Obra da Rodovia dos Tamoios enfrenta desafios de engenharia

Com 70% de túneis e viadutos, obra terá o cable crane, um teleférico de carga conduzido por cabos e erguido por torres treliçadas, para evitar abertura de acessos pela mata

Publicado em: 06/10/2016Atualizado em: 11/10/2016

Texto: Redação PE


Túnel em processo de perfuração pelo sistema Drill and Blast (Divulgação/ Construtora Queiroz Galvão)

A duplicação do trecho de serra da Rodovia dos Tamoios, que liga o Vale do Paraíba ao litoral paulista, é um dos mais complexos projetos de engenharia em realização no Brasil. Com previsão para ser concluída em 2020, a obra abrange 21,52 quilômetros de novas pistas construídas entre as cidades de Caraguatatuba e Paraibuna, com um trecho de 12,6 km com cinco túneis, sendo o mais extenso deles de 3.675 m, além de 11 obras de arte – uma ponte, um pontilhão e nove viadutos. A obra é executada pela Construtora Queiroz Galvão.

“Com traçado moderno, a pista contará com declividade limitada a 5%, curvas menos acentuadas e mais seguras e faixas de rolamento mais largas”, explica o gerente de engenharia da Concessionária Tamoios, Robinson Avila, completando: “Serão implantados túneis laterais para servir de rota de fuga e atendimento de emergência”.

IMPACTO AMBIENTAL CONTROLADO

A obra atravessa o Parque Estadual da Serra do Mar, uma das mais importantes unidades de conservação brasileiras, e a construção das pontes e viadutos vai evitar elevada supressão vegetal. Segundo Flávio Café, gerente de saúde, segurança e meio ambiente da Concessionária Tamoios, todas as ações de controle, mitigação e monitoramento dos impactos ambientais serão consistentes e eficazes, conservando a qualidade ambiental dessa área, considerada a maior unidade de conservação na Mata Atlântica brasileira.

“Todo o projeto de engenharia foi concebido de forma a minimizar os impactos ambientais. Como cerca de 70% do trecho é composto por túneis e viadutos, será utilizado um equipamento similar a um teleférico para realizar o transporte de materiais e de pessoas, evitando, assim, a abertura de novos acessos dentro da mata”, explica Café.

EQUIPAMENTOS ESPECIAIS

O equipamento citado por Flávio Café se chama cable crane e é uma espécie de teleférico de carga conduzido por cabos e erguido por torres treliçadas. Ele será montado para atender a uma frente de serviço: em vez de desmatar trechos para a construção de estradas de acesso para equipamentos, suprimentos e equipes, a logística será resolvida por cabos aéreos.

“A frota terá cerca de 170 equipamentos, que consumirão, aproximadamente, 160 mil litros de diesel por mês”, informa João Pimentel Gomes Filho, gerente de manutenção da obra. “A manutenção da máquina é feita preferencialmente, na oficina mecânica do canteiro. Na eventualidade de ser feita nas frentes de obra, deve ser usada uma bandeja coletora de óleo para evitar a contaminação da água e do solo”, explica Pimentel.

O coordenador de meio ambiente Edenil Hacker, acrescenta que os óleos e graxas resultantes da manutenção serão armazenados em bombas ou tonéis em bom estado de conservação, evitando, desse modo, um possível vazamento do produto e, por consequência, a contaminação ambiental. “A oficina do canteiro está localizada no km 52 da rodovia, em Paraibuna. A coleta é feita a partir de um volume mínimo de 8000 l, devido aos custos logísticos para a retirada desses resíduos”, esclarece.

CONSTRUÇÃO E MATERIAIS

De acordo com Robinson Avila, devem ser movimentados, ao todo, cerca de 3,2 milhões de m³ de material, além de serem utilizados 285 mil m³ de concreto e 35 mil toneladas de asfalto. “Além da construção dos trechos de duplicação, serão feitas obras de contenção de encostas para manter as vias em funcionamento, além de manutenção de sistemas de drenagens das pistas, sinalização da rodovia e melhorias do pavimento”, salienta Avila.

O método construtivo utilizado para a perfuração dos túneis é o de drill and blast, que significa explosão e perfuração. As perfurações são feitas por jumbos hidráulicos e, em seguida, são realizadas as detonações com o uso de explosivos. Depois, entram as pás carregadeiras e os caminhões para a retirada do material demolido.

DESENVOLVIMENTO LOCAL

Segundo Marcos Elia, assessor de comunicação da Concessionária Tamoios, a duplicação do trecho de serra da Rodovia dos Tamoios vai absorver a mão de obra local. “A contratação prioritária para trabalhar na obra é das pessoas que moram na região, com expectativa de gerar 1.101 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos”, contabiliza Elia.

Ele acrescenta que a Concessionária fez parcerias com instituições regionais para a realização de ações ambientais destinadas à preservação e a à multiplicação da fauna e da flora: “Com a Univap, a maior universidade na região, são desenvolvidas ações conjuntas em um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres por meio do plantio de 420 mil mudas feitas por uma ONG local, o Corredor Ecológico do Vale do Paraíba. Além disso, estão sendo alinhadas as políticas públicas do estado de SP para a proteção de nascentes da região”, finaliza Elia.

COLABORAÇÃO TÉCNICA:

  • Edenil Hacker, coordenador de meio ambiente - Construtora Queiroz Galvão
  • Flávio Café, gerente de saúde, segurança e meio ambiente da Concessionária Tamoios
  • João Pimentel Gomes Filho, gerente de manutenção da obra - Construtora Queiroz Galvão
  • Marcos Elia, assessor de comunicação da Concessionária Tamoios
  • Robinson Avila, gerente de engenharia da Concessionária Tamoios