Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Móveis planejados se adequam a projetos de diferentes tamanhos

Feitos com MDP ou MDF e acabamentos que vão da laca ao vidro, os móveis planejados são de baixo custo, fáceis de montar e atendem a um mercado que deseja rápida entrega

Publicado em: 26/07/2013Atualizado em: 27/06/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas


Divulgação_Segatto

Eles surgiram da necessidade de projetar móveis e armários com rapidez, diferentes medidas e padrões de acabamento inovadores. Estamos falando dos móveis planejados, que acabaram exigindo adaptações da indústria de marcenaria e têm como principal vantagem o reduzido tempo entre a compra e a finalização da montagem: algo em torno de 45 dias (contra os 60 dias no caso de projetos feitos sob medida).

“Os planejados conquistaram o público devido ao baixo custo se comparados aos móveis sob medida. Outro fator que impulsionou seu crescimento foi a falta de marceneiros suficientes para atender à demanda crescente do mercado”, elucida José Rodrigues, diretor comercial da fabricante D’Marco.

Sob medida x planejado


Divulgação_Leonetti Piemonte Arquitetura

Os móveis planejados nada mais são do que uma modulação padrão de medidas. Ou seja, para um projeto, são utilizados módulos pré-fabricados em dimensões padronizadas, que se encaixam entre si, sendo finalizados com peças de acabamento. “O móvel planejado trabalha com a fabricação de modulados. A partir das peças já determinadas pela fábrica, as lojas do ramo desenvolvem o projeto em programas computadorizados”, explica a arquiteta Daniela Colnaghi.

O objetivo é adequar a modulação de cada parte do móvel à necessidade do cliente. Em lojas de grande porte, a possibilidade de modulação é bem ampla, sendo possível realizar praticamente qualquer projeto. No entanto, em lojas menores, o cliente pode encontrar dificuldades e ter que se adaptar às poucas opções oferecidas.

Por outro lado, móveis feitos sob medida significam que um profissional especializado projeta a marcenaria com base nas medidas exatas do imóvel, partindo do zero. Nesse formato, cada peça tem um corte específico para se encaixar milimetricamente nos espaços disponíveis. “Se o projeto exigir medidas especiais, profundidades fora de padrão, recortes para colunas e pilares indesejáveis, esse tipo de móvel vai se acomodar perfeitamente a cada uma dessas necessidades”, explica Daniela.

“Os planejados fazem sucesso no Brasil devido a um momento bem oportuno”, explica a arquiteta Luciana Zani Torreti, “pois os novos empreendimentos estão sendo projetados com cômodos cada vez menores, exigindo peças modulares que aproveitam todos os espaços e cantos possíveis.” Mas é preciso considerar outra vantagem: o material pode ser usado de diferentes formas e com variados acabamentos, tornando a opção válida tanto para a classe D (com acabamentos mais simples) quanto para a classe A (com design, ferragens, sistemas de fixação e nivelamento, cálculo de resistência a peso e sistemas de aberturas de portas e gavetas diferenciados, que mudam radicalmente o preço final).

Há, ainda, a facilidade de ver o móvel finalizado no showroom da loja, com todas as possibilidades de mecanismos, ferragens e acessórios disponíveis. “Isso não ocorre na marcenaria sob medida”, esclarecem as arquitetas Isabela Leonetti e Pierina Piemonte.

MDP, MDF ou compensado?


Divulgação D Marco

Os planejados geralmente utilizam MDP internamente e MDF na parte externa de gavetas, portas e armários, conforme explicam as arquitetas Ana Paula Nonato e Ana Cláudia Nonato, do escritório Dois A Arquitetura e Interiores. Mas o compensado também é bastante procurado, embora apresente valor mais alto por ter características relacionadas à marcenaria artesanal e, assim, exigir maior manuseio.

“O MDP tem o miolo formado por partículas de madeira, como o pó de serragem, e é mais vulnerável à umidade”, ressalta o arquiteto Lucindo Soares. Este material usa partículas de madeira reflorestada em vez de fibras, como ocorre com o MDF, considerado mais resistente e fácil de trabalhar por não possuir veios e nós. O MDF é feito de uma chapa de fibra de madeira com densidade média, ou seja, pode ser considerado um aglomerado sofisticado, composto de fibras de pinus mais resistentes e compactadas com resina à alta pressão. Além disso, suporta qualquer tipo de acabamento, como verniz, pinturas de todos os tipos e aplicações de revestimentos como tecidos e papel de parede, lâminas de madeira e PVC, sendo, portanto, o mais usado.

Já o compensado pode ser encontrado em diferentes tipos. O compensado laminado, que é feito com lâminas de madeira de pinus ou virola coladas e prensadas para formar chapas com espessura de 4 a 20 mm, tem boa resistência mecânica. O compensado sarrafeado possui lâminas internas coladas em um sentido e chapa externa prensada em sentido diferente, o que deixa a placa mais resistente.

O arquiteto Luciano Dalla Marta ainda lembra que o compensado naval também pode ser usado. “Ele é oferecido por algumas empresas mais sofisticadas por ter maior qualidade e durabilidade que o compensado comum”.

Acabamento

Talvez esse seja o grande trunfo dos móveis planejados, pois cabe a ele dar o toque final à peça. Atualmente, a laca é a queridinha do mercado por sua infinidade de cores e aspecto moderno. Mas existem outros acabamentos mais tradicionais, como os amadeirados em diferentes nuances imitando as mais variadas madeiras nobres.

“Vidro e inox, que conferem valor agregado às peças, são outras duas boas opções de acabamento”, relatam as arquitetas Isabela Leonetti e Pierina Piemonte, que lembram que não apenas o exterior deve ser valorizado; o interior também pode ter acabamentos diferenciados com ferragens, divisórias de acrílico, corian ou pinturas diversas.

A mão de obra é, por fim, outro item importante, pois o bom resultado depende de uma boa execução. “Se a montagem não for feita corretamente, os módulos podem ficar mal presos, impedindo, por exemplo, a abertura e o fechamento das portas”, comenta a arquiteta Cristiane Schiavoni.


COLABORaram PARA ESTA MATÉRIA

Cristiane Schiavoni – Arquiteta urbanista e designer de interiores. Formada pela Universidade de São Paulo (USP), desenvolve projetos de decoração para empreendimentos corporativos, residenciais e mostras. Também criou projetos para residências, lojas em shopping centers, joalherias e escritórios.

Luciana Zani Torreti – Arquiteta de interiores formada há 15 anos na cidade de Londrina, PR. Atualmente trabalha com arquitetura na cidade de São Paulo.

Ana Paula Nonato e Ana Cláudia Nonato – Estão à frente do escritório Dois A Arquitetura e Interiores, empresa eleita entre as 10 mais atuantes do segmento em 2012 e destaque no mercado baiano no primeiro trimestre de 2013. Ganhadoras do prêmio Casa Cor BA 2012 como 3º melhor ambiente pelo voto do público.

José Rodrigues – Formado em Administração com especialização em Administração & Negócios FIA-SP. Coaching Executive - Instituto Brasileiro Coaching e Diretor Comercial da Fábrica D’Marco.

Lucindo Soares – Sócio da Spazio Casa Celmar.

Daniela Colnaghi – Estudou Administração na Universidade de Miami e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Formou-se em Design de Interiores na Escola Panamericana de Arte. Atualmente faz parte do corpo docente administrativo da Associação de Decoração do Estado de São Paulo (ADESP). Entre seus trabalhos de design estão espaços para áreas comerciais, residenciais desenvolvidos no Brasil e nos Estados Unidos.

Luciano Dalla Marta – Formado em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie em 2000, trabalhou por cinco anos assinando projetos de arquitetura no escritório da decoradora Inês Capobianco. Em 2001 iniciou sua carreira solo, especializando-se em design de produto pela Faculdade de Belas Artes.

Isabela Leonetti e Pierina Piemonte – Comandando o escritório Leonetti Piemonte Arquitetura, Isabela Leonetti e Pierina Piemonte, formaram-se juntas, em 1997, no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Mackenzie. Depois, estagiaram em renomados escritórios de arquitetura, interiores e paisagismo, antes de fundar o seu próprio, em 2000.