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Manutenção de brises depende da matéria-prima usada no sistema

Metálica, de madeira ou vegetal, solução demanda cuidados específicos para atingir vida útil longa. A seguir, conheça as particularidades de cada opção

Publicado em: 07/10/2019Atualizado em: 18/11/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Para cada tipo de material empregado na fabricação de brises há um procedimento próprio de manutenção, que precisa ser executado com frequência a fim de garantir a longa vida útil (foto: David JC/Shutterstock)

Os brises bloqueiam a passagem de raios solares para dentro da edificação, colaborando para o conforto térmico do empreendimento. Evitam, também, o ofuscamento da visão de quem está no ambiente interno e compõem o design da fachada. Disponível em modelos distintos, o sistema se adequa às mais variadas geometrias, podendo ser especificado para qualquer tipo de projeto.

Além das formas diversas, os brises também se diferenciam em função da matéria-prima empregada em sua fabricação. Os mais comuns são os metálicos e os de madeira, enquanto o brise vegetal tem o apelo da sustentabilidade. Para cada tipo de material há um procedimento próprio de manutenção, que precisa ser executado com frequência garantir a longa vida útil. Saiba mais a seguir.

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Brises metálicos: limpeza periódica

Produzido em alumínio ou aço, o brise metálico recebe pintura poliéster que o protege dos raios solares
José Filipe Faro Rocamora

“Produzido em alumínio ou aço, o brise metálico recebe pintura poliéster que o protege dos raios solares”, conta José Filipe Faro Rocamora, sócio da Lumibrise. Com o passar do tempo, pode ocorrer uma pequena redução na escala de cor. Esse leve desbotamento não chega a exigir a renovação do revestimento. “Ele é projetado para durar bastante. Existem obras com mais de 30 anos que permanecem intactas”, complementa.

Para manter o visual original, a solução demanda apenas uma limpeza periódica, que pode ser anual ou semestral dependendo da região onde está o empreendimento. “A retirada da sujeira deve ser feita somente com água e sabão neutro, procedimento bastante simples”, comenta Rocamora.

Usando esponja ou pano macio, a camada mais grossa de impurezas é retirada. Na sequência, basta enxaguar com água e deixar secar naturalmente. “É uma lógica parecida com a lavagem de automóveis. A esponja não pode ser áspera, pois poderá riscar a pintura”, compara Rocamora, mencionando que todos os modelos de brises têm abertura que permite o acesso entre os vãos para realização da limpeza.

A higienização manual com esponja ou pano não é a única alternativa. “Em nossos manuais, indicamos os equipamentos de alta pressão. No entanto, o jato d’água não deve ser direcionado e sim no formato de spray. Jatos muito fortes têm potencial de danificar a pintura do brise”, destaca o engenheiro Dennis Squilante, gerente Nacional de Produtos Arquitetônicos da Hunter Douglas. O uso do equipamento elimina a necessidade do sabão neutro.

De acordo com Rocamora, a poeira vai reduzindo a pigmentação da pintura caso não seja retirada, principalmente, nas cores mais fortes. “O trabalho pode ser executado por empresas que limpam fachadas, não é necessária mão de obra especializada”, diz. Antes de realizar a tarefa, o prestador de serviço deve se certificar se determinado produto pode ser empregado. “Por exemplo, os ácidos devem ser evitados porque descascam a tinta”, fala.

Durante a limpeza, não é necessário verificar o estado dos elementos de fixação do sistema. Isso porque quando as empresas projetam e instalam os brises, a estrutura é preparada para suportar ventos muito fortes. “Tudo é sempre muito superdimensionado”, ressalta Rocamora. “Esse cuidado vale somente em situações bastante atípicas, como quando ocorrem intempéries extremamente intensas”, completa Squilante.

Brises de madeira: lixamento e verniz

A madeira aproveitada nos brises é previamente tratada para a fabricação do sistema, sendo preparada para permanecer em ambientes externos. Porém, como estará constantemente em contato com a poluição atmosférica, é comum o acúmulo de partículas em sua superfície. “Esse tipo de brise demonstra de maneira bem clara que precisa de uma limpeza, pois a sujeira fica perceptível”, afirma Squilante.

As impurezas embranquecem a madeira e, quando isso acontece, é sinal de que a manutenção deve ser realizada. No entanto, diferentemente dos brises metálicos, não basta apenas usar água. “É até possível tentar retirar a sujeira com água, mas será uma limpeza superficial e que não trata o problema a fundo. Na verdade, acaba somente adiando o procedimento mais adequado”, informa o gerente da Hunter Douglas.

A correta limpeza dos brises de madeira consiste no lixamento para retirada de sua camada mais superficial, ação que extrai o material que se decompõe sobre elas. Porém, ao realizar essa ação, o verniz que protege a madeira também acaba sendo removido. “Por isso, é indicado passar novamente o produto para finalizar a manutenção”, indica Squilante.

Esse procedimento deve ser realizado uma vez por ano ou semestralmente, também dependendo da agressividade do ambiente. Outro cuidado para manter a longa vida útil desses brises é evitar a aplicação de produtos abrasivos, que danificam a madeira. Antes de usar qualquer substância diferente visando limpar a estrutura, o fabricante do sistema tem que ser consultado.

O lixamento e aplicação do verniz são tarefas que empresas de manutenção de fachadas estão aptas a realizar
Dennis Squilante

“O lixamento e aplicação do verniz são tarefas que empresas de manutenção de fachadas estão aptas a realizar”, informa Squilante. A verificação da situação dos elementos de fixação segue a mesma recomendação dos brises metálicos: somente se realizada depois de dias com ventos ou chuvas muito fortes, capazes de arrancar telhados de edificações vizinhas e derrubar árvores.

A manutenção de brises de madeira gera mais trabalho do que os metálicos. Entretanto, é possível conciliar em uma única estrutura a limpeza simplificada de uma solução com a bela aparência visual da outra. “O mercado oferece brises metálicos com acabamento que simula a madeira”, afirma Squilante. “Há uma grande tecnologia de pigmentação atualmente, que permite alcançar o aspecto visual do aço corten ou de outros materiais”, comenta Rocamora.

Brise vegetal: cuidados com a irrigação

O brise vegetal traz todas as vantagens das alternativas tradicionais, além do benefício do design biofílico — tendência de tornar as cidades amigáveis ao ser humano. “É preferível e confortável trabalhar em um prédio com vista mais ‘verde’ do que ter diversas outras edificações cheias de cinza ou vidros compondo a paisagem”, afirma o engenheiro João Manuel Linck Feijó, sócio da Ecotelhado.

É preferível e confortável trabalhar em um prédio com vista mais ‘verde’ do que ter diversas outras edificações cheias de cinza ou vidros compondo a paisagem
João Manuel Linck Feijó

As plantas que compõem o sistema captam as micropartículas de poluição existentes na atmosfera e fazem a filtragem, resultando em um ar mais limpo entrando pelas janelas. “A solução proporciona ainda sensação de vida e aumenta o convívio com a natureza. É possível, por exemplo, um pássaro pousar na estrutura e fazer seu ninho”, afirma Feijó. Sua instalação é simples e pode ser usada em qualquer tipo de edificação.

A manutenção consiste, basicamente, em garantir que a vegetação receba a quantidade adequada de água. “A irrigação é automatizada e o usuário deve ter atenção somente se o sistema está em funcionamento. Afinal, podem ocorrer entupimentos ou faltar água em algum momento”, indica Feijó. Caso as plantas comecem a murchar, é sinal de que podem existir problemas com a irrigação.

A quantidade ideal de água varia conforme o tipo de vegetação empregada. A observação diária das condições da espécie é o suficiente para saber se as plantas estão sendo corretamente irrigadas. “Também é possível integrar outros sistemas sustentáveis com esse tipo de brise, como os de recuperação de águas cinzas ou de captação e aproveitamento dos volumes pluviais”, diz Feijó.

O responsável pela edificação consegue trocar o tipo de planta utilizado no brise. Essa tarefa pode ser realizada tanto pelo próprio ocupante do empreendimento quanto por mão de obra terceirizada. Em alguns casos, a espécie escolhida não se adapta ao ambiente e, quando isso acontece, deve ser feita a substituição. Um paisagista pode ser consultado no momento de escolher a vegetação ideal para cada situação.

Como em um jardim, existe a possibilidade de alguma doença ou certas pragas atacarem as plantas. Quando isso acontece, é recomendado consultar um profissional habilitado, como engenheiros agrônomos, para avaliar a situação e indicar qual remédio a ser adotado. “Se devidamente cuidada, a vegetação tende a permanecer perene. Além disso, não é necessária limpeza frequente como nos demais sistemas”, finaliza Feijó.

Leia também: Como especificar brises pré-fabricados de acordo com a incidência solar?

E mais: acesse o site da Galeria da Arquitetura e confira projetos arquitetônicos que utilizam brises

Colaboração técnica


José Filipe Faro Rocamora — Formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo. É sócio da Lumibrise, empresa em que é responsável por Vendas e Marketing.

Dennis Squilante — Graduado em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia Mauá, com MBA em Marketing e Gestão de Pessoas pela ESPM. Atua na construção civil há 16 anos, com experiência anterior nos mercados de automação e equipamentos de grande porte, onde trabalhou por cerca de oito anos. Tem passagens pelas empresas Elevadores Otis e Alcan, antes de ingressar na Hunter Douglas, onde está há 11 anos. Atualmente, ocupa o cargo de gerente Nacional de Produtos Arquitetônicos.

João Manuel Linck Feijó — Formado em Engenharia Agronômica pela UFRGS, empresário da construção civil e um dos sócios da empresa Ecotelhado. Criou e incentivou soluções em infraestrutura verde urbana como instrumento eficaz do aumento da biodiversidade. Atua ativamente em eventos nacionais e internacionais, como palestrante convidado no Congresso Internacional em Toronto, em 2009; no Congresso Mundial de Azoteas Verdes no México, em 2010; na Ekotectura 2011, em Bogotá; no World Green Infrastructure Congress, na França, em 2013; entre muitos outros.