Limpeza e manutenção de fachada pedem engenheiros alpinistas

Déficit de mão de obra especializada abriu novas frentes de trabalho na construção civil. Mas os engenheiros alpinistas devem atender a uma série de requisitos

Publicado em: 07/05/2014Atualizado em: 15/06/2021

Texto: Redação PE

Os escaladores industriais e engenheiros alpinistas são profissionais especializados com qualidades bem peculiares. Além da excelência de execução de trabalhos como limpeza, instalação de equipamentos e manutenção em fachadas, o ofício exige uma dose extra de coragem, talento e vocação para superar desafios. Hoje, o grau de complexidade operacional e as demandas específicas nos canteiros aumentaram significativamente.

O alpinista profissional que queira atuar nesse setor, além do conhecimento do acesso por corda, deve possuir habilidades técnicas e até mesmo, em alguns casos, formação acadêmica. De acordo com a portaria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), considera-se trabalho em altura “toda atividade executada acima de dois metros do nível inferior, em que há risco de queda”.

O déficit de mão de obra especializada abriu novas frentes no mercado de trabalho, principalmente na construção civil. Para exercer as funções de soldador ou pintor, por exemplo, é exigido apenas um treinamento específico e devidamente regulamentado. Já quando a atividade envolve instalações e operações especiais na construção, além de formação em engenharia, os especialistas recomendam que o candidato possua pós-graduação em segurança do trabalho.

O engenheiro Otávio Contesini, sócio da empresa Sal Engenharia, é um exemplo de como a área tem atraído novos profissionais. Aos 28 anos, atua há doze com o trabalho nas alturas. Ele praticou alpinismo até os 21 anos paralelamente à sua formação em engenharia civil pela Unicamp. “Nossa demanda aumentou bastante nos últimos anos. O que é muito importante ser frisado é a busca de qualificação correta e não misturar os ambientes profissionais com o esporte. Ainda deparamos com muitos ‘escaladores esportivos’, trabalhando inadequadamente no ambiente profissional”, ressalta Contesini. “Hoje temos entre três e quatro equipes simultâneas atuando na instalação de linha de vida e em operações de plantão de resgate, além das atividades de treinamentos, tanto em nossa sede quanto in company”, explica.

Em 2013, a empresa, sediada em Campinas-SP, instalou aproximadamente 3.000 metros de linha de vida (cabo metálico flexível) em mais de vinte projetos. “Já tivemos necessidade de descer em pilares de viadutos para a retirada de corpos de prova e para a análise estrutural do local, onde o único acesso possível era por meio de cordas por cima, sendo que abaixo era floresta. Os desafios operacionais são muitos. Em cada serviço deparamos com uma nova situação”, conta Contesini.

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Segurança é fundamental

Os equipamentos usados pelos engenheiros alpinistas são os mesmos utilizados nas técnicas de acesso por cordas: cinto para trabalho suspenso, assento de suspensão, ascensor ventral, ascensor de punho, estribo, cordas (de 10 a 12 milímetros), fitas e anéis de ancoragem, estropos, protetores de corda, descensor do tipo ID, capacete com jugular de três pontos, mosquetões e malha rápida delta.

Os principais riscos do trabalho em altura na construção civil são os físicos: quedas, choques elétricos, mutilação, esmagamento, escoriações, hipertermia e hipotermia, entre outros. Em áreas industriais, os alpinistas são suscetíveis à contaminação química e biológica. “Os procedimentos de segurança são de suma importância e devem ser de conhecimento geral, devem conter plano de resgate, com indicação do pessoal qualificado para sua execução, além de descrever o mais detalhado possível, tudo o que será feito na atividade, antes, durante e depois dela”, relata Contesini.

A portaria do MTE define responsabilidades que cabem ao empregador e aos trabalhadores, assim como parâmetros para capacitação e treinamento. De maneira geral, todos os envolvidos têm responsabilidade sobre o acidente, direta ou indiretamente, seja por falha na execução, seja por falha na fiscalização.

“De maneira sucinta, o engenheiro responsável pelo serviço (execução e liberação) responde no primeiro momento. A construtora, que tem a obrigação, junto ao seu serviço de segurança do trabalho, de fiscalizar todo serviço realizado em sua obra, também pode ser responsabilizada (responsabilidade solidária)”, explica o engenheiro da Sal Engenharia.

No caso da empresa de Campinas, não é utilizado um contrato específico. “O que fazemos é, durante a elaboração do contrato, na cláusula de serviços, descrever bem a atividade a ser feita e os riscos inerentes a ela. Junto a isso, temos documentados a análise preliminar de risco da atividade, os procedimentos de execução e de resgate e o diálogo de segurança. E, ainda, temos seguro de responsabilidade civil e de vida. Toda documentação deve ser arquivada para que, em caso de acidente, tudo esteja documentado, e as causas e os responsáveis possam ser identificados corretamente”, finaliza.

Saiba mais:

Entre as categorias júnior, sênior e pleno, um engenheiro civil ganha em média 7.500 reais por mês. Um engenheiro alpinista costuma ganhar 30% a mais que o valor pago normalmente.

Pré-requisito:

Ser maior de 18 anos

Não ter medo de altura – Acrofobia

Gozar de boa saúde física e mental

Fonte: International Training Center – http://bit.ly/1fN0zYW
Portaria NR 35: http://bit.ly/LuP0HB