Novas tomadas oferecem mais segurança às instalações

As regras visam evitar danos e choques elétricos. Ainda assim alguns cuidados devem ser observados

Publicado em: 20/02/2013Atualizado em: 21/02/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

A comercialização de produtos que seguem o novo padrão brasileiro de plugues e tomadas tornou-se obrigatório no primeiro dia de janeiro de 2011. Desde então, as tomadas precisam apresentar uma cavidade que evita choques elétricos e ter o terceiro furo, que recebe o pino com o fio terra. A inovação da norma é resultado do trabalho de uma comissão de estudos constituída pela ABNT, que reuniu representantes de fabricantes, consumidores, institutos de pesquisas e laboratórios.

“Este novo padrão brasileiro teve como base a norma 60906:1986 da International Electrotechnical Commission (IEC) e segue a ABNT NBR 14136:1998 — Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20 A/250 V em corrente alternada — Padronização”, explica Fabian Yaksic, gerente de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que completa: “Pela importância das tomadas e plugues, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) estabeleceu a certificação compulsória para requisitos de segurança destes produtos com a portaria número 185, de 21 de julho de 2000”. Por ser um item que interfere diretamente na segurança dos consumidores, é preciso conhecer bem os modelos disponíveis no mercado e a maneira correta de utilizar cada um.

EspecificaÇÃo

Yaksic comenta que o modelo antigo possibilitava o contato direto com o pino do plugue energizado, o que ocasionava choques elétricos. “A cavidade impede que um pino seja inserido na tomada e o outro fique fora”, explica.

No momento da especificação, é fundamental saber quais produtos serão conectados, evitando sempre instalar mais de um aparelho na mesma tomada. É preciso lembrar que alguns eletroeletrônicos possuem o diâmetro do plugue mais grosso do que outros, pois precisam de uma quantidade maior de corrente elétrica para funcionar.

Os equipamentos que necessitam de até 20 ampères têm o plugue com pinos de 4,8 mm de diâmetro e os que demandam correntes de até 10 ampères têm o plugue com pinos de 4 mm. Por isso, o tamanho dos furos da tomada também varia. “As tomadas de 20 ampères devem permitir a inserção de plugues de 10 ampères e 20 ampères e as tomadas de 10 ampères não devem receber a inserção de plugues de 20 ampères”, diz Yaksic.

Vantagens

“Uma das vantagens do novo padrão brasileiro de plugues e tomadas é que no passado tínhamos mais de 14 tipos de tomadas e os modelos diferentes de plugues passavam de 12, com diferentes formatos: redondos, chato e semirredondos. Hoje, a tomada é padrão para plugues com pinos redondos”, fala Yaksic, elencando os produtos disponíveis no mercado:

Tomadas
Tipo Contato com a terra Superfície protetora Capacidade
Fixa bipolar Embutir Sim Não 10 ampères / 250 volts (10A/250Vc.a.)
Sim Não 20 ampères / 250 volts (20 A/250 Vc.a.)
Semiembutir ou sobrepor Sim Não 10 ampères / 250 volts (10 A/250 Vc.a.)
Sim Não 20 ampères / 250 volts (20 A/250 Vc.a.)
Móvel bipolar Sim Não 10 ampères / 250 volts (10 A/250 Vc.a.)
Sim Não 20 ampères / 250 volts (20 A/250 Vc.a.)
Não Não 10 ampères / 250 volts (10 A/250 Vc.a.)
Não Não 20 ampères / 250 volts (20 A/250 Vc.a.)
Não Sim 10 ampères / 250 volts (10 A/250 Vc.a.)
Não Sim 20 ampères / 250 volts (20 A/250 Vc.a.)

Os adaptadores, segundo Yaksic, podem ser utilizados com parcimônia. “Essas peças incorporam tecnologia que garantem maior segurança e atendem as normas técnicas da ABNT. Devem ser certificados e utilizados como solução temporária, até porque a instalação precisa ser adequada o mais rápido possível”.

AplicaÇÃo

A instalação das tomadas deve ser feita levando em consideração as tensões de alimentação de cada cidade. Por exemplo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde as tensões de alimentação são 127 V e 220 V, o ideal é prever para a cozinha e a área de serviço uma tomada de 220 V, pois são os ambientes onde podem ser utilizados equipamentos que necessitam dessa tensão. É aconselhável identificar claramente com um adesivo que se trata de uma tomada de 220 V. Já nas demais dependências devem ser instaladas as de 127 V, na quantidade suficiente para evitar que dois equipamentos diferentes utilizem a mesma tomada.

“Nas cidades com tensão de alimentação somente em 220 V é preciso estar atento ao número de tomadas, para que cada uma receba apenas um eletroeletrônico. O profissional responsável pela instalação também deve verificar se o cabeamento está em conformidade com a norma ABNT NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão –, observando se existe o aterramento e se a fiação está compatível com a capacidade dos aparelhos a serem conectados”, explica.

O terceiro furo da tomada deve ser ligado ao aterramento, para garantir a segurança do consumidor e da instalação elétrica. Outra recomendação de Yaksic é para que cada ambiente da edificação tenha seus próprios disjuntores e, preferencialmente, um para a iluminação e outro para as tomadas.

Qualidade

Os produtos devem seguir o novo padrão brasileiro de plugues e tomadas estabelecido pela ABNT NBR 14136:1998 – Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20 A/250 V em corrente alternada — Padronização.

ManutenÇÃo

Yaksic alerta que a manutenção das tomadas deve ser realizada por um profissional qualificado. “Também é preciso cuidado para que não entre água nos furos das tomadas, o que pode provocar oxidação e curto-circuito comprometendo as instalações e aparelhos”, complementa. Para limpeza dos espelhos externos, utilizar um pano seco e evitar líquidos abrasivos.

É bom saber

“No Brasil a população respondeu afirmativamente à implantação do novo padrão. Atualmente, a indústria, o comércio e os construtores só trabalham com produtos em conformidade”, comemora Yaksic, que também lembra que para zelar pela segurança e bom desempenho, é necessário sempre adquirir tomadas certificadas por organismos acreditados pelo INMETRO.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Fabian Yaksic – é engenheiro elétrico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Atuou nas maiores empresas do setor elétrico e, desde 1981, é gerente do departamento de tecnologia e política industrial da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Também realiza as seguintes atividades junto aos setores empresarial e governamental: membro do conselho deliberativo da ABNT; representante do Brasil no conselho superior e no conselho de gerenciamento da normalização da International Electrotechnical Commission (IEC); membro do Fórum dos Comitês Nacionais (FINCA) da IEC nas Américas; secretário do comitê de eficiência energética e energias renováveis da Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT); secretário do comitê setorial Mercosul de Eletricidade da Associação Mercosul de Normalização (AMN); membro e ex-presidente do Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade (CBAC); membro do Comitê Brasileiro de Normalização (CBN); e presidente do Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica do Complexo Elétrico e Eletrônico (IPD Eletron).