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Lei federal 13.647 obriga uso de torneiras de acionamento automático

A especificação do produto em banheiros coletivos, públicos ou privados deve considerar uma avaliação sistêmica, abrangendo a condição das instalações hidráulicas e tipo de utilização

Publicado em: 22/05/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Torneiras sensorizadas auxiliam na economia de água (foto: shutterstock.com / Here Asia)

Desde 9 de abril, todos os banheiros de uso coletivo construídos em prédios públicos ou privados devem ter torneiras com fechamento automático, de acordo com a Lei nº 13.647:2018. O objetivo é evitar o desperdício de água.

Contudo, é preciso fazer um esclarecimento, pois a simples instalação desse modelo de torneira não garante a redução do consumo de água, conforme alerta o engenheiro Roney Honda Margutti, gerente de tecnologia do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp). É preciso considerar que as torneiras automáticas podem ser dos tipos “totalmente aberta” ou “totalmente fechada”. Assim, não é possível regular a vazão da água durante o uso. Ou seja, em locais com alta pressão de água, o usuário pode controlar a vazão da água em torneiras tradicionais. O que não é possível no modelo automático. Então, nesse caso, ela desperdiça mais água.

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Para efetiva economia de água, a regulagem dos ciclos de abertura e fechamento deve ser levada em conta. Se o ciclo for muito rápido, a torneira será acionada mais de uma vez a cada utilização. E, se for lento demais, ela pode permanecer aberta por mais tempo do que o necessário, causando desperdício.

“Portanto, de forma geral, a torneira com fechamento automático é interessante e pode apresentar excelente desempenho. Porém, para não se criar falsas expectativas, deve-se fazer uma avaliação inicial tanto da condição das instalações hidráulicas prediais quanto da utilização a que o produto se destina”, avalia Margutti.

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TIPOS DE TORNEIRA

Existem alguns tipos de torneira automática. Dentre eles, a que é acionada por mecanismo hidromecânico é a mais comum. O usuário aperta o botão de acionamento e, por meio de um sistema de câmaras de compensação, o botão volta para a sua posição inicial. Esse modelo tem duas variações. A mais convencional é aquela em que a água já começa a escoar assim que o botão é pressionado. Na outra, o início do escoamento acontece somente após se soltar o botão, ou seja, de ele chegar ao fim de seu curso. “Talvez, esse último tipo possa ser um pouquinho mais econômico, pois o tempo entre o início do escoamento e o posicionamento da mão sob o jato de água é um pouco menor”, diz Margutti.

De forma geral, a torneira com fechamento automático é interessante e pode apresentar excelente desempenho. Porém, para não se criar falsas expectativas, deve-se fazer uma avaliação inicial da condição das instalações hidráulicas prediais
Roney Honda Margutti

Já a torneira com sensor de presença – a segunda mais utilizada – dispensa acionamento mecânico por botão e permite temporização maior. É, inclusive, indicada pela Norma de Acessibilidade, a ABNT NBR 9.050:2004. Já na torneira com fechamento automático sensível ao toque, basta encostar no equipamento para promover seu acionamento temporizado.

Há, ainda, a torneira de chão (pedal), que é acionada com os pés e é muito comum em chuveiros coletivos e em hospitais. Nela, o escoamento de água permanece enquanto se mantém o pé sobre o mecanismo de acionamento. Quando se remove o pé, o fluxo cessa.

Por fim, a menos usual é a que, em vez de bateria para o funcionamento da parte eletrônica, é dotada de uma miniturbina interna que gera energia com a pressão e a passagem de água, à semelhança das hidroelétricas, mas em microescala.

ESPECIFICAÇÃO

Como disse Margutti no início desta matéria, a aplicação de torneiras com fechamento automático sem uma avaliação sistêmica, pode frustrar o usuário por não apresentar o desempenho e a economia de água esperados. Assim, a especificação deve considerar a pressão hidráulica de cada ponto de uso – que varia conforme o andar da edificação – e, consequentemente, a vazão. Além disso, é essencial observar onde ela será instalada, em lavatório, área comum, cozinha etc.

A partir dessas informações, cada torneira deve ser regulada com a vazão e o tempo de ciclo de funcionamento adequados. Também se deve levar em conta se o ambiente é usado por deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Se for, a instalação deve ser feita por profissional especializado, que conheça os conceitos de acessibilidade.

“Embora o preço seja mais elevado do que o de uma torneira simples convencional, a torneira com acionamento automático ainda está longe de ser a mais cara. Há torneiras tipo “gourmet” que custam muito mais”, declara o engenheiro.

Embora o preço seja mais elevado do que o de uma torneira simples convencional, a torneira com acionamento automático ainda está longe de ser a mais cara. Há torneiras tipo “gourmet” que custam muito mais
Roney Honda Margutti

MONITORAMENTO CONSTANTE

O produto não exige manutenção frequente, apenas monitoramento constante. É interessante observar seu funcionamento e eventuais alterações no tempo de fechamento e na vazão. Mesmo as torneiras comuns, dotadas de arejadores, necessitam de limpeza periódica, para evitar entupimento. “Dessa forma, o combate ao desperdício de água e seu uso racional depende da consciência dos usuários. O monitoramento do produto é parte dessa conduta, assim como realizar a manutenção quando necessário e não acioná-lo sem necessidade”, destaca o gerente de tecnologia da Siamfesp.

ECONOMIA

A economia de água conseguida com o uso de torneiras automáticas em locais com alta pressão e, consequentemente, boa vazão, pode chegar a 48%.

A tabela abaixo mostra a economia proporcionada por diversos tipos de aparelho. Ela faz parte do manual Conservação e reúso da água em edificações, que teve colaboração de Margutti.

NORMA TÉCNICA

A norma técnica referente às torneiras com fechamento automático é a ABNT NBR 13.713:2009 – Instalações Hidráulicas Prediais – Aparelhos Automáticos Acionados Mecanicamente e com Ciclo de Fechamento Automático – Requisitos e Métodos de Ensaio.

Leia também: Metais sanitários economizadores se consolidam como opções sustentáveis

Colaboração técnica

Roney Honda Margutti – Graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), em 1999, com especialização em Administração de Negócios pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 2008, e MBA Executivo em Gestão Empresarial e Inovação pelo B.I. International – com módulos internacionais pela Babson School Executive Education e Columbia University –, em 2011. Fez Curso de Gestão Empresarial na IAE – Sorbonne Graduate Business School, no inverno de 2011. É coordenador da ABNT/CE-178:002.001 - Comissão de Estudo de Comandos Hidráulicos e tem mais de 18 anos de experiência em elaboração e gestão de Programas Setoriais de Qualidade (PSQ) e implantação de laboratórios de ensaios acreditados pelo Inmetro nas Escolas Senai e L.A. Falcão Bauer. Desde 2003, trabalha no Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp), onde atualmente é gerente de tecnologia e assessor técnico para os PSQs de fechaduras e metais sanitários no âmbito do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades do Governo Federal. Também é membro da Câmara Ambiental da Indústria Paulista da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).