Obras com estruturas pré-fabricadas dependem de bom projeto estrutural

Os melhores resultados técnicos e financeiros costumam ser obtidos quando há uma sintonia fina entre projetistas e fabricantes de estruturas. Saiba mais

Publicado em: 02/09/2020

Texto: Juliana Nakamura

sistemas industrializados
A utilização de sistemas industrializados possibilita maior agilidade à construção (foto: bogdanhoda/shutterstock)

A construção baseada no uso de sistemas industrializados pode proporcionar uma série de vantagens, como velocidade de execução, precisão e redução de riscos e de desperdícios. No caso dos pré-fabricados de concreto, o seu uso está associado à maior previsibilidade de custos e à economia, resultante da maior agilidade da construção, da redução considerável da mão de obra alocada no canteiro, e da otimização da gestão da obra. Há, ainda, uma melhoria considerável de qualidade, uma vez que as peças são produzidas em instalações industriais submetidas a um rígido controle de produção.

Para obter esses e outros ganhos, o projeto estrutural é um elemento essencial. Ele precisa contemplar uma série de variáveis que vão muito além do atendimento às normas técnicas vigentes e que se somam àquelas que já seriam analisadas naturalmente para a concepção da estrutura.

“A adoção de sistemas construtivos industrializados requer maior planejamento e origem integrada durante a fase de projeto”, comenta a engenheira Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic). Segundo ela, quanto melhor for a interação entre a equipe de projeto com o fabricante de pré-fabricados, melhor tende a ser o resultado, tanto no aspecto técnico, quanto no econômico. Vale lembrar que, além de impactar o desenvolvimento das etapas subsequentes, a estrutura pode responder sozinha por até 30% do custo de construção dos edifícios.

SINTONIA FINA COM A INDÚSTRIA

Os pré-fabricados de concreto têm duas particularidades técnicas que demandam a atenção dos projetistas. Em primeiro lugar há as situações transitórias, que envolvem desforma, movimentação, armazenamento, transporte e montagem. Há, ainda, as ligações, que são elementos críticos para a estabilidade da estrutura em funcionamento e durante a fase de montagem.

Além disso, quando se fala em sistemas industrializados é importante considerar que o projeto de estruturas precisa atender, simultaneamente, as necessidades da arquitetura, da obra e da fábrica de pré-fabricados. isso significa que o projetista deve fornecer um detalhamento correto para a produção e considerar, entre outros fatores, o maquinário disponível para corte e dobra, a capacidade das pontes rolantes e a posição das alças para movimentação das peças.

De acordo com o engenheiro Luiz Livi, diretor da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), os profissionais que conhecem os produtos e serviços oferecidos pelas indústrias de pré-fabricados tendem a produzir projetos mais racionais. “Não é mandatório que o projetista conheça a fábrica, mas é desejável que ele consiga ter uma boa interação com a indústria na busca pelas melhores soluções”, afirma Livi, ressaltando que o custo da estrutura pode reduzir bastante quando compatibilizado com as condições fabris. “Ganhos podem ser obtidos, por exemplo, quando se prioriza o uso de moldes padronizados, em vez de exigir a confecção de formas novas”, continua o engenheiro.

Além disso, boas soluções são mais facilmente obtidas quando a estrutura é concebida prevendo o uso de pré-fabricados desde o projeto preliminar em vez de ser meramente adaptada de um método tradicional.

LOGÍSTICA NO PROJETO

Além dos aspectos relacionados à produção das peças pré-fabricadas, o projeto de estruturas não pode estar dissociado da logística de transporte e de movimentação no canteiro. Um objetivo a ser perseguido é facilitar a montagem da estrutura e a execução das etapas subsequentes.

Segundo Livi, o uso do pré-fabricado tende a ser mais competitivo quando o projeto considera fatores como o equipamento de içamento disponível pela construtora e, até mesmo, o raio de curva das carretas.

Além disso, o projeto deve ter, entre suas prioridades, viabilizar a sequência de montagem mais produtiva e econômica. A depender das características de cada obra podem ser necessárias soluções especiais, como a divisão e posterior emenda das peças muito compridas para viabilizar o transporte.

Os engenheiros Íria Doniak e Luiz Livi realizaram uma palestra sobre a importância do projeto estrutural para viabilizar obras com pré-fabricados de concreto. Clique aqui para conferir o evento completo promovido pelo AECweb e patrocinado pela Gerdau.

Colaboração técnica

Íria Lícia Oliva Doniak – Engenheira civil formada pela PUC/Paraná, é presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).
Luiz Otávio Livi – Engenheiro civil, pós-graduado em marketing, com MBA em gestão estratégica das organizações. É diretor de engenharia na Pré-Infra Pré-fabricados e Infraestrutura, diretor de estruturas pré-fabricadas da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) e diretor de marketing da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).