os projetos têm que se preocupar com a insolação
Joel Carlos Ferreira de Souza

De acordo com Ferreira, as tipologias geralmente usadas nos banheiros são as basculantes, pivotantes, mistas de fixa e veneziana ventilada, além das maxim-ar. “A preferência deve ser por aquelas que garantem ventilação e iluminação permanentes, afinal, sanitários normalmente são insalubres e os projetos têm que se preocupar com a insolação. Por outro lado, não definiria nenhum tipo como não recomendado ou a ser evitado”, detalha.

A maxim-ar costuma ser escolhida por permitir boa ventilação e proteção em relação à chuva. “Seja com precipitações de intensidade baixa ou moderada, a janela pode ficar aberta sem que ocorra infiltração e garantindo a ventilação constante, importante para ambientes úmidos”, explica Petrucci, lembrando que outra opção é o caixilho oscilo-batente, que oferece as mesmas vantagens da maxim-ar e ainda apresenta facilidade de limpeza e manutenção.

Segundo Petrucci, não é interessante escolher as tipologias de giro ou deslizante para banheiros. “A janela de correr tem bom controle de ventilação, mas tem que ser fechada no caso de chuva e também oferece menor privacidade quando aberta. Já as de giro não contam com controle de ventilação, sua limpeza e manutenção são mais difíceis e também pecam em relação à privacidade”, analisa.

Materiais

Petrucci comenta que as esquadrias de alumínio e de PVC são muito boas para esse tipo de aplicação. “Ambas possuem resistência à umidade criada por altas temperaturas”, diz. Ferreira complementa indicando que os caixilhos de aço e madeira também têm espaço nos banheiros, pois podem ser tratados e protegidos para resistir às intempéries. “Não vetaria nenhum material em função da umidade, deve-se sempre garantir uma boa ventilação que permita a dissipação dos vapores do chuveiro”, ressalta.

Vidros

A privacidade é um dos fatores determinantes na especificação das janelas para banheiros, e os vidros cumprem papel fundamental neste quesito. Os mais comuns são os impressos, que têm uma das faces em alto relevo e isso distorce a imagem por transmissão. “Entre os modelos mais recorrentes estão o Mini Boreal, o Pontilhado e o Canelado, porém existem outros”, exemplifica Petrucci.

Além do vidro impresso, também é possível utilizar os laminados com PVB translúcido ou os serigrafados com listas ou pontilhado. “Essas soluções são muito empregadas em empreendimentos de alto padrão”, afirma Petrucci, indicando que os vidros jateados devem ser evitados, pois a superfície rugosa (jateada) tende a impregnar sujeira. “Procuro utilizar vidros translúcidos ou impressos, entre outros”, comenta Ferreira.

Dimensionamento

O dimensionamento do caixilho para banheiro é tarefa do arquiteto. “Os tamanhos mínimos são requeridos e regrados pelos códigos sanitários ou de obras de cada localidade, normalmente, definidos em função da área do compartimento”, explica Ferreira, avalizando que ventilações permanentes tipo venezianas ventiladas atendem muito bem a esse requisito.

O arquiteto também tem que considerar que, em alguns casos, janelas de pequena dimensão podem ter a área efetiva de iluminação comprometida pelos perfis da esquadria. “Lembrando que, normalmente, os perfis de PVC para esse tipo de esquadria são maiores se comparados com os tradicionais de alumínio”, informa Petrucci. Ao pensar na privacidade, é preciso cuidado com produtos que tenham peitoril muito baixo, principalmente, se a abertura for a partir dessa estrutura e estiver localizada no boxe de banho. “Em geral, os caixilhos nesses ambientes têm peitoril de, aproximadamente, 1,50 m”, afirma.

Quando o empreendimento requer uma esquadria com altura maior ou uma fachada cortina no banho, é possível considerar um peitoril de alvenaria ou material opaco na parte interna para deixar apenas a região da janela visível. Esse artifício é muito usado em empreendimentos de alto padrão quando o caixilho do banheiro tem função de compor a fachada da edificação.

Nas soluções de fachada cortina ou esquadrias de piso a teto com peitoril, deve-se tomar muito cuidado com as vedações internas, já que a exposição à água do chuveiro ou banheira é muito intensa. “O descuido nesse caso pode ocasionar infiltração no vizinho do andar de baixo”, alerta Petrucci.

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Colaboração técnica

Crescêncio Petrucci Júnior
Crescêncio Petrucci Júnior – Engenheiro civil com vasta experiência em esquadrias e fachadas, com atuação em toda a cadeia produtiva do setor, como indústria de fabricação de esquadrias, projetos, obras e consultoria técnica. É diretor na Crescêncio Engenharia, empresa que atua como prestadora de serviços de consultoria técnica e desenvolvimento de projetos de esquadrias de alumínio, especificação de vidros e fiscalização de obras.
Joel Carlos Ferreira de Souza
Joel Carlos Ferreira de Souza — Administrador de Empresas, sócio-gerente da SSG Consultores. Respondeu pela área industrial e técnica da serralheria do Liceu de Artes e Oficio entre 1979 e 1998. Consultor do Instituto Brasileiro de Siderurgia, também participa de comissões de elaboração de normas técnicas na área de componentes metálicos para construção civil e no desenvolvimento de programas de qualidade. Em 1993, assume a direção técnica e gerencial da SSG Consultores, que se especializa em componentes para construção.