O que considerar na hora de escolher tapumes para obras?

Vedações provisórias que delimitam o entorno da construção devem garantir segurança e durabilidade. Saiba mais

Publicado em: 27/01/2021

Texto: Juliana Nakamura

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Tapumes podem funcionar como peça de comunicação para a construtora e para o empreendimento (foto: hsdc/Shutterstock)

Até pouco tempo, os tapumes eram vistos como meras vedações provisórias de uso obrigatório para delimitar o perímetro das obras. No entanto, a percepção de que eles também podem funcionar como uma peça de comunicação para a construtora e para o empreendimento, fez com que esses fechamentos adquirissem um novo status. Hoje, nos grandes centros urbanos, em vez de madeirites mal-acabados, é possível ver, cada vez mais, vedações coloridas, com arte e publicidade incorporados, que ajudam a embelezar as cidades.

“O tapume é o nosso principal cartão de visita e o utilizamos para construir uma imagem positiva da nossa marca”, conta Márcia Eliana dos Santos Arruda, gestora de obras do Grupo EPO. “Temos utilizado, nesses espaços, imagens dos colaboradores, o que tem trazido um retorno positivo, tanto do nosso público interno, quanto da comunidade”, continua a engenheira.

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CRITÉRIOS DE ESCOLHA

Os tapumes são instalados no início da obra e retirados somente após finalização ou quando for colocada a vedação definitiva (muros, grades etc.). Por isso mesmo, ele deve ser durável e estável o suficiente para isolar a obra e impedir o acesso de pessoas estranhas aos serviços.

O uso desses painéis está especificado na NR18 – Condições de Saúde e Segurança no Trabalho na Indústria da Construção. De acordo com essa norma regulamentadora, os tapumes devem ter altura mínima de 2,20 metros em relação ao nível do terreno.

Em alguns municípios, há licenças específicas que permitem avançar o tapume em até um terço do passeio, beneficiando a construção por garantir mais espaço ao canteiro
Márcia Eliana dos Santos Arruda

Os tapumes também são regulados por legislações municipais. “Em alguns municípios, há licenças específicas que permitem avançar o tapume em até um terço do passeio, beneficiando a construção por garantir mais espaço ao canteiro”, comenta Arruda.

O mercado disponibiliza tapumes confeccionados com diferentes matérias-primas. A escolha do modelo ideal depende de fatores como duração e tipologia da construção, condições climáticas, e região onde a obra está sendo realizada.

As soluções mais usuais são:

• Madeira: podem ser de compensado ou de OSB. De custo mais competitivo, são recomendados para obras de menor duração.

• Metal: produzidos a partir de telhas de aços galvanizados. Podem ser usados em obras mais longas e ser reutilizados.

• Ecológicos: confeccionados a partir de chapas de plástico reciclado. “A utilização desses tapumes vem se tornando uma alternativa ao uso de madeirite com a vantagem de ser um material sustentável, resistente a pragas e às intempéries, além de fácil de limpar”, comenta Diego Dias, CEO da Ekko Group.

• Tela tapume: produzidas em polipropileno ou polietileno de alta densidade, servem como barreira sinalizadora e para o fechamento periférico de andares durante a construção.

• Gradis metálicos: podem ser usados para fechamento do canteiro de obras, quando se deseja garantir permeabilidade visual à obra.

Estética, durabilidade e custo são os principais fatores que impactam a escolha da solução para tapume. “Os modelos mais populares, fabricados em madeirite, têm uma durabilidade muito baixa e são ineficientes na perspectiva da ecologia, já que são descartados após cada obra, ou até mesmo antes do seu término”, afirma Márcia Arruda. “Em busca de uma solução mais durável e eficiente, temos utilizado um sistema composto por placas desmontáveis com chapas de aço mais espessas e que podem ser reaproveitadas até vinte vezes”, conta a engenheira.

PRÁTICAS RECOMENDADAS

Um dos erros a ser evitado é deixar de conferir os pontos de acesso para portão de entrada e saída de máquinas, veículos e pedestres
Diego Dias

Para a instalação de tapumes é importante que algumas boas práticas sejam seguidas. Entre elas há a limpeza do perímetro onde o painel será executado, e a escavação aproximada de um metro para instalação dos montantes.

“Um dos erros a ser evitado é deixar de conferir os pontos de acesso para portão de entrada e saída de máquinas, veículos e pedestres. Além disso, o tapume precisa ter o distanciamento suficiente para que possa haver a circulação”, destaca Diego Dias. Segundo ele, também é importante evitar o contato direto entre o tapume e a terra construindo uma região de apoio com concreto ou alvenaria.

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Colaboração técnica

 
Diego Dias — Pós-graduado em gestão empresarial pelo Insper e formado em administração pelo Mackenzie, é CEO da Ekko Group.
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(foto: Alexandre Sandrini)
Márcia Eliana dos Santos Arruda — Engenheira civil pós-graduada em engenharia de produção civil. É gestora de obras do Grupo EPO.