Mármore: conheça os tipos, onde usar e cuidados no assentamento

Conheça os tipos de mármore, os acabamentos que podem receber e as vantagens e desvantagens dessa nobre rocha

Publicado em: 07/12/2023

Texto: Hosana Pedroso

Peças de diferentes tipos de mármoreO mármore é aplicado desde pisos até cubas (Foto: teekawat/Adobe Stock)

Importado ou nacional, o mármore é rocha que, depois de tratada, aplica-se a projetos de arquitetura, desde piso e parede a bancadas de banheiro e cubas. No Brasil, as principais jazidas estão em Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo, porém, em menor número do que as de granito.

É inevitável comparar essas duas pedras ornamentais, em vários aspectos técnicos e de uso. “O mármore é mais frágil, o que determina sua menor resistência a riscos. Por ser poroso, absorve gordura e mancha em contato com alguns alimentos”, diz o engenheiro Mario Sergio Montemurro, sócio proprietário da Potenza Mármores.

Leia também:

Conheça as diferenças entre mármore natural e sintético

Tipos de mármore

A beleza do mármore é única, principalmente no tipo mais caro e raro que é aquele integralmente branco. Esse é o tom dos elementos que constituem a rocha, com veios e desenhos criados por impurezas naturais.

Entre os mármores brancos, destacam-se as versões Carrara, Pighês, Calacata, Thassos, Polaris, Perlino e Moura. Há, no entanto, pedras de tons e padrões de veios variados, dependendo do país de origem. São grupos com denominações referentes às cores:

  • Travertino, Crema Marfil e Botticino – Bege;
  • Ônix – Cinza;
  • Marrom Imperador – Marrom;
  • Nero Marquina e Nero Portoro – Preto;
  • Cristallo, Rosso Alicante e Rosa Imperial – Rosa;
  • Napoleon Bordeaux e Coralito – Vermelho;
  • Rosso Lepanto – Roxo;
  • Verde Guatemala, Verde Alpi e Verde Rajastan – Verde.
Ambiente com piso de mármoreO mármore tem beleza única (Foto: starush/Adobe Stock)

Montemurro comenta que o Carrara é o mais resistente entre todos. Já o Nero Marquina é tão poroso que, num lavatório, vai manchando ao longo do tempo. Para evitar, é preciso impermeabilizar com hidro óleo fugante em períodos curtos, entre seis e 12 meses.

O mármore mais utilizado aqui e no exterior é o Travertino, encontrado nas versões romano clássico e Navona, além do Bege Bahia, também conhecido como Travertino Nacional.

Acabamentos do mármore

O engenheiro elenca os tipos de acabamentos aplicados, observando que 98% do mercado dá preferência ao mármore polido e o restante ao levigado. Os demais acabamentos são mais bem aceitos pelo granito, inclusive o uso como pedra bruta. “É possível aplicá-los no mármore, mas o resultado é ruim para uso em arquitetura, ninguém quer”, informa.

  • Polido – polimento que protege e dá brilho ao mármore;
  • Levigado – polimento superficial que deixa a peça acetinada, mas abre mais seus poros;
  • Escovado – a escova aplicada à pedra cria textura na forma de suaves ondulações, com brilho;
  • Bruto – sem qualquer tratamento;
  • Jateado – similar ao bruto, mas muito áspero.
Mulher escolhendo entre os diferentes tipos de mármoreO mercado dá preferência ao mármore polido (Foto: 2ragon/Adobe Stock)

Vantagens do mármore

Os mármores têm como principais vantagens:

  • Nobreza do material, agrega beleza e elegância aos ambientes;
  • Variedade de cores e padrões;
  • Maior resistência se comparado ao porcelanato;
  • Elevada durabilidade, que resulta em ótimo custo-benefício em relação a outros materiais;
  • Permite restauro, em caso de trinca;
  • Layout limpo, com poucos e imperceptíveis rejuntes;
  • Facilidade de limpeza.

Desvantagens do mármore

Por outro lado, o mármore apresenta algumas desvantagens:

  • Material poroso — A maioria dos mármores comercializados para uso na arquitetura são polidos, procedimento que fecha os seus poros, tornando-os menos suscetíveis a manchas. “Ainda assim, se cair sobre ele vinho ou molho de tomate, por exemplo, vai manchar. É preciso limpar imediatamente para não danificar a pedra”, diz.
  • Mais mole do que o granito   O mármore pode riscar se uma panela ou outro utensílio for arrastado sobre a superfície. Essas são razões pelas quais o engenheiro não recomenda o uso de mármore em bancada de cozinha.
  • Características  Tonalidade, veios e até a resistência da pedra variam de acordo com a área da jazida. Por isso, o engenheiro desaconselha a utilização, em reformas, de mármore e granito de igual padrão ao existente num ambiente. “Jamais será idêntico”, fala.
  • Piso de mármore exige cuidado — Principalmente com os calçados, para evitar riscos. “Na limpeza, jamais devem ser empregados produtos ácidos ou esponjas que possam arranhar o mármore. Indico o básico: detergente neutro e pano”.
Bancada branca de mármoreMármore pode ser usado em bancadas (Foto: ITrWorks/Adobe Stock)

Onde usar o mármore

  • Revestimento de paredes;
  • Revestimento de piso, porém, em ambientes internos de baixa circulação. Não deve ser utilizado em áreas de alto tráfego, como shopping centers;
  • Em banheiros e lavabos, no piso, parede e bancada, com o cuidado de evitar determinadas versões e o uso em cubas.

Onde evitar o uso do mármore

  • Em bancadas de cozinha;
  • No piso de casas de praia, no lugar do mármore que a areia pode riscar, o granito escovado é uma boa opção e tendência atual, ou o quartzito, que tem a resistência do granito e a aparência do mármore;
  • Não deve ser empregado em áreas externas, sujeitas a intempéries. Material poroso, acaba encardindo com o passar do tempo.

Cuidados no assentamento do mármore

Para aplicação do mármore no revestimento de piso e parede, é fundamental realizar uma boa impermeabilização do contrapiso, para evitar eflorescência e as decorrentes manchas na peça. Cuidado adicional é aplicar impermeabilizante também na face da peça, resultando em dupla proteção.

“O assentamento deve ser feito com argamassas colantes específicas para mármore. São brancas e com custo mais elevado, mas com ótimo desempenho em relação a arranque e durabilidade”, explica. O rejunte é o mesmo dos utilizados no assentamento de qualquer outro revestimento de piso.

Colaboração técnica

Mario Sergio Montemurro – É Engenheiro de Materiais formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010). Sócio proprietário da Potenza Mármores, fundada em 2011, em São Paulo.