Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Canal de São Lourenço: conheça a complexa obra de dragagem

O desassoreamento vai aprofundar o canal dos atuais 6 para 11 m. Confira os desafios dessa complexa obra, os equipamentos utilizados e as soluções de engenharia

Publicado em: 28/05/2024

Texto: Hosana Pedroso

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O Complexo Industrial e Portuário de Niterói (RJ) poderá ser acessado por navios de maior porte dentro de 15 meses, tempo previsto para a finalização das obras de dragagem do Canal de São Lourenço. Com investimentos de R$ 137 milhões da Prefeitura de Niterói e R$ 20 milhões da Companhia Docas do Rio de Janeiro, empresa pública ligada ao governo federal, o desassoreamento, iniciado em 02 de abril último, abrangerá uma área total de 3,8 hectares.

A DTA Engenharia, líder do consórcio responsável pela execução do serviço, considera essa uma obra complexa. “É um canal confinado, com margens ocupadas e constante tráfego de embarcações, o que deve demandar contínuo alinhamento junto aos atores portuários para manutenção da segurança da navegação”, informa o engenheiro Gustavo Luiz Giorgiano, gerente de Engenharia da DTA.

Clique aqui, siga o canal do Portal AECweb no WhatsApp e receba os melhores conteúdos sobre construção civil no seu celular.

A retirada de toneladas de sedimentos vai aprofundar o canal de 6 para 11 m em alguns trechos, desde o Porto de Niterói até o Terminal Pesqueiro – este último inaugurado há 15 anos e nunca utilizado por falta de acesso marítimo. “Haverá importante benefício para a circulação e renovação hídrica, bem como para a geometria da via navegável e as profundidades. A obra atenderá ao navio tipo de cada trecho”, acrescenta.

O objetivo das autoridades é que a obra induza o aumento de 30% da capacidade de operação dos estaleiros, desenvolva a indústria de embarcações e o setor de reparos e offshore. Espera-se, também, a criação de cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos durante a dragagem.

Infográfico

Profundidades atuais e futuras

No canal principal e no canal de acesso ao Porto de Niterói, as menores profundidades estão entre 6 e 7 m. O desassoreamento atingirá, no canal principal, profundidade alvo de 11 m e de 9 m no canal de acesso ao Porto de Niterói.

“Destaca-se que a obra será realizada em diversos trechos com navios tipo e morfologias de fundo distintas. Logo, para cada trecho, de acordo com seu navio tipo, existem traçados geométricos e profundidades alvo singulares”, afirma o engenheiro, indicando que a dragagem será realizada em áreas ao redor da Ilha da Conceição, incluindo regiões do trecho entre a Ilha da Conceição e a Ponte Rio-Niterói.

A previsão da DTA é que um total de 1,6 milhão m³ de sedimentos serão dragados. Desses, 1,3 milhão m³ são identificados como material não contaminado que, portanto, deverá ser descartado em área de bota-fora oceânico – poligonal de descarte do material, licenciada pelo Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (INEA).

Vista aérea de um grande navio no mar(Foto: Divulgação)

O tratamento dos 300 mil m³ de sedimentos contaminados será feito com o acondicionamento em geobags, de acordo com as diretrizes da Resolução Conama Nº 454/2012. “Posteriormente, esse material será destinado a aterro licenciado pelo órgão ambiental estadual”, diz o engenheiro.

O sedimento contaminado é referente à classificação do Conama quanto à presença de metais. Foram feitas amostragens da água na superfície, meio e fundo, em diversos pontos de coleta. Análises laboratoriais estudaram a presença percentual de chumbo, cobre, cromo, mercúrio, níquel e zinco, apontando que é preciso adotar cuidados especiais no processo de dragagem.

Soluções de engenharia

De acordo com Giorgiano, o que diferencia esse projeto de dragagem dos demais é a necessidade de soluções de engenharia, com uso de diversos tipos de draga, como autotransportadoras (hopper), clamshell e dragas de sucção e recalque. Para os trechos mais profundos foi escolhida uma draga autotransportadora em conjunto com dragas mecânicas e batelões. Nas áreas mais rasas e com maiores restrições de manobrabilidade, vão operar as dragas de sucção e recalque.

“Os equipamentos são definidos com base nas premissas de engenharia de dragagem, estabelecendo-se frentes de serviço e marcos a serem atingidos. A escolha dos equipamentos é dada em função do tipo de material e das profundidades atuais observadas em batimetria, de modo que se possa trabalhar com segurança”, explica.

Pequeno navio no mar participando das obras de dragagem do Canal de São Lourenço, no Rio de Janeiro(Foto: Divulgação)

As dragas autotransportadoras e de sucção e recalque utilizam bombas para remoção e transporte do material, enquanto as dragas backhoe e clamshell adotam meios mecânicos. Haverá, inclusive, momentos de operação simultânea desses equipamentos.

Para a execução das obras de desassoreamento serão necessários canteiros nas margens do canal. São áreas para apoio aos equipamentos e, também, para o tratamento do material destinado aos geobags. “Tanto para os espaços ocupados em terra quanto em água, contamos com a colaboração da comunidade portuária de Niterói”, ressalta.

As obras de dragagem foram licenciadas pelo INEA – Licença de Instalação LI nº IN052763 –, com 30 condicionantes específicas a serem atendidas pelo Município de Niterói, detentor da licença.

Veja outros infográficos:

Arena MRV
Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein
Conjunto habitacional São Sebastião
Casa The.Eng | exemplo de construção industrializada

Colaboração técnica

Gustavo Luiz Giorgiano – É Engenheiro Civil com ênfase em sistemas construtivos, formado pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Tem experiência de nove anos em Engenharia Portuária com importantes projetos e obras de dragagem nos principais portos do Brasil.