Locação de máquinas e equipamentos de obra deve crescer em 2015

Na visão do presidente da ALEC, lançamentos imobiliários e novas entidades voltadas a máquinas e equipamentos impulsionam mercado para o próximo ano

Publicado em: 09/01/2015Atualizado em: 10/12/2019

Texto: Redação PE



Após longo período de turbulência e insegurança, o setor de locação de equipamentos deve retomar seu ritmo em 2015. Essa é a visão do presidente da ALEC – Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis, engenheiro Fernando Forjaz. Ele acredita que o mercado deve voltar a realizar lançamentos imobiliários para atender à demanda por residências e edifícios.


Na entrevista, Forjaz fala sobre a fundação do Sindileq-SP, o Sindicato dos Locadores de Equipamentos, Ferramentas e Serviços para Construção Civil do Estado de São Paulo, uma importante conquista da associação. Ele ressalta também que o setor de locação tem muito a crescer.


“Equipamentos da linha amarela e de pequeno porte locados pelos setores de energia, combustíveis, infraestrutura, indústrias, habitação, transporte, saneamento têm um potencial de faturamento estimado entre 6,0 a 7,43 bilhões de dólares.Em todos esses segmentos a locação agiliza os resultados.”


Portal dos Equipamentos - Conte sobre o Sindileq?


Fernando Forjaz - Além de termos conseguido aprimorar a organização da ALEC no estado de São Paulo, fundamos o Sindileq-SP que é o Sindicato das Locadores de Equipamentos, Ferramentas e Serviços para a Construção Civil do Estado de São Paulo. Esse sindicato será a entidade que vai defender os interesses dos locadores de equipamentos de pequeno porte.


PE - Qual o perfil atual da ALEC e do mercado de locação de equipamentos que ela atua?


Forjaz - A ALEC desenvolve um trabalho focado nas locadoras de equipamentos leves. Nossos associados são empresas de pequeno e médio porte, mas também contamos com a presença de grandes redes de locadoras.


PE - Qual o percentual das vendas de equipamentos é destinado o setor de locação?


Forjaz - Essa pergunta é muito abrangente. Se considerarmos os equipamentos de compactação de solos, mais de 80% da fabricação é destinada ao mercado de locação. Ferramentas elétricas estão no patamar aproximado de 60%. Betoneiras representam 35 a 40%.


PE - Quais tipos de equipamentos há mais demanda de locação entre os associados da ALEC atualmente?


Forjaz - Os equipamentos para içamento de carga vertical em prédios, balancins, ferramentas elétricas, assim como para corte e acabamento de pisos de concreto, betoneiras, motobombas para drenagem de obras.


PE - Qual é o perfil do locador de equipamentos no Brasil?


Forjaz - O locador de equipamentos é uma pessoa que busca solução rápida para atender sua necessidade na obra. Ele costuma pagar pelo tempo utilizado e não investe na compra de ativos.


PE - Qual o perfil das empresas associadas a ALEC?


Forjaz -São empresas extremante profissionais que investem em treinamento e aprimoramento de suas equipes para atender à demanda da construção civil. Muitas desses negócios são familiares e possuem um trabalho diferenciado. Ao se associarem a ALEC, elas tem acesso a informações importantes de gestão comercial e administrativa que possibilitam crescimento nos empreendimentos.


PE - Quais dificuldades uma empresa do setor de locação enfrenta hoje? Gestão? Tributos? Mão de obra?


Forjaz - A falta de mão de obra qualificada é a principal. As oscilações do mercado da construção afetam os negócios dessas empresas, pois nessas condições, há dificuldade de planejamento para investir em renovação da frota de equipamentos.


PE – Qual é o tempo sugerido para renovação de frota e disponibilizar novos equipamentos para locação?


Forjaz - Varia bastante. Uma betoneira, por exemplo, tem vida útil de três a cinco anos, dependendo dos cuidados de manutenção. Um compactador de solos pode atingir de cinco a sete anos. Uma ferramenta elétrica tem uma vida útil de três a quatro anos. É importante salientar que a vida útil é sempre maior do que a vida comercial que está condicionada ao lançamento de equipamentos com maior avanço tecnológico.


PE - De acordo com o estudo de mercado apresentado recentemente pela Sobratema, a atividade da construção continuará arrefecida pelo menos até o final do primeiro semestre de 2015. Quais as perspectivas entre os associados da Alec?


Forjaz - Na visão da ALEC/ Sindileq-SP, o ano de 2015 vai ter um incremento de faturamento nas empresas de locação dos equipamentos leves que é nosso foco de atuação. O estudo da Sobratema é abrangente e focado nas grandes obras e nos equipamentos da linha amarela, que são as máquinas rodoviárias, tratores, escavadeiras etc.


O ano passado foi muito turbulento e agora no final ficou mais agitado com o assunto Petrobras. Apesar de toda essa turbulência, os associados da ALEC/ Sindileq-SP tiveram um crescimento de 30 a 35% em relação a 2013.


PE- Há algumas linhas de equipamentos menos prejudicadas com a falta de grandes obras?


Forjaz - Alguns equipamentos possuem aplicação temporária para determinada demanda na obra. As motobombas, por exemplo, terão maior procura em períodos de chuvas. Ferramentas elétricas já são de aplicação constante nas fases de uma obra, seja na execução da alvenaria, na instalação elétrica e hidráulica, como no acabamento final. Máquinas de terraplenagem são utilizadas na correção dos terrenos dos empreendimentos imobiliários também. Com a retração no lançamento imobiliário em 2014, além das máquinas de terraplenagem, diversos equipamentos sentiram o problema. Ocorreu um aumento da oferta com a consequente queda de preços. Essa queda pode provocar um retardamento dos investimentos em novos equipamentos.


PE – Quais são as perspectivas para o mercado em 2015?


Forjaz - O “Alugar Brasil” e a “Feloc Expo Rental 2015” serão realizados em 6 e 7 de maio. A Feloc cresceu e para atender à demanda de mercado acontecerá em Atibaia, numa área maior e com exposição externa para demonstrações de equipamentos. Na edição de 2014, realizada em São Paulo, a feira contabilizou 900 participantes provenientes de 16 estados do Brasil.


O estado de São Paulo é imenso e temos varias regiões que serão sede do Alugar Regional: Santos, São Jose dos Campos, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Mogi das Cuzes e ABC paulista (Santo André, abrangendo São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá e São Caetano do Sul).



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Engenheiro Fernando Forjaz – Presidente da ALEC – Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis