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O que mudou no PROCEL EDIFICA

Greici Ramos, pesquisadora do LabEEE, comenta sobre os novos requisitos da etiqueta de eficiência energética PROCEL EDIFICA.

Publicado em: 08/10/2010

Texto: Redação AECweb

Entrevista: Greici Ramos

O que mudou no PROCEL EDIFICA

Redação AECweb

O INMETRO está publicando a nova versão do RTQ – Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos - da etiqueta de eficiência energética PROCEL EDIFICA, que acaba de ser revisado. O desenvolvimento do documento e, agora, sua atualização contou com o apoio técnico do LabEEE – Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina, através de convênio com a Eletrobras. O laboratório é o único no país designado pelo órgão a avaliar e conceder a etiqueta que, em um ano, foi conquistada por 12 edifícios, sendo que outros 22 se encontram em análise. O desempenho energético dos edifícios é classificado numa escala que vai de ‘A’ (melhor) a ‘E’ (pior). Abrange envoltória, que equivale a 30% da pontuação; a iluminação, responsável por outros 30%; e o sistema de ar condicionado, com 40%.

“A etiqueta é um processo completamente novo no Brasil. Desde o seu lançamento, em julho de 2009, avaliamos vários edifícios e constatamos, na prática, necessidade de algumas adequações”, lembra Greici Ramos, doutorada em conforto ambiental e eficiência energética, e pesquisadora do LabEEE. A iluminação, segundo ela, foi o quesito que apresentou maior resistência do mercado. “O RTQ, antes, avaliava a iluminação por um método de cálculo que utilizava parâmetros já pouco adotados pelos projetistas. O foco era o equipamento de iluminação em si, e não o sistema completo. Com a revisão, ficou estabelecida a avaliação da carga instalada, ou seja, o sistema de iluminação do edifício tem que ser eficiente e não apenas o equipamento”, explica. A primeira versão do regulamento exigia dados como o fator de utilização das luminárias, que é o índice de distribuição da luz de cada equipamento no ambiente, obtido através de tabela que informa dados para cálculo manual. “Hoje, utilizamos apenas informações quanto a potencia instalada do sistema no ambiente, em função da área”, diz. Com isso, a avaliação se tornou mais simples e, ao mesmo tempo, mais abrangente.

Para essa avaliação, o novo RTQ criou dois métodos, oferecendo maior liberdade ao projetista que pode escolher o mais conveniente. O primeiro avalia o edifício na sua totalidade, e o outro apresenta um limite para cada ambiente, do escritório propriamente, até a copa e os corredores.

ENVOLTÓRIA

“Para a envoltória, mudamos o limite da absortância (cor das paredes) que estava bastante restritivo, passando de menor que 0,4 para menor que 0,5”, informa a pesquisadora, explicando que, antes, as paredes e a cobertura tinham que ser muito claras, tanto para atingir a classificação ‘A’ ou ‘B’ da etiqueta. O aumento do limite vale somente para o nível ‘A’. “Se o edifício não atender, ele automaticamente cai para a classificação ‘B’, e não para ‘C’ como na versão anterior. No nível ‘B’, essa exigência se restringe à cobertura, permitindo paredes um pouco mais escuras. “Não é aconselhável, mas é permitido”, comenta Greici Ramos, lembrando que o detalhamento de cálculo dos parâmetros da equação da envoltória, antes presente apenas no manual e no site, foi incorporado ao RTQ.

Segundo ela, o tamanho dos vãos tem grande impacto sobre o cálculo da eficiência energética do edifício. No caso das fachadas cortinas, com grandes áreas envidraçadas, para atingir níveis de eficiência é preciso que tenha bastante sombreamento, reduzindo a carga solar que entra no ambiente. “Tudo isso são cálculos”, diz.

AR CONDICIONADO

Os limites de eficiência do ar condicionado, balizados pelos critérios da Asharae 90.1, foram atualizados e se tornaram mais exigentes. O novo regulamento incluiu os equipamentos de absorção - abastecidos a gás –, acrescentou alguns pré-requisitos de isolamento da tubulação, e a exigência de COP para os equipamentos de aquecimento do ambiente.

PRÉ-REQUESITOS GERAIS

“Houve algumas alterações no quesito geral, que passou a cobrar eficiência também dos elevadores. Isto vai induzir a utilização de equipamentos mais modernos. Alguns desses quesitos só serão avaliados para edificações novas, até porque a substituição de elevador num retrofit nem sempre é viável economicamente", disse.

O PROCEL EDIFICA, dependendo do uso do edifício, nem sempre exige eficiência no aquecimento de água. “Num prédio de escritórios, por exemplo, esse item não tem tanto peso no consumo de energia. Já numa academia de ginástica, hospital, restaurante, hotel ou lavanderia, o impacto é alto. O regulamento especifica em quais edifícios o aquecimento de água deve ser cobrado e, para aqueles que não se encaixam, é dado um limite. Se, independente de sua ocupação, o prédio consome mais de 10% da energia com aquecimento de água, terá que cumprir o pré-requisito. O item é considerado tanto pré-requisito como bonificação da etiquetagem. “Como pré-requisito, o prédio pode ter água aquecida por painéis solares, a gás e bomba de calor. Já o elétrico é restrito à classificação ‘C’, enquanto que a bonificação só é concedida com o uso do aquecimento solar - energia limpa e mais eficiente”, lembra.

Outra bonificação do PROCEL EDIFICA é a de economia de água. “No regulamento antigo, para ganhar um ponto de bonificação era preciso atingir uma economia de 20%. Constatamos, no entanto, que adotando alguns procedimentos, o prédio atinge facilmente esse índice – alguns chegaram a 50%. Passamos a exigir, agora, 40% de economia - o que se consegue com o uso de arejadores nas torneiras, descarga econômica e reuso da água de chuva”, disse.

O conteúdo completo da nova versão do RTQ está disponível nos sites:

http://www.inmetro.gov.br/legislacao/detalhe.asp?seq_classe=1&seq_ato=1599

http://www.labeee.ufsc.br/eletrobras/etiquetagem/downloads.php

http://procelinfo.com.br/etiquetagem_edificios

Redação AECweb