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Limpeza dos condomínios é ainda mais importante durante a pandemia

Higienizar as superfícies críticas, na frequência adequada e com os produtos corretos é ação de fundamental importância para frear a propagação do novo coronavírus

Publicado em: 18/02/2021Atualizado em: 15/06/2021

Texto: Hosana Pedroso

limpeza de condomínios
A escolha por uma empresa especializada deve considerar se as informações sobre o serviço são técnicas e de fácil compreensão (foto: shutterstock/THINK A)

A crise mundial gerada pelo novo coronavírus fez a população multiplicar a atenção com a higiene, dentro ou fora de casa. Essa preocupação se torna ainda maior nos condomínios residenciais, afinal, existem diversas superfícies nas áreas comuns que podem ser contaminadas e transformadas em foco de transmissão da doença. Para evitar o problema, é mandatória a limpeza realizada de maneira correta e na frequência adequada.

Em meio ao cenário que inspira cuidados, tem crescido a procura por empresas especializadas nesse tipo de trabalho. De acordo com Toni Ketendjian, membro do Conselho Técnico e da Câmara de Prestadores de Serviços da Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), a demanda está aumentando. “Porém, existem ressalvas provocadas por impedimentos financeiros”, complementa.

Muitos profissionais tiveram seus ganhos reduzidos durante a pandemia e alguns ficaram sem salário. “Com isso, as contas dos condomínios estão bem prejudicadas”, diz Ketendjian. Mesmo com a barreira econômica, os administradores se mostram cientes da gravidade da situação e buscam soluções que garantam a desinfecção, partindo das triviais até as mais sofisticadas.

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Pontos críticos

Ketendjian recomenda dar preferência a empresas reconhecidas pela qualidade dos serviços. “Não é necessário optar por uma grife, mas sim por quem tem histórico positivo no mercado”, afirma. A linguagem empregada pela empresa também pode ser utilizada como parâmetro durante a seleção, ou seja, se as informações apresentadas são técnicas e de fácil compreensão.

Entre os detalhes que precisam ser esclarecidos estão o escopo completo do trabalho, os produtos que serão utilizados, a metodologia de aplicação, a eficácia dessas soluções, quanto tempo duram, se deixam ações residuais, entre outros. É importante dedicar atenção máxima aos pontos críticos que podem estar infectados dentro do condomínio e que devem ser muito bem higienizados.

“Todo local onde existe contato manual é um potencial risco”, adverte Ketendjian. Para mapear essas regiões de ameaça elevada, pode ser realizada uma análise visual. Basta observar nas áreas comuns do condomínio os locais em que as pessoas mais encostam as mãos, seja de maneira voluntária ou involuntária. O primeiro a inspirar precauções é o interfone utilizado por quem vem da rua, acionado para falar com o porteiro.

Ao entrar, a pessoa coloca as mãos nos portões e portas pelo caminho. “É preciso atenção especial com portas movimentadas por molas. Muitos empurram a própria folha para abri-la e não utilizam os puxadores. Por isso, toda ela deve ser muito bem limpa e não somente as alças”, ressalta o especialista. Outros elementos que pedem higienização mais atenta são os interruptores de luzes.

“Pesquisas indicam que o elevador é considerado o quarto ambiente onde ocorre maior contaminação, o que exige limpeza constante”, destaca Ketendjian. Há no mercado películas plásticas para serem aplicadas sobre as botoeiras. Esse produto torna a higienização muito mais fácil e evita que líquidos acabem penetrando para os circuitos internos, danificando o sistema.

Pesquisas indicam que o elevador é considerado o quarto ambiente onde ocorre maior contaminação, o que exige limpeza constante
Toni Ketendjian

Muitos condomínios já estão abrindo algumas de suas áreas de lazer, como playgrounds. “Além dos cuidados para evitar aglomerações, é interessante ter um espaço de tempo entre um usuário e outro. Nesse intervalo é feita a higienização”, comenta. A mesma atenção deve existir para as academiais, que são ainda mais críticas, pois, além de tocar nos equipamentos, as pessoas transpiram constantemente.

Produtos de limpeza

Cada condomínio tem a sua própria frequência ideal de limpeza, e o prestador de serviço deve realizar esse cálculo. Nessa equação entram variáveis como o tamanho do empreendimento, a quantidade de moradores e o nível do tráfego nas áreas comuns. Os profissionais devem também especificar qual tipo de produto será utilizado em cada situação, sendo que existem alternativas variadas para lidar com o novo coronavírus.

“Tenho usado muito um produto que associa o quaternário de amônia de quinta geração com o peróxido de hidrogênio. Outros estão utilizando amônia quaternária com uma concentração maior, que também é eficaz. Também é possível empregar água sanitária e desinfetante de uso geral”, enumera Ketendjian, recomendando que o comprador desses materiais dê preferência às soluções institucionais.

“São aquelas que acompanham fichas técnicas e literatura, além de serem certificadas pelas entidades nacionais de saúde. Muitas vezes, produtos de supermercados fazem promessas de marketing e não trazem a eficiência no combate ao coronavírus”, informa, observando que se o produto não tiver especificação técnica para controle de vírus e bactérias, com laudos e fichas, não devem ser utilizados para essa finalidade.

Equipamentos

Cena bastante comum durante a pandemia é a higienização de espaços públicos com pulverizadores, tecnologia que também pode ser aproveitada nos condomínios. Há diversos equipamentos para essa finalidade, como os manuais, costais de pressão manual, a gasolina e elétricos. Independentemente do tipo, eles têm que apresentar bicos adequados que criam uma névoa bem fina para atingir as superfícies que receberão o produto de limpeza.

Ao pulverizar uma área, os substratos lá existentes são umedecidos. Por isso, é necessário fazer a remoção do excesso de umidade logo na sequência. “Sempre lembrando que cada agente de limpeza tem um tempo de atuação. Assim, após a pulverização, o profissional que vem atrás dando acabamento tem que esperar esse período de ação, que normalmente é de dois ou três minutos, de acordo com o que a literatura técnica especificar”, ensina Ketendjian.

Outro método de aplicação é a nebulização, que cria uma névoa no ambiente, atingindo área maior e evitando o acúmulo de umidade. Essa alternativa é recomendada quando existem substratos que não podem ser expostos à umidade, como carpetes e mesas de madeira. De acordo com a Abralimp, não há nenhuma recomendação contrária ao uso de nebulizadores ou pulverizadores. Esse processo é eficaz para aplicação de desinfetantes, principalmente, em locais de difícil acesso, como paredes, tetos, atrás de mobiliários, entre outros.

A proteção do profissional que executa o serviço também é de extrema importância. “Esse trabalhador vai transitar por todas as áreas que passarão por descontaminação, devendo estar extremamente bem paramentado”, afirma Ketendjian. Entre os materiais de proteção estão os macacões impermeáveis, de preferência descartáveis; protetores faciais; máscaras; botas de borracha; e luvas em material condizente e que cubram a fresta com o macacão.

Pós-pandemia

Ketendjian destaca que as pandemias nos trazem uma série de revisões conceituais nas práticas cotidianas. “Na crise do H1N1, em 2009, tiveram início alguns cuidados que adotamos hoje, como algumas pessoas usando máscaras e a obrigatoriedade do álcool em gel nas bancadas de recepções. O novo coronavírus acentuou essas medidas”, afirma. Na prática, mostra que a cultura que vai sendo construída para frear a propagação da Covid-19 deverá ser incorporada pela sociedade.

A pandemia trouxe uma mudança radical na maneira como as pessoas enxergam os perigos de contaminações, não apenas pelo coronavírus, mas por uma série de outros agentes
Toni Ketendjian

“A pandemia trouxe uma mudança radical na maneira como as pessoas enxergam os perigos de contaminações, não apenas pelo coronavírus, mas por uma série de outros agentes. Nunca ninguém falou em alardear em um condomínio se alguém estivesse com sarampo – doença perigosa, principalmente nos adultos, e contagiosa. Como o índice de infecção sempre foi pequeno, as pessoas não davam a devida atenção. Os novos hábitos vieram para ficar. Pode haver uma relaxada ou outra, mas a todo o momento as pessoas se lembrarão que é necessário manter em dia os hábitos de higiene pessoal e ambiental”, conclui Ketendjian.

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Colaboração técnica

Toni Ketendjian – membro do Conselho Técnico e da Câmara de Prestadores de Serviços da Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp).