MND recupera tubulações deterioradas de água e esgoto

Método não destrutivo não interfere no trânsito, nem gera sujeira ou ruídos

Publicado em: 14/09/2016

Texto: Redação PE


Operação em sistemas de MND (Divulgação/ Intech)

As redes de abastecimento de água construídas com tubulação de ferro fundido antes da década de 1970 têm apresentado problemas de incrustações e corrosão. Com o avanço das tecnologias de método não destrutivo (MND), essas tubulações podem ser recuperadas ou substituídas sem a necessidade de abrir novos caminhos no subsolo. Elas utilizam a tubulação já existente como guia para a inserção de uma nova rede, evitando danos a estruturas adjacentes e interferências subterrâneas.

De acordo com o engenheiro Hélio Rosas, diretor da Sanit, é possível reabilitar tubulações deterioradas de água e esgoto, de pequeno e grande diâmetro, com mínimo impacto ao local da obra. “O método não interfere no trânsito nem gera a sujeira e os ruídos típicos de obras realizadas de forma destrutiva, proporcionando facilidade de recomposição de pavimento e ganhos de velocidade de trabalho”, observa. Para o engenheiro e diretor da Intech, Carlos Pimenta, as tecnologias de MND favorecem a redução do cronograma e têm efeito direto nos custos operacionais da obra.

Pimenta enfatiza a vantagem do MND também em obras que vão além do saneamento, como dutos de óleo e gás. “O enterramento dos dutos garante a integridade da tubulação. Dependendo do tipo de solo, uma rede de cerca de 300 a 350 m de dutos é feita em pouco mais de um mês”, explica Pimenta.

SISTEMAS DE MND

Entre os métodos não destrutivos adotados, Rosas destaca o sistema Pipe Bursting, também conhecido como Pipe Cracking, no qual o equipamento substitui a tubulação antiga por arrebentamento e insere uma nova no mesmo caminho e com aumento de diâmetro. Após a rede antiga ser fragmentada, os estilhaços continuam no entorno da nova tubulação no subsolo, sem causar danos.

No sistema Cured in Place Pipeline (CIPP), o equipamento recupera a estrutura sem perdas de diâmetro interno da tubulação ao aplicar uma manta e impregná-la em seu interior. Com isso, é possível recuperar a integridade da rede e evitar futuras falhas, perdas ou rompimentos, além de melhorar o desempenho hidráulico.

Outro sistema citado por Hélio é o C-Lining, que possibilita a recuperação estrutural sem perda de diâmetro interno por meio da aplicação de um tubo de polietileno de alta densidade (PAD). O polietileno é utilizado por ser flexível, sem a rigidez das tubulações metálicas.

Há também o Sliplining, método em que é introduzida uma nova tubulação, mas, nesse caso, há redução do diâmetro interno da rede.

EQUIPAMENTOS FAZEM A DIFERENÇA

Antes do início da substituição de uma rede, pode ser utilizado um sistema de vídeo inspeção robotizada para averiguar detalhes do seu interior e checar as condições das tubulações subterrâneas, verificando se há deformações, infiltrações ou conexão com ramais clandestinos.

“A câmera é conduzida pelo robô com iluminação apropriada, operado via controle remoto até uma distância aproximada de 300 m. O conteúdo da inspeção é gravado e, posteriormente, avaliado por equipe especializada”, explica Paulo Dequech, da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva (Abratt).

Na recuperação, para se romper as tubulações antigas danificadas e instalar as novas, é utilizado um sistema com perfuratriz direcional, que introduz uma coluna de hastes encaixadas no interior da rede a ser substituída. Esse trabalho é feito a partir de uma vala aberta, e as hastes seguem até uma próxima abertura.

A operação continua com a conexão da coluna a uma lâmina até chegar à nova tubulação, onde tem início o processo de retorno – a lâmina volta quebrando toda a tubulação antiga. “Os braços telescópicos desse equipamento possibilitam ancorar valas de 1,20 a 1,90 m de comprimento”, diz Dequech.

Além da perfuratriz, são necessários outros equipamentos complementares, como uma unidade motora hidráulica, um jogo de hastes e ferramentas de corte e instalação de tubulações, além de guindaste ou guindauto para a movimentação e instalação do equipamento.

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COLABORARAM PARA ESTA MATÉRIA:

  • Carlos Pimenta, diretor da Intech.
  • Hélio Rosas, diretor da Sanit.
  • Paulo Dequech, vice-presidente da Abratt.