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NBR 15969 garante melhor qualidade às esquadrias

Norma permite que os fabricantes adquiram os componentes com mais confiança para produzir em conformidade com a ABNT NBR 10821

Publicado em: 01/10/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Esquadrias Alumínio

Para o correto funcionamento do caixilho é necessário que o produto esteja integrado a componentes de qualidade. As roldanas, por exemplo, são as responsáveis pelo movimento das folhas da esquadria de correr. Já as escovas cumprem o papel de vedação entre as folhas do caixilho e também entre as folhas e o marco. “Além da função de fechamento, o fecho contribui para uma boa vedação e resistência. Outro componente é a articulação – ou braço – utilizada para carga da folha móvel de uma janela maxim-ar. Podemos mencionar também as persianas de enrolar, itens empregados para o bom desempenho de uma esquadria de correr com persiana integrada”, comenta a engenheira Fabiola Rago Beltrame, consultora técnica da AFEAL – Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio – e que atua como secretária da Comissão de Estudos de Componentes. Ela menciona, ainda, as dobradiças, elementos usados em caixilho de giro, e os componentes em nylon, adotados de forma variada e responsáveis pelo acabamento e proteção contra o impacto das folhas móveis.

Problemas comuns

Uma roldana dimensionada de maneira errada não permite a abertura de uma porta de correr de grandes dimensões. Uma articulação mal especificada para uma maxim-ar faz com que a folha, quando aberta, seja submetida a uma pressão de vento e arrancada do marco

Dentre os problemas que podem acontecer com um componente em não conformidade estão o mau funcionamento e a degradação da esquadria. “Por exemplo, uma roldana dimensionada de maneira errada não permite a abertura de uma porta de correr de grandes dimensões. Uma articulação mal especificada para uma maxim-ar faz com que a folha, quando aberta, seja submetida a uma pressão de vento e arrancada do marco. Já a escova de vedação ou fecho de má qualidade não permitirão que o caixilho atenda os requisitos de estanqueidade à água da ABNT NBR 10821”, ensina Fabiola.

Norma inédita

Devido à sua relevância, os componentes ganharam norma técnica específica, a ABNT NBR 15969 - Componentes para Esquadrias - que está dividida em sete partes, uma para cada item. Baseada na norma americana AAMA, a normativa dispõe de informações que serão de grande utilidade para fabricantes, distribuidores, usuários e laboratórios. A mais recente, em vigor desde janeiro de 2012, é a parte 2: Escova de vedação — Requisitos e métodos de ensaio. Seu objetivo é fornecer definições, nomenclaturas, métodos de ensaio e requisitos gerais para as escovas de vedação constituídas de materiais plásticos. A parte 1: Roldana - Requisitos e métodos de ensaio -, em vigor desde agosto de 2011, estabelece os requisitos para fabricação, dimensionamento e funcionamento da roldana. “A norma foi criada pela AFEAL e o Siamfesp – Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo”, explica Fabiola.

A Comissão de Estudos continua a se reunir para elaborar os textos das demais partes, sendo que a próxima a ser enviada para a ABNT diz respeito ao fecho. “Ao todo serão, no mínimo, sete partes. Provavelmente, os trabalhos não vão parar e poderemos ter uma parte específica para selantes e outra para as guarnições de borracha ou outro material. A parte 3, sobre fechos, entrará em consulta nacional ainda neste ano, logo após a realização de vários ensaios para confirmação do texto elaborado. E a parte 4, que trata sobre articulações, está com o texto base pronto e até o final de 2013 serão realizados uma série de ensaios com o apoio do ITEC - Instituto Tecnológico da Construção Civil - para ajuste na metodologia de ensaio e aplicação de cargas”, detalha a profissional.

Ensaios

A entrada em vigor da ABNT NBR 15969 permite que os fabricantes de esquadrias adquiram os componentes com mais confiança para produzir em conformidade com a ABNT NBR 10821 - Esquadrias externas para edificações - nos requisitos de permeabildade ao ar, estanqueidade à água e no isolamento acústico

As próximas partes da norma estabelecerão o mesmo princípio para cada componente. Os itens deverão passar por ensaios com aplicação de cargas para simular o manuseio diário, impacto, arrancamento e exposição à névoa salina para avaliação da durabilidade. “A entrada em vigor da ABNT NBR 15969 permite que os fabricantes de esquadrias adquiram os componentes com mais confiança para produzir em conformidade com a ABNT NBR 10821 - Esquadrias externas para edificações - nos requisitos de permeabildade ao ar, estanqueidade à água e no isolamento acústico”, afirma a engenheira. Fabiola complementa que é importante que outros profissionais do setor, como arquitetos e especificadores, conheçam os detalhes da norma. “Assim, passarão a ser mais exigentes com as empresas que fabricam caixilhos e também a cobrar para que sejam utilizados somente componentes que estejam em conformidade”, diz.

Sinal de amadurecimento

Apesar de a ABNT NBR 10821 existir há décadas, ainda não havia uma norma específica para componentes. A engenheira explica que esse cenário é resultado do amadurecimento do setor em termos de avaliação de desempenho do produto esquadria. “Já existiam normas para as guarnições de EPDM e para o tratamento superficial do alumínio. Os textos da norma de componentes vêm sendo discutidos pelo setor há mais de seis anos”, ressalta.

Colaborou para esta matéria

Fabiola Rago Beltrame – Engenheira Civil formada pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1993 e mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em 1999. Diretora da Qualidade da Beltrame Engenharia. Atua como consultora técnica da AFEAL - Associação de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio - no PSQ de Esquadrias de Alumínio do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). É coordenadora da CEE 191 - Comissão Especial de Esquadrias da ABNT.