Obra de metrô no RJ usa métodos de escavação de baixo impacto

Túneis da Linha 4 do metrô no RJ contam com dois métodos de escavação especiais por conta das particularidades do solo e do relevo carioca. Saiba mais

Publicado em: 22/10/2013Atualizado em: 17/10/2019

Texto: Redação PE

As obras metroviárias são vitais para a melhoria da infraestrutura e mobilidade urbana na cidade do Rio de Janeiro. Um dos projetos que foi amplamente debatido com a população e está em pleno vapor é a construção da Linha 4 do metrô. Iniciado em 2010 no bairro da Barra da Tijuca, o empreendimento deve ser inaugurado no primeiro semestre de 2016, após uma fase de testes operacionais.

Cerca de 5 mil operários trabalham nas obras da nova linha que terá 16 km de extensão com seis estações: Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz. Foram 36 as possibilidades de ligação analisadas entre a Estação General Osório/ Ipanema (Linha 1) e a Estação Jardim Oceânico, até haver um consenso do trajeto ideal.

O tempo de viagem nesse percurso será reduzido de 1 hora para 15 minutos. De acordo com a Concessionária Rio Barra, responsável pela implantação do projeto, a Linha 4 do metrô vai transportar cerca de 300 mil passageiros e retirar das ruas 2 mil veículos.

Atualmente, o sistema metroviário da cidade conta com 30 composições, cada uma com seis vagões. A partir de 2012, 19 novos trens começam a chegar para operar nas linhas 1 e 2. Em dezembro de 2015, com a inauguração da Linha 4 do metrô, chegarão mais 15 composições. Ao todo, serão 66 trens operando em todo o sistema metroviário da cidade, mais do que o dobro do número atual.

Para a execução das obras a concessionária contratou dois consórcios: o Consórcio Construtor Rio Barra, que atua no trecho Barra da Tijuca-Gávea e é formado pelas empresas Queiroz Galvão, Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia, Cowan e Servix. O segundo é o Consórcio Construtor Linha 4 Sul, constituído pela Queiroz Galvão, Odebrecht Infraestrutura e Carioca Engenharia, que se encarrega das construções entre Gávea e Ipanema. O valor total do projeto está estimado em R$ 8,5 bilhões.

Por dentro da construção

Dois métodos construtivos para os túneis subterrâneos são utilizados nesta obra: o Tunnel Boring Machine (TBM) e o New Austrian Tunnelling Method (NATM). O TBM é conhecido como “tatuzão”, tem 2 mil toneladas e 120m de comprimento por 11,5m de diâmetro (o equivalente a um prédio de quatro andares). O maior exemplar já utilizado na América Latina é responsável pela escavação entre as estações General Osório e a Gávea sem passar por baixo de prédios, o que minimiza o impacto das obras para população.

Esse método foi escolhido para a região devido às características do solo – frágil e poroso, um misto de areia, água e rocha. Além disso, os túneis cruzam áreas densamente povoadas. Em paralelo ao trabalho de escavação, a máquina conta com um sistema que instala automaticamente anéis de concreto ao longo do túnel, garantindo sustentação. Para evitar movimentações do terreno durante o processo, a parte frontal do aparelho, onde é instalada a roda de corte, dispõe de alta pressão.

Já o método NATM é aplicado na escavação entre estações Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, e São Conrado, na Zona Sul. Cerca de 5 quilômetros separam esse trecho, o que corresponde, segundo o consórcio, a uma das maiores distâncias entre estações de metrô do mundo. O trabalho é feito com detonações controladas e revestimento das paredes e abóbadas com chumbadores, tela e concreto projetado.

O Consórcio Construtor Rio Barra, responsável pela obra da Linha 4 do Metrô nesse trecho também adquiriu um robô alemão responsável pela concretagem do túnel. O equipamento produz 20 m³ por hora, o equivalente a três caminhões de concreto, o dobro do método até então utilizado naquela frente.

Os braços mecânicos operados por controle remoto fazem o papel do mangoteiro, operário que segura e direciona a saída do concreto que dá sustentação ao túnel em construção. Além disso, a máquina trabalha de forma sustentável, já que é ligada diretamente à rede de energia da obra e não a um caminhão a diesel.

Soluções ecológicas

As obras acontecem em sintonia com uma série de atividades voltadas à preservação do meio ambiente:

• Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos das Escavações (ETE)

A água utilizada nas escavações dos túneis é reconduzida à ETE para ser tratada. Após esse processo, o insumo é encaminhado aos reservatórios para que seja utilizada novamente no processo de escavação. Com isso, são economizados por dia 30 mil litros de água.

• Central de Tratamento de Resíduos

Foi construída para a separação dos resíduos recicláveis como papel, papelão, metais e plásticos que passam por um pré-tratamento e são encaminhados às empresas recicladoras. A obra conta ainda com palestras e campanhas junto aos funcionários, a fim de conscientizá-los sobre a importância em aderir à prática de separação dos resíduos.

• Reflorestamento

As atividades de reflorestamento também fazem parte do programa. Um hectare da área da Floresta Tijuca será reflorestado, o que compreende ao plantio de 2.500 espécies originárias da Mata Atlântica. A ação será realizada ainda este ano, em parceria com o Instituto Chico Mendes.

• Tratamento de esgoto

Cada um dos canteiros da obra conta com uma Estação de Tratamento de Efluentes de Esgoto Sanitário.

• Estações de Monitoramento da Qualidade do Ar

Essas estações avaliam a qualidade do ar no entorno dos canteiros de obras, controlando a emissão de material particulado.

• Animais resgatados nas obras

Animais recolhidos no canteiro de obras do Jardim Oceânico pela equipe de gestão do meio ambiente são entregues para o Grupamento de Socorro Florestal do Corpo de Bombeiros. A corporação recebe os animais, - entre os quais macacos, cobras, tatus e até preguiças - trata e em seguida devolve à natureza.

• Programa de Monitoramento e Conservação da Biodiversidade

O estudo é baseado em caracterizar fauna e flora nas regiões próximas, registrando a ocorrência e os aspectos comportamentais, com ênfase nas espécies endêmicas. O objetivo é cooperar para a conservação do meio ambiente das regiões onde há canteiros de obras.

 

Fontes: Secretaria de Estado de Transportes – SETRANS/ Consórcio Rio Barra/ Consórcio Construtor Linha 4 Sul
Alexandre Mahfuz - engenheiro responsável pelo "Tatuzão"
Foto: Rogério Santana