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“Light Steel Framing”

Uma aposta do setor siderúrgico no desenvolvimento tecnológico da construção civil

Publicado em: 24/04/2009

Texto: Redação AECweb



“Light Steel Framing”

Autores:
Arquiteto Guilherme Torres da Cunha Jardim
Engenheiro Civil Alessandro de Souza Campos


Quando, de 1810 à 1860, todo seu território era ocupado e a população americana se multiplicou por dez, aquele país viu crescer rapidamente a demanda por edificações. Para atender a esta necessidade, recorreu-se à utilização da madeira, que fornecida pelas imensas reservas florestais existentes à época, foi largamente utilizada. Foram empregados também conceitos como praticidade, velocidade e produtividade (conceitos da Revolução Industrial); surgiu então o sistema construtivo denominado: “Wood Framing”.

A partir da metade do século XX, as siderúrgicas americanas, começaram a disponibilizar aços com menores espessuras e maior resistência à corrosão. Começava, então, a tecnologia dos aços galvanizados.

Este fato possibilitou a troca lenta e gradual das estruturas de madeira por perfis de aço, se intensificando com a passagem do furacão Andrew pela costa leste americana, que em 1992, causou intensa destruição.

Após isso, as Companhias Seguradoras ‘sobretaxaram’ as obras em “Wood Framing” e ‘subtaxaram’ o “Light Steel Framing”, dando amplo incentivo ao desenvolvimento e aplicação da tecnologia metálica.

Nos Estados Unidos, em 1992, de acordo com a revista ARQUITETURE, edição de setembro de 2004, havia registro de que, aproximadamente, 500 casas haviam sido construídas em “Light Steel Framing” e, esse número, em 2004, já é da ordem de 500.000 casas.

No Brasil, o “Light Steel Framing”, devido ao esforço da iniciativa privada, vem ganhando projeção no mercado nacional, e já podemos encontrar em várias regiões o país obra, tais como residências, escolas, hospitais, prédios, construídas com esse sistema.

A TECNOLOGIA
O “Light Steel Framing” é um sistema construtivo estruturado em perfis de aço galvanizado formados a frio, projetados para suportar às cargas da edificação e trabalhar em conjunto com outros sub-sistemas industrializados, de forma a garantir os requisitos de funcionamento da edificação.

É um sistema construtivo aberto, que permite a utilização de diversos materiais, flexível, pois não apresenta grandes restrições aos projetos, racionalizado, otimizando a utilização dos recursos e o gerenciamento das perdas, customizável, permitindo total controle dos gastos já na fase de projeto; além de durável e reciclável.

Apresenta, também, ótima resistência à incêndio, pois é revestido por placas de gesso acartonado, material com elevada resistência ao fogo. A utilização do aço galvanizado ZAR230, zincado de alta resistência, com 230 MPa, com 180g/m² de liga de zinco para ambientes não marinhos e com 275 g/m² de liga de zinco para ambientes marinhos, garante um ótimo desempenho contra corrosão.

STEEL FRAME x DRY-WALL
Apesar do “Steel Frame” e o “Dry-Wall” serem visualmente semelhantes, conceitualmente apresentam características bem distintas. O “Steel Frame” é a conformação do “esqueleto estrutural” composto por painéis em perfis leves, com espessuras nominais usualmente variando entre 0,80mm à 2,30mm e revestimento de 180g/m² para áreas não marinhas e 275g/m² para áreas marinhas, em aço galvanizado, projetados para suportar todas as cargas da edificação. A figura 03 ilustra esse conceito.

Já o “Dry-Wall” é um sistema de vedação, não estrutural, que utiliza aço galvanizado em sua sustentação, com espessura nominal de 0,50mm, com necessidade de revestimento de Zinco menor do que o “Light Steel Framing” (média mundial de 120g/m²) e que necessita de uma estrutura externa ao sistema para suportar as cargas da edificação.

Características
O sistema “Light Steel Framing” permite a montagem de edificações para diversos tipos de usos, tais como: residências, escritórios, hospitais, escolas e edifícios. A aplicação desse sistema permite a redução de custo através da otimização do tempo de fabricação e montagem da estrutura (“Steel Frame”), pois permite a execução de diversas etapas concomitantemente, por exemplo, enquanto as fundações são executadas no canteiro de obra, os painéis das paredes são confeccionados em fábrica.

Outra característica inerente ao sistema, é a diminuição do carregamento na fundação, possibilitando um barateamento desta
etapa devido ao baixo peso do estrutura metálica. Por ser composta de elementos que permitem total parametrização e customização dos produtos para as reais necessidades do usuário, o “Light Steel Framing” possui melhor habitabilidade se comparados aos sistemas convencionais.

A necessidade de um projeto detalhado para montagem do “Light Steel Framing” é fator facilitador da auditoria na obra, através do acompanhamento arquitetônico, que permite verificar o cronograma físico-financeiro e a perfeita execução estrutural do sistema.

MERCADO
Atualmente, podemos dizer que o mercado brasileiro técnico, arquitetos e engenheiros, quanto a indústria, empresas que possuem produtos para o “Light Steel Framing”, encontram-se totalmente preparados para o desenvolvimento e crescimento desse sistema construtivo. A preparação do mercado nacional para a chegada do sistema construtivo “Light Steel Framing” passa, necessariamente, por três vertentes de desenvolvimento, são elas: a cadeia produtiva, o agente financiador e a normatização.

A cadeia produtiva é formada por todos as empresas que possuem produtos que são aplicados, direta ou indiretamente, na construção do “Light Steel Framing”, por exemplo, perfil de aço, fechamento interno e externo, parafusos, isolamento térmico e acústico, revestimento externo, esquadrias, instalações e acabamentos.

Para o desenvolvimento de mecanismos adequados para regulamentar o financiamento de construções em “Light Steel Framing”, o CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço) teve um papel de fundamental importância nesse processo. No início do segundo semestre de 2003, o CBCA, representando o setor siderúrgico, juntamente com o SindusConSP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), elaboraram e aprovaram, junto à CEF (Caixa Econômica Federal), um manual, denominado “Steel Framing – Requisitos e condições mínimos para financiamento pela CAIXA”, válido para todo o Brasil, que regulamenta a forma de construção desse sistema.

É importante ressaltar que a normatização, outra importante vertente no desenvolvimento do “Light Steel Framing”, vem sendo fortemente trabalhada de forma a regulamentar a produção dos produtos utilizados nesse sistema construtivo de forma a não conflitar com o Código de Defesa do Consumidor (1990) que, em seu Artigo 39, diz: “É vedado ao fornecedor de produtos e serviços:...colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas...”.

Um exemplo desse esforço foram as recentes publicações das normas NBR6355 (2003) – Perfis estruturais de aço formados a frio e a NBR 14762 (2001) – Dimensionamento de estrutura de aço constituídas por perfis formados a frio. A primeira, padroniza a produção dos perfis de aço e, a segunda, regulamenta os procedimentos para dimensionamento da estrutura de aço, ambas de suma importância para o “Light Steel Framing”.

Conclusões sobre o Sitema Light Framing
O sistema “Light Steel Framing” é a proposta de construção que alia rapidez com o diferencial competitivo técnico, mercadológico e de negócios.

A siderurgia brasileira, juntamente com o apoio do CBCA, vêm trabalhando intensamente no desenvolvimento desse sistema construtivo no país. Podemos citar como exemplo desse esforço a USIMINAS, que buscou, com sua coligada Argentina, SIDERAR, o conhecimento da tecnologia e do desenvolvimento de mercado, além de adquirir expertise nos Estados Unidos e Japão.

Outro passo importante na consolidação do “Light Steel Framing” foi o comprometimento do setor siderúrgico, juntamente, com os demais fabricantes de materiais para o sistema, no desenvolvimento da tecnologia, através do aprimoramento das técnicas construtivas e da aplicação dos materiais para a realidade do mercado brasileiro, além de ações como o desenvolvimento de montadores e o treinamento de arquitetos e engenheiros.


Visite o texto completo em: http://www.cbca-ibs.com.br/downloads/apresent/SteelFramingCBCA.pdf