Novo marco legal deve impulsionar setor de impermeabilizantes

Aplicação do revestimento PU em estações de tratamento deve ganhar força nos próximos anos. Conheça as principais características desse produto

Publicado em: 21/10/2021

Texto: Gisele Cichinelli

Revestimento PU
Entre as características fundamentais dos impermeabilizantes usados em ETEs e ETAs estão a flexibilidade e o alongamento (Foto: Divulgação/Saint-Gobain)

Sancionado em 2020, o novo marco legal do saneamento básico pretende impulsionar a universalização dos serviços de água e esgoto. Estima-se que para alcançar a meta estipulada de 99% da população atendida com água e 90% com a coleta e o tratamento de esgoto até 2033, será necessário um investimento de R$ 745 bilhões.

De acordo com Fabian Brotto Monteiro, especialista no setor de saneamento básico, os investimentos em obras e em inovação e tecnologia devem aumentar nos próximos anos. “As metas são bastante ousadas e as empresas – públicas e privadas – precisarão ser mais eficientes, reduzindo os custos e melhorando os serviços”, afirma. Vale lembrar que, desde 2020, as concessões poderão ser firmadas diretamente entre os municípios e prestadores de serviços – tanto públicos, quanto privados.

Esse produto terá um crescimento exponencial do seu consumo, devido às suas características de aplicação e durabilidade, que garantem a segurança dessas estruturas por muitos anos
Esli Vieira Machado

O incremento do número de obras também impactará diretamente outro segmento: o de impermeabilizantes para estruturas de estações de água (ETAs) e de efluentes (ETEs). Uma das apostas do setor, segundo Esli Vieira Machado, coordenador de mercado da quartzolit, é o revestimento PU ETA/ETE. “Esse produto terá um crescimento exponencial do seu consumo, devido às suas características de aplicação e durabilidade, que garantem a segurança dessas estruturas por muitos anos”, acredita. Ainda segundo ele, a quartzolit já está estruturada para atender à nova demanda.

Vantagens do revestimento PU

O revestimento PU é uma espécie de elastômetro de poliuretano bicomponente de cura a frio e isento de solventes. Por conta das suas elevadas resistências mecânicas, o seu uso permite a rápida liberação da área e, por ser aplicado a frio, não apresenta risco de incêndio. Também é monolítico (dispensa emendas), isento de solventes (pode ser aplicado em ambientes confinados), além de rápido e limpo de aplicar em superfícies recortadas, horizontais e verticais, e em tetos (sem a necessidade de proteção mecânica).

Vale lembrar que entre as características fundamentais dos produtos de impermeabilização usados em obras de ETEs e ETAs estão a flexibilidade e o alongamento, que devem ser suficientes para suportar as movimentações e as dilatações das estruturas, bem como a resistência aos gases provenientes dos produtos que serão armazenados.

“Neste sentido, os revestimentos PU têm se mostrado uma das melhores opções, pois possui grande flexibilidade e alongamento, boa resistência e impermeabilidade de líquidos e gases. Além disso, no caso da água tratada, o PU atende às normas de potabilidade”, explica Monteiro.

Revestimento PU
O novo marco legal do saneamento básico deve aumentar o número de obras de ETEs e ETAs (Foto: Divulgação/Saint-Gobain)

Projeto de impermeabilização

Antes de especificar o revestimento PU, no entanto, é importante contar com um bom projeto de impermeabilização. Uma das principais particularidades dessas estruturas é que todas as suas superfícies internas são submetidas à abrasão, à ataques químicos (durante todo o processo de tratamento da água e de efluente) e à concentração dos agentes químicos (incluindo a sazonalidade de concentração).

“No caso das estruturas hidráulicas é importante não permitir a perda do fluído e a contaminação do solo. Já no caso do esgoto, ocorre a biodegradação e o ataque do concreto por gases agressivos. A presença de agentes químicos agressivos em contato direto com o concreto e os ciclos de molhagem e secagem são exemplos das condições mais severas de exposição a que as estações estão submetidas”, explica José Miguel Morgado, engenheiro civil e diretor executivo do IBI (Instituto Brasileiro de Impermeabilização).

Por isso, a impermeabilização adequada das ETAs e das ETEs é indispensável. As consequências de erros nesse processo podem causar infiltrações na estrutura. Em casos mais graves, pode levar ao colapso da edificação e, consequentemente, à vazamentos de água ou de resíduo. “No caso dos resíduos, o vazamento pode causar danos ao meio ambiente e a responsabilização da empresa por crime ambiental”, alerta Machado.

Cuidados na execução

A execução da impermeabilização dessas estruturas está dividida, basicamente, em três etapas: preparação da estrutura, aplicação do produto e conferência da estanquidade.

Esses cuidados garantirão que a impermeabilização fique aderida à superfície. Uma falha na fase de preparo da superfície poderá causar o desplacamento da impermeabilização
Fabian Brotto Monteiro

Antes de iniciá-la, é fundamental preparar adequadamente a superfície com uma boa limpeza. A área deve estar íntegra, seca, livre de partículas soltas, poeira e fuligem (no caso de tanques de aço) e isenta de produtos de corrosão. “Esses cuidados garantirão que a impermeabilização fique aderida à superfície. Uma falha na fase de preparo da superfície poderá causar o desplacamento da impermeabilização”, explica Monteiro.

No caso da aplicação do revestimento PU, a superfície deverá estar isenta também de umidade para evitar que surjam bolhas e microfuros na superfície. A execução precisará ser feita imediatamente após a superfície ser preparada, de modo a obter uma pintura contínua e de espessura constante.

A temperatura do substrato deverá estar entre 12°C e 35°C; a umidade relativa do ar precisará ser menor que 85% e a umidade do substrato deverá ser inferior a 6%. Após a aplicação é fundamental realizar ensaios de arrancamento, verificar as espessuras da membrana e investigar possíveis falhas.

Colaboração técnica

 
Esli Vieira Machado - coordenador de mercado da quartzolit.
 
Fabian Brotto Monteiro - especialista no setor de saneamento básico.
 
José Miguel Morgado - engenheiro civil e diretor executivo do IBI (Instituto Brasileiro de Impermeabilização).