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Metais sanitários economizadores se consolidam como opções sustentáveis

Torneiras de fechamento automático, válvulas reguladoras de vazão e arejadores reduzem de 17% a 88% do consumo de água

Publicado em: 28/02/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Os conceitos de sustentabilidade e certificação ambiental estão cada vez mais presentes na Construção Civil. Soluções que utilizam recursos naturais de maneira consciente ganham espaço nas obras. Um exemplo são os metais sanitários economizadores de água que, apesar de já estarem disponíveis no mercado nacional há mais de 20 anos, foram ‘descobertos’ pelo setor somente na última década.

“Com a maior conscientização, tanto de usuários quanto de projetistas e construtores, produtos ecológicos entram em evidência”, afirma o engenheiro Roney Honda Margutti, gerente de Tecnologia do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Siamfesp), que completa: “A utilização dos metais sanitários economizadores tem crescido muito a cada ano. Entretanto, sua participação ainda é muito pequena quando comparada às soluções convencionais, não chegando a 5% do total comercializado”.

A indústria de metais sanitários economizadores oferece grande variedade de opções para diferentes aplicações. Entre os principais produtos disponíveis no mercado, Margutti destaca:

- Torneiras de fechamento automático - interrompem o abastecimento de água automaticamente após determinado período de tempo, impedindo que a torneira fique aberta indefinidamente;

- Torneiras com sensor de presença - permitem o escoamento de água somente enquanto houver movimento à sua frente;

- Válvulas de acionamento por pedal ou alavancas - fornecem água somente enquanto se aciona a válvula, evitando que a torneira permaneça aberta sem que haja alguém utilizando;

- Válvulas reguladoras de vazão – mesmo com a abertura total de torneiras e duchas, limita a quantidade de água escoada;

- Redutores de vazão - têm a mesma finalidade das válvulas reguladoras de vazão, mas não possuem dispositivo de regulagem externo, sendo necessário desinstalar o aparelho para proceder a uma alteração de vazão. Ou seja, sua redução é fixa, porém, é um produto mais barato;

- Arejadores – utilizando ar, propiciam uma maior área de lavagem com a mesma quantidade de água;

- Arejadores de vazão constante - além da função do arejador convencional, possuem um elastômero interno que, conforme aumenta a quantidade água, ele expande e reduz a área de passagem, limitando o fluxo e sendo capaz de fixar um limite máximo de vazão;

- Válvulas seletoras de descargas - fornecem a quantidade de água ideal para cada necessidade de bacias sanitárias, ou seja, para dejetos líquidos é fornecido menos água de descarga;

- Válvulas de descarga com sensor de presença - acionam a descarga de bacias sanitárias e mictórios após a sua utilização, possibilitando controlar o tipo de descarga em função do seu uso, assim como restringir a quantidade de água utilizada.

“Existem ainda outros dispositivos que não são aparelhos economizadores propriamente ditos, mas auxiliam na economia de água, como o diâmetro de tubos das redes hidráulicas e posicionamento da caixa dágua”, lembra o engenheiro. “O uso racional da água não se dá apenas com a utilização dessas soluções, mas também por meio de uma visão sistêmica e integrada com ações que vão desde a conscientização do usuário até o projeto e manutenção da instalação”, complementa.

Vantagens

A principal vantagem dos metais sanitários economizadores é poder controlar a quantidade de água e o tempo de funcionamento do aparelho, para que se obtenha a vazão ideal para cada tipo de utilização, sem desperdícios. Entretanto, Margutti alerta que a especificação errada pode transformar a solução em problema. “Por exemplo, em uma rede hidráulica de alta pressão, como o andar térreo de um prédio de 20 andares, ao se abrir um pouco a torneira já há uma grande quantidade de água saindo. Desta forma, caso seja especificada a utilização de torneira automática, poderá haver um consumo muito maior, sem falar no grande desconforto do usuário”, observa.

Estudos divulgados na publicação ‘Manual de Conservação e Reúso da Água em Edificações’, demonstram que a redução de consumo de água com a utilização das soluções economizadoras varia de 17% a 88%. “Os resultados mais significativos foram obtidos em instalações onde a pressão é mais elevada e, consequentemente, a vazão disponível nos aparelhos hidráulicos está muito acima de especificações normativas e práticas de higiene”, diz o engenheiro.

Qualidade

Para garantir a melhor performance dos equipamentos, eles precisam estar em conformidade com a ABNT NBR 13713 - Instalações hidráulicas prediais - Aparelhos automáticos acionados mecanicamente e com ciclo de fechamento automático - Requisitos e métodos de ensaio.

EvoluÇÃo

Margutti afirma que essa tecnologia é bem aceita pelos consumidores. “Embora as torneiras automáticas tenham sido inicialmente projetadas para utilização em locais de grande circulação, como banheiros de shoppings e estádios, atualmente há muitos usuários que as adquirem para colocar em suas próprias residências”, diz.

Ele explica que o sucesso passa pela constante melhoria dos produtos. “Nos últimos anos, percebemos uma substituição natural dos mecanismos de vedação substituíveis (MVS), antigamente utilizados em todas as torneiras, pelos mecanismos cerâmicos de 1/4 de volta. Esta evolução permitiu que um equipamento que antes tinha vida útil média de 30 a 50 mil ciclos de abertura e fechamento, passasse a durar mais de 200 mil ciclos sem a substituição do cartucho”, conta.

Para garantir o aprimoramento do mercado, é necessário um trabalho conjunto entre todos os setores de louças sanitárias e metais economizadores. “Um exemplo são as bacias sanitárias: uma descarga de 6 litros terá comportamentos diferentes se essa quantidade de água for lançada em cinco ou em 60 segundos. Por isso, é preciso empenho e engajamento da indústria em projetar e desenvolver produtos cada vez mais sustentáveis, com redução, tanto da quantidade de matéria-prima utilizada quanto da quantidade de resíduos gerados em sua fabricação”, diz. E finaliza: “Não seria lógico que um aparelho economizador, durante sua fabricação, desperdiçasse mais água do que a quantidade necessária para produzir os equipamentos convencionais”.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Roney Honda Margutti – É engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Possui especialização em Administração de Negócios pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e MBA Executivo em Gestão Empresarial e Inovação pelo B.I. International, com módulos internacionais pela Babson School Executive Education e Columbia University. É gerente de tecnologia do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo (SIAMFESP) e membro da Câmara Ambiental da Indústria Paulista da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Atualmente é coordenador da ABNT/CEE-188 - Comissão de Estudo Especial de Ferragens da ABNT. Tem mais de 10 anos de experiência em elaboração e gestão de Programas Setoriais de Qualidade e implantação de laboratórios de ensaios acreditados pelo INMETRO nas Escolas SENAI e L.A. Falcão Bauer.