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Material rodante – Cuidados preventivos evitam perdas produtivas

Mesmo constituídas de resistência abrasiva, as esteiras não têm estrutura para suportar fortes impactos

Publicado em: 06/01/2014

Texto: Redação PE

O material rodante chega a representar até 50% dos custos com a manutenção de uma frota e exige cuidados específicos para a preservação de sua vida útil. Devido ao fato de a esteira ser constituída de ferro bruto, os usuários apostam na sua resistência em todas as situações de trabalho severo, mas, por ser a via sobre a qual tratores e escavadeiras se movimentam, assim como uma estrada, precisa estar em ótimas condições a fim de minimizar os desgastes naturais, evitar quebras e a indisponibilidade do equipamento.

De acordo com especialistas, é necessário que seja seguida uma série de recomendações prescritas pelos fabricantes, de forma a se obter a perfeita gestão dos custos de manutenção. Por exemplo, a regulagem das esteiras deve ter uma folga natural pré-estipulada em manuais de serviços especializados. Para cada equipamento há uma folga, tanto para máquinas com rolete superior como para máquinas sem ele.

Os usuários têm de estar atentos para o giro das esteiras nas paradas para manutenção preventiva. O giro no caso de um trator que trabalhe em argila, por exemplo, com 3.500 horas, é feito da seguinte forma: nas esteiras lubrificadas, gira-se somente a bucha, e o pino permanece sempre na mesma posição. Já nas esteiras engraxadas, giram-se o pino e a bucha. As operações em argila são mais tranquilas porque dificilmente desalinham o trator.

Nos trabalhos sobre terrenos rochosos, o desgaste ocorre nas sapatas, nos pinos e nas buchas, que sofrem fortes impactos e quebras de pinos e elos. A manutenção é recomendada após a marca de 1.200 a 1.500 horas de uso. O foco deve ser direcionado às sapatas, e mediante o acompanhamento de algum técnico que faça a inspeção do material rodante em campo.

Nas regiões em que o trator atua em areia molhada, como obras em avenidas à beira-mar, a parte de baixo da esteira fica submersa e a roda motriz arrasta esse material abrasivo em excesso, agindo como se fosse um esmeril. Já houve casos de pino e bucha que duraram 400 horas – em esteiras seladas – até ser feito o giro. Depois disso, normalmente se trabalha até a destruição total de ambos.

Já nos serviços que o trator realiza dentro de lama, as pedras que atingem as esteiras causam pequenos acidentes que o operador não vê nem percebe. Nela entram pedras grandes que quebram as sapatas, os pinos, as buchas e as molas tensoras e, para essas operações, o engenheiro Joaquim Marcelino Filho orienta que haja acompanhamento técnico para identificar as avarias, avaliar sua gravidade e corrigi-las.

Engraxadas x lubrificadas

A vida útil das esteiras dos tratores é bem mais reduzida que a das escavadeiras, por eles trabalharem com maior movimento do rodante. Para esses equipamentos, as esteiras lubrificadas são as mais indicadas.

No caso das escavadeiras, hoje o mercado está mais voltado à utilização das esteiras engraxadas porque asseguram melhor resultado e dão giro de pino e bucha com maior número de horas. Quando não é feito o giro de pino e bucha, a esteira é tirada quando o uso atinge 7.000 horas. Portanto, para garantir 4.000 horas a mais de vida útil do componente, o giro é necessário por volta das 5.000 a 6.000 horas trabalhadas, operação que resulta em 30% de ganho produtivo.

Prevenir evita perdas de produtividade e substituição de máquina no canteiro. A recomendação dos dealers é a boa conservação do material rodante, com inspeção e manutenção periódicas.

O uso de solda na recuperação de componentes é uma prática condenada pelos fabricantes. A solda possui uma dureza superior à original da peça, que foi fabricada com tecnologia, especificações e tratamentos superficiais concebidos para dar ao material rodante um melhor desempenho.

Desgastes operacionais

Os maus hábitos de operação somados à falta de manutenção e giro podem ser considerados os principais itens para a redução de vida útil do rodante. Esses erros geralmente ocorrem em nome de uma irracional busca por produtividade. O acúmulo de material (pedras, cascalho, terra, lama, vegetação etc.) também causa o travamento dos roletes.

A dica para operações nessas condições é inspecionar cuidadosamente a esteira ao final do turno e proceder a uma boa limpeza, se o acúmulo de material for grande. O resultado dos impactos são normalmente trincas nos elos, nas sapatas e nas buchas. Outro vilão são os aterros sanitários, cuja presença do enxofre provoca a oxidação das peças.

Embora os manuais recomendem momentos adequados para a troca de peças, não há uma regra fixa. Ela vai depender dos fatores acima citados e do histórico de cada máquina. Um mesmo modelo de equipamento poderá ter uma quantidade de horas diferente para substituição, de acordo com a atividade que desempenha.

Outros dois pontos que exigem atenção durante as operações são equilíbrio e alinhamento. O equipamento deve estar sempre bem assentado ao solo durante a operação. Caso seja acoplada nele alguma ferramenta, é recomendável que se utilize um contrapeso no lado oposto.

Fontes:
Engenheiro Joaquim Marcelino Filho, da Rolink Tractors
José Antonio Spinassé, sócio-diretor da Satélite Terraplenagem