Mudança de ponto hidráulico exige recursos de engenharia e novas tecnologias

Em reformas, essa é uma ação que pede estudo das condições hidráulicas do imóvel. Quando não é possível furar a laje ou acessar a coluna pelo imóvel vizinho, a solução está no triturador sanitário e na bomba de águas cinzas

Publicado em: 05/05/2022Atualizado em: 12/12/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de um banheiro, com o vaso sanitário em foco
As áreas mais desafiadoras para reformas são, por ordem, o banheiro, a cozinha e a lavanderia (Foto: Pixel-Shot/Shutterstock)

As mudanças de pontos hidráulicos em obras de reforma exigem recursos de engenharia e, na falta de solução efetiva, são viabilizadas com o uso de novas tecnologias, conforme explica a engenheira Mayara Bagagini, da startup Si Advisors. De posse do projeto de arquitetura, ela desenvolve o estudo para encontrar a melhor distribuição para cada ponto. “O primeiro passo é identificar todas as colunas de água fria e de esgoto da residência. E, depois, traçar o melhor caminho para a distribuição”, diz.

Os pontos de esgoto são os mais críticos da reforma hidráulica, por exigirem queda d'água que, muitas vezes, está distante do projetado. A obra é facilitada quando o banheiro tem caixão perdido sob a laje. “Caso contrário, se não conseguimos a queda de água necessária no contrapiso existente, a primeira opção é elevar o nível do contrapiso em 10 cm, em média. Porém, muitos clientes rejeitam porque querem o apartamento todo nivelado”, conta.

O primeiro passo é identificar todas as colunas de água fria e de esgoto da residência. E, depois, traçar o melhor caminho para a distribuição
Mayara Bagagini

A alternativa mais comum é criar a distribuição de esgoto pelo teto do vizinho do pavimento abaixo, o que exige a permissão do seu proprietário. “Podemos, ainda, utilizar bombas trituradoras”, explica, lembrando que a mudança de ponto hidráulico pode ser inviabilizada apenas quando enfrenta uma parede estrutural, um pilar ou uma viga.

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Critérios e padrões da reforma

Entre os critérios para mudança do ponto hidráulico, a engenheira adota padrões de distribuição. “Por exemplo, uma altura ‘x’ para água fria e ‘y’ para água quente, porque assim não há interferência para a instalação da bancada. Outro padrão são as alturas dos pontos de lavatório, gás, máquina de lavar roupa (MLR), máquina de lavar louça (MLL) e posição dos registos de gavetas”, explica.

As áreas mais desafiadoras, por ordem, são o banheiro, a cozinha e a lavanderia. “Mas o maior desafio mesmo são as novas áreas gourmet em terraços. Elas sempre pedem um ponto para pia e só posso dirigir esse esgoto para o que atende a cozinha, de maneira a se encaminhar para a caixa de gordura. No entanto, na maioria das vezes, esse ponto hidráulico está distante”, relata, acrescentando que tem resolvido o problema com a instalação de bomba trituradora, onde águas residuais são bombeadas até a coluna de esgoto.

Lição importante para evitar que, no futuro, ocorra entupimento e retorno de mal cheiro é instalar ralos sifonados ou válvulas de retenção para esgoto. “O ralo sifonado funciona como um sifão de pia, tem um ‘copinho’ que armazena um pouco de água e não deixa o mal cheiro retornar. A válvula de retenção permite que água flua apenas em uma direção, evitando que o líquido ou gás retorne”, expõe.

Novas tecnologias

Os trituradores sanitários e as bombas para águas cinzas são tecnologias que auxiliam nas reformas hidráulicas, sem a necessidade de furar a laje ou incomodar os vizinhos. “Os trituradores sanitários, instalados no piso atrás do vaso, coletam as águas de um banheiro, lavabo ou banheiro completo com chuveiro. Trituram os resíduos, inclusive papel higiênico, bombeando através de uma tubulação de apenas 32 mm”, diz Diego Di Maio, gerente Comercial e Novos Negócios da Sanitrit.

As bombas para águas cinzas são ideais para uso em copas, cozinhas, lavanderias, áreas gourmet, banheiras e spas, dimensionadas de acordo com a demanda do projeto.

A água bombeada por esses equipamentos tem pressão para subir até 5 metros na vertical ou 50 metros na horizontal. A instalação é simples, basta viabilizar pontos de água e de eletricidade de 220v e uma tubulação de saída de 32mm PVC marrom, que deve estar conectada na prumada de esgoto principal. “É possível encaminhar o esgoto bombeado através do contrapiso, mesmo sem inclinação, ou através do forro ou parede”, ressalta.

Os trituradores sanitários, instalados no piso atrás do vaso, coletam as águas de um banheiro, lavabo ou banheiro completo com chuveiro. Trituram os resíduos, inclusive papel higiênico, bombeando através de uma tubulação de apenas 32 mm
Diego Di Maio

Para manutenção periódica, é preciso retirar o equipamento da tomada, despejar 2,5 litros de uma solução desincrustante, deixar agir por duas horas, dar a descarga e ligar novamente na energia. “Isso é o suficiente para manter o bom funcionamento e prolongar a vida útil do equipamento que é de 15 anos, em média”, informa Di Maio. Mas, caso alguém atire um absorvente ou fralda no vaso, por exemplo, será necessário chamar a assistência técnica para realizar uma manutenção corretiva.

Comercializados na Europa desde 1958 e, no Brasil, há sete anos, os trituradores sanitários e as bombas para águas cinzas são de origem francesa. Além das obras de reforma ou retrofit de apartamentos e lajes corporativas, têm uso em banheiros em subsolo, mercado náutico, motorhomes e banheiros para eventos, entre outros. Estão disponíveis em lojas especializadas em hidráulica e em acabamentos, louças e metais e nos home centers.

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Colaboração técnica


Diego Di Maio – Formado em Marketing pelo Centro universitário IBMR - Rio de Janeiro (2014). Acumula 18 anos de experiência no mercado de soluções hidrossanitárias. É gerente Comercial e Novos Negócios da SFA Brasil equipamentos sanitários, atuando no desenvolvimento das soluções Sanitrit e Sanifos em todo o território nacional.

Mayara Bagagini – É Engenheira Civil formada pela Universidade São Judas Tadeu (2019). Atua como engenheira na startup Si Advisors. Foi assistente técnica nas construtoras GCS e Kallas Engenharia. Com experiência no gerenciamento, planejamento e fiscalização de obras, elaboração de cronograma físico-financeiro e desenvolvimento de indicadores de desempenho, agindo de acordo com os custos, prazos, padrões de qualidade e de segurança estabelecidos pela organização.