Máquinas e equipamentos de construção são alvos de roubo

Fazer o seguro de máquinas e equipamentos – como gruas ou guindastes – é necessário, considerando inclusive a probabilidade de acidentes

Publicado em: 08/04/2015Atualizado em: 16/11/2022

Texto: Redação PE

Os equipamentos de construção pesada estão aparecendo com mais frequência nas manchetes policiais. Embora não existam estatísticas oficiais, dezenas de máquinas são roubadas anualmente nos canteiros de obras brasileiros por quadrilhas especializadas nesse tipo de crime.

Segundo informações levantadas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil do estado de São Paulo, os grupos são conhecedores da aplicação desses equipamentos e da rentabilidade que eles geram no mercado. As quadrilhas atuam principalmente em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará.

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Esses roubos são feitos por encomenda. Os ladrões não guardam a máquina em estoque e roubam para entregar e receber o valor de imediato. Normalmente os equipamentos são enviados para os outros estados com nova documentação. As plaquetas de máquinas como escavadeiras, por exemplo, são fáceis de serem removidas e adulteradas. Tudo funciona com forjada normalidade e a fiscalização rodoviária sequer percebe que se trata de roubo.

A função de cada membro da quadrilha

As quadrilhas mais profissionais contam com pelo menos oito integrantes, cada um com funções bem definidas. Os chefes geralmente têm empresas de revenda de equipamentos usados ou de prestação de serviço de terraplenagem e locação em regiões bem distantes dos locais onde os delitos são cometidos, para não serem descobertos.

Um integrante pesquisa as máquinas a serem roubadas nos canteiros de obras, empresas de terraplenagem e construtoras. Outro membro do grupo identifica os alarmes e rastreadores para desativá-los. Há também a pessoa encarregada de preparar a documentação falsa do equipamento roubado e, finalmente, os assaltantes que rendem (ou até subornam) os seguranças e efetuam o roubo.

De acordo com o DEIC, algumas pessoas passam em locais onde um roubo está em andamento, porém, não identificam a ação por parecer um trabalho rotineiro de desmobilização: a carreta prancha encosta, carrega a máquina e leva embora.

“Nada fica sob suspeita pois o vigia geralmente é rendido e fica amarrado em algum lugar”, alerta o diretor da Metragem, César Augusto Madureira. “Quando a máquina é enviada para trabalhar em outro estado também não desperta desconfiança, porque é incluída na frota com outros equipamentos”, diz.

Retroescavadeiras encontradas num matagal

César acumula várias ocorrências de roubos na sua frota e, no final de 2014, teve uma retroescavadeira roubada. Ela trabalhava numa obra em Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo, quando um grupo armado rendeu o segurança, levou a retro e outros equipamentos menores.

A polícia recebeu a denúncia de que dois equipamentos estavam estacionados num matagal em uma rua na cidade de Taboão da Serra, a 19 quilômetros de Itapecerica. “Quando os policiais chegaram ao local, só encontraram a minha retroescavadeira com a bateria removida. Já a outra máquina não estava mais lá”, conta César.

O diretor da Saluter Terraplenagem, Vanderlei Cristiano, teve uma minicarregadeira roubada há poucas semanas, também numa obra em Itapecerica da Serra. Ele teve a sorte do ladrão – provavelmente inexperiente nesse tipo de crime – não ter desativado o rastreador do equipamento.

“Identifiquei pelo rastreador o local que a máquina estava e avisei a polícia. Eles disseram que enviaram uma viatura para fazer buscas, embora eu não tenha visto”, disse Cristiano, que observava o movimento no local. “No dia seguinte pela manhã retornei ao ponto indicado e vi uma viatura passando em frente. Eu os alertei novamente. Os policiais invadiram a propriedade e apreenderam a máquina e outros equipamentos roubados”, conta.

César, da Metragem, lembra outra situação em que conseguiu evitar o roubo de duas retroescavadeiras que trabalhavam em uma obra na região da Lapa, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Quando as máquinas estavam paradas, ele retirava os fusíveis como prevenção. “Os ladrões chegaram com um caminhão cegonha, renderam o vigia, mas não conseguiram levá-las”, diz.

Para ele, retroescavadeiras e escavadeiras são muito visadas pelas quadrilhas. “Não há roubo de guindastes por serem grandes, pesados e lentos para fuga. Os caminhões mais visados são os muncks, por serem equipamentos bifuncionais”, explica.

Seguro: mal necessário ou proteção indispensável?

Alguns proprietários de equipamentos estão queixosos quanto aos valores dos seguros e alegam que atualmente a receita está baixa devido à falta de obra. Apenas 30% da frota está em atividade e muitos locadores não estão renovando as apólices. “O preço está cada vez mais alto devido aos sinistros”, diz Cristiano.

O diretor da Monteli Seguros, Luiz Carlos Monteli, mostra que mesmo quando os equipamentos não correm risco de roubo, como uma grua ou guindaste, deve-se pensar na probabilidade de acidentes e nos riscos decorrentes de causa externa e furtos qualificados. “Existem coberturas de responsabilidade civil e até seguro de crédito, para o prestador de serviço receber o pagamento contratual em situações de inadimplência”, reforça.

Para as empresas com muitos equipamentos na frota, ele sugere o LMI (Limite Máximo de Indenização) para assegurar toda a frota estipulando-se um valor devido ao risco pulverizado, já que nem todas as máquinas estão sujeitas a um sinistro em conjunto. “Por exemplo, se o cliente tem uma frota com valor ativo total de 10 milhões de reais, dependendo da negociação poderá assegurar um percentual de 30% a 40% desse valor e ter todo o seu ativo coberto”, diz.

Nesse momento difícil em que a quantidade de roubos sobe e o trabalho é escasso, resta a segurados e seguradoras terem uma negociação mais flexível para evitar prejuízos e manterem a integridade dos equipamentos. A queda na rentabilidade pode, inclusive, instigar empresas criminosas do ramo de máquinas encomendarem roubos e concorrer no mercado. Além disso, conhecer o perfil das quadrilhas dá subsídios para se cobrar atuação mais efetiva da polícia nas investigações.

Colaboraram para esta matéria

DEIC – Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo
 
César Augusto Madureira – diretor da Metragem
 
Vanderlei Cristiano – diretor da Saluter Terraplenagem
 
Luiz Carlos Monteli – diretor da Monteli Seguros