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Manual do IPT ensina a captar água da chuva

De acordo com orientações do Instituto de Pesquisas Tecnológicas é fundamental realizar o descarte da primeira água recolhida e a filtração para remoção de sólidos mais grosseiros

Publicado em: 11/05/2015

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Motivados pela crise hídrica e com experiência em pesquisas com água de chuva desde o ano de 2000, o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas – lançou um manual para captação emergencial e uso doméstico do líquido. “Com a crise hídrica, começamos a ver publicadas muitas informações erradas sobre o tema ou soluções equivocadas como se fossem grandes ideias. Portanto, como Instituto de Pesquisa, participantes e comentadores de políticas públicas, é nossa função alertar a população quanto à maneira correta de captar a água”, afirma Luciano Zanella, pesquisador do IPT, doutor em engenharia sanitária e autor do manual.

O manual explica todos os procedimentos – desde a captação até a utilização, passando pela filtragem e armazenamento da água. E ainda destaca os principais cuidados indispensáveis durante a captação e o aproveitamento. “É imprescindível prestar atenção ao lugar em que a água de chuva será recolhida. Em áreas urbanas, ela entra em contato com poluentes do ar e com as superfícies onde a chuva cai – telhados, piso e até as folhas de árvores – e arrasta consigo esses poluentes”, alerta Zanella.

“Assim, é fundamental realizar o tratamento mínimo, que é o descarte da primeira água recolhida, fazer a filtração para remoção de sólidos mais grosseiros, armazená-la corretamente e usá-la da forma indicada. O armazenamento correto é muito importante para evitar a proliferação do mosquito da dengue, além de acidentes envolvendo crianças que, podem subir para ver o barril com água e acabar caindo dentro do reservatório”.

É fundamental realizar o tratamento mínimo, que é o descarte da primeira água recolhida, fazer a filtração para remoção de sólidos mais grosseiros, armazená-la corretamente e usá-la de forma indicada
Luciano Zanella

De maneira geral, essa água acumulada deve ser usada para regar plantas, lavar piso, janela, carro, dar descarga em vaso sanitário, limpar a sujeira dos animais, tomar banho e lavar louças e roupas.

POSSO BEBER ÁGUA DE CHUVA?

Não. Há um capítulo no manual dedicado a alertar a população sobre o fato de que esta não é uma água potável, portanto, não deve ser consumida ou usada para cozinhar. Por lei, o uso deve-se restringir ao serviço de abastecimento, que garante o padrão de potabilidade, atendendo a certos requisitos, sem oferecer risco para o seu uso mais nobre: beber. “A água de chuva coletada em casa não é avaliada segundo esse padrão, ou seja, não é potável. Mesmo que pareça limpa, falta a ela qualidade garantida”, expõe.

Entretanto, em casos de emergência, quando não há outra fonte de melhor qualidade, o manual do IPT explica os procedimentos para consumi-la. “Se houver uma água comprovadamente melhor, é indicado que esta seja consumida. Esse é o procedimento mais indicado porque, mesmo depois de filtrar a água da chuva, fervê-la por três minutos e aerá-la, não há garantia que ela esteja 100% pronta para o consumo, dentro do padrão de potabilidade”, diz o pesquisador.

A instalação para a coleta e aproveitamento da água de chuva sugerida no manual pode ser feita por uma dona de casa. É bastante simples. Um encanador que realiza serviços em residência consegue fazer a instalação tranquilamente
Luciano Zanella

Como esta água pode ser captada de diversos lugares, é impossível garantir que todos farão a captação da forma mais correta possível. “O melhor é usar o princípio da precaução”, aconselha Zanella, insistindo que o consumidor realize os tratamentos indicados no manual para que a água da chuva obtenha as características sanitárias mínimas e possa ser consumida em caso de emergência.

SISTEMA

De acordo com o doutor em engenharia sanitária, o manual não fixa os tipos de instalação que podem ser feitos para a coleta e aproveitamento da água de chuva, mas sim os passos que devem ser seguidos. “Os custos podem variar muito. É possível fazer uma instalação absolutamente caseira, comprando somente o mínimo possível, ou investir em um sistema sofisticado. O custo varia de acordo com o que a pessoa escolher para usar. O manual não tem a pretensão de engessar o sistema, de dizer faça com esses componentes, mas, sim, faça com base nessas preocupações”, esclarece.

Ele reforça ainda que a mão de obra especializada é dispensável na hora de construir o sistema de coleta e aproveitamento. “A instalação para a coleta e aproveitamento da água de chuva sugerida no manual pode ser feita por uma dona de casa. É bastante simples. Um encanador que realiza serviços em residência consegue fazer a instalação tranquilamente”.

O manual para captação emergencial e uso doméstico de água de chuva pode ser acessado gratuitamente, por qualquer pessoa, no site do IPT pelo link http://migre.me/p6wJT

Colaborou para esta matéria

Luciano Zanella – Pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT. Professor dos programas de Mestrado em Habitação e em Processos Industriais do IPT. Doutor em Engenharia Civil na área de Saneamento e Ambiente pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Engenharia Civil na área de Saneamento e Ambiente pela UNICAMP. Engenheiro Civil pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP – Guaratinguetá). Atua nas áreas de saneamento ambiental e uso racional da água.