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Madeiras resinosas devem ser tratadas com fundo isolante

Das esquadrias às tesouras do telhado, são vários os itens da construção que empregam madeiras que eliminam resina para a superfície. Para evitar danos ao acabamento, elas devem ser tratadas

Publicado em: 19/08/2021Atualizado em: 21/09/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Madeiras resinosas
A não aplicação de fundo isolante em madeiras resinosas pode acarretar transtornos e retrabalhos em uma obra
(Foto: photowind/Shutterstock)

Madeiras resinosas são aquelas que retêm óleos naturais em suas fibras, também chamados de ipeína. “A eliminação dessas resinas pode causar demora na secagem e ocasionar manchas na madeira, interferindo com o resultado estético e a durabilidade do acabamento”, diz José Evangelista Ramos, consultor de Treinamento Técnico da AkzoNobel.

A eliminação dessas resinas pode causar demora na secagem e ocasionar manchas na madeira, interferindo com o resultado estético e a durabilidade do acabamento
José Evangelista Ramos

Kelly Lima, especialista em madeira na Montana Química, elenca os tipos resinosos mais utilizados na construção civil: ipê tabaco, também conhecido como pau d´arco; cumaru, ou ipê-champanhe; pinus, que possui bolsas de resina nas áreas dos nós; peroba; angelim; itaúba; grápia ou garapeira, entre outras.

“Essas madeiras são utilizadas em itens como caixilharia e madeiramento aéreo nas aplicações de tesouras, vigas e estruturas de telhado. O ipê tabaco e o cumaru são amplamente empregados para decks de piscina e painéis. Já a peroba, normalmente de demolição, é uma das preferidas em projetos que contemplam um design mais rústico”, explica Lima.

Tratamento da madeira com fundo isolante

De acordo com Ramos, a solução para o tratamento das madeiras resinosas é a aplicação de fundo isolante, que evita a migração da resina para a superfície. “É recomendado aplicar de duas a três demãos do fundo isolante, com intervalos mínimos de secagem de duas horas, sempre após o lixamento inicial”, detalha. Lima complementa, alertando que o número de demãos tem relação direta com o tipo de acabamento e sua tonalidade, além da exposição da madeira em área interna ou externa.

A aplicação do isolante é feita com trincha para facilitar a sua absorção. “É muito importante que a madeira esteja seca, crua, limpa e previamente lixada, pois, uma vez aplicado o isolante, o lixamento anularia o seu efeito”, reforça a especialista, lembrando que devem ser feitas, previamente, as devidas correções com massa para madeira quando existirem fissuras ou pequenas trincas.

Segundo Kelly Lima, quando a madeira for receber stains, normalmente o fundo isolante deve ser aplicado nas peças que ficarão tanto no ambiente interno como fora de casa. No entanto, se os acabamentos forem os vernizes, a aplicação do isolante é indicada apenas para itens de área interna. “A tecnologia dos vernizes cria uma barreira que impede a ação dos extrativos da madeira, dispensando o uso do isolante”, ensina.

Independentemente de o isolante ser de base água ou de base solvente, o desempenho é similar na retenção dos extrativos da madeira. “O aspecto incolor ou leitoso do fundo isolante para a versão de base água não interfere na aparência natural da madeira”, indica Lima. Ramos ressalta que além de manter a beleza natural da madeira, o produto realça suas características quando utilizado em acabamentos transparentes ou como acabamento em superfícies internas.

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Importância do uso do fundo isolante

No caso da aplicação de stains, quando a etapa de preparo não inclui o uso de isolante, é normal acontecer o desbotamento da cor do acabamento em pouco tempo
Kelly Lima

Ambos os especialistas advertem que a não aplicação de fundo isolante em madeiras resinosas pode acarretar transtornos e retrabalhos em uma obra, ou mesmo em uma simples manutenção. Ocorrerá retardo da secagem do acabamento, manchas ou, ainda, a diminuição da durabilidade do acabamento. “No caso da aplicação de stains, quando a etapa de preparo não inclui o uso de isolante, é normal acontecer o desbotamento da cor do acabamento em pouco tempo”, exemplifica Kelly Lima.

José Evangelista Ramos fala que, mesmo no procedimento de manutenção ao longo do tempo, a utilização do fundo isolante na madeira resinosa é essencial. “A madeira deve ser preparada com a remoção de todo acabamento, antes de seguir com o processo, como ocorre com uma madeira nova”, finaliza.

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Colaboração técnica

José Evangelista Ramos
José Evangelista Ramos – Tem vasta experiência na aplicação de produtos. Iniciou suas atividades na AkzoNobel em 1997, no Departamento Técnico da AkzoNobel, onde é consultor de Treinamento Técnico.
Kelly Lima
Kelly Lima – Formada em marketing pela Universidade Santo Amaro – Unisa (2009). Tem experiência de 22 anos no segmento de construção civil, sendo 19 deles na área de tratamento e preservação de madeiras. Na Montana Química desde 2002, é Analista de Relacionamento e Especialista em Madeira.