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Patologias da pintura: saiba evitá-las

Eflorescência, descascamento, saponificação e desagregamento das tintas são problemas facilmente prevenidos. Limpar a superfície de forma adequada, diluir, aplicar e armazenar a tinta corretamente são procedimentos simples e eficazes

Publicado em: 22/11/2012Atualizado em: 23/10/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket
Publicado em 22/11/2012


Revestir paredes com uma camada de tinta, além de transformar visualmente o ambiente, proporciona uma série de benefícios, como resistência, durabilidade, valorização e higiene. Contudo, é necessário conhecer o produto que será utilizado para que a solução não vire um problema, já que existe uma tinta diferente para cada tipo de superfície. A arquiteta Adriana de Andrade Freire explica que o preparo da superfície a ser pintada e a especificação do tipo adequado de tinta são as etapas que necessitam de mais atenção, a fim de evitar transtornos no futuro. “Também é necessário cuidado no momento de dissolver o produto. Se todas as recomendações do fabricante forem seguidas, é mais difícil que ocorram patologias como descascamento, mofo e bolhas”, comenta, definindo essas e outras ‘doenças’, causas e soluções.

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Patologias

Eflorescênciasão manchas esbranquiçadas que surgem na superfície pintada. Esse problema acontece quando a tinta é aplicada sobre o reboco úmido. A liberação de vapor deposita materiais alcalinos na parede, o que causa as manchas.
Saponificaçãoé o estágio seguinte da eflorescência. Se as manchas não forem tratadas, a superfície começa a apresentar aspecto pegajoso, o que provoca o retardamento da secagem dos esmaltes.
Descascamento de alvenariaplacas de tinta que se soltam da parede. Acontece quando a superfície a ser pintada está empoeirada ou com partes soltas, tais como: caiação e reboco novo não lixado.
Mofosurgimento de manchas escurecidas e que exalam fortes odores. Aparece em ambientes úmidos ou com frequentes mudanças de temperatura. Outro fator que pode contribuir para a proliferação dos fungos é a pouca iluminação, pois favorece o desenvolvimento dos micro-organismos causadores do problema.
Bolhaspodem aparecer bolhas sobre a superfície pintada quando se utiliza massa corrida em ambientes externos, o que proporciona a absorção de umidade. Repinturas sobre paredes onde não se tenha extraído toda a poeira ou reaplicação de uma tinta sobre outra de má qualidade sem as devidas preparações também são fatores que podem influenciar no aparecimento das bolhas.
Enrugamentoa pintura apresenta aspecto enrugado devido a uma aplicação excessiva do produto, seja em uma ou em sucessivas demãos, em que a primeira não foi convenientemente seca. A superfície também pode ficar enrugada quando a secagem é feita sob intensa incidência do sol.
Crateraso surgimento de crateras pode acontecer devido à presença de óleo, graxa ou água na superfície. Também ocorre quando a tinta é diluída com materiais não recomendados como gasolina ou querosene.
Desagregamentodestruição da pintura, que se esfarela e se destaca da superfície juntamente com partes do reboco. Este problema ocorre quando a tinta é aplicada antes da cura do reboco.

Causas

De acordo com Adriana, os fatores que estão diretamente relacionados às patologias das tintas vão desde a escolha do produto e a preparação da superfície até as condições climáticas. Antes de começar a pintura, é necessário pesquisar qual a tinta mais adequada para a situação, pois no mercado existem produtos específicos para cada ambiente e superfície. Optar por uma tinta inadequada pode comprometer todo o trabalho. “A ausência de preparação da superfície ou sua realização de maneira insuficiente fará com que a pintura apresente pulverulência, contaminações, sujeiras, bolor, materiais soltos e substrato poroso”, diz a arquiteta.

Também ocorrem problemas em tintas aplicadas em paredes instáveis, como quando a argamassa ou o concreto ainda não curaram ou se a superfície está deteriorada ou friável. Para pintar um reboco novo, deve-se aguardar cerca de 28 dias para a cura.

Condições meteorológicas inadequadas como a exposição excessiva ao sol, a umidade e ventos fortes, também são fatores que influenciam no resultado final da pintura. “Por exemplo, após período chuvoso, é necessário aguardar pelo menos três dias de estiagem para que a umidade absorvida pela alvenaria evapore”, ensina a arquiteta. Já a incidência da luz solar na parede pode fazer com que o solvente evapore rapidamente, antes do necessário para a tinta curar.

Adriana também chama a atenção para as especificações do fabricante. Diluição excessiva da tinta ou formulação inadequada também são causas comuns de problemas.

Como evitar

Além desses cuidados, também é necessária atenção com as tintas. “Ao abrir a lata, é indicado homogeneizar a tinta com uma espátula retangular – objetos cilíndricos não têm a mesma eficácia. Atentar também para o uso de material limpo, pois há risco de contaminação com a utilização de equipamentos sujos”, disserta a arquiteta, que alerta: “a tinta deve ser diluída de acordo com o indicado na embalagem do produto”. Diluição em excesso pode fazer com que cores intensas criem manchas esbranquiçadas e escorrimento da tinta, entre outros problemas. Por outro lado, se a diluição for insuficiente, além de tornar a aplicação pesada, haverá a perda no alastramento da tinta, deixando-a com aspecto de casca de laranja.

O excedente de tinta deve ser mantido dentro da lata, que precisa ser bem fechada para evitar contaminação. Merece atenção especial a pintura de superfície horizontal ou um pouco inclinada, pois nelas é comum o depósito de partículas em suspensão, o que prejudica o resultado final.

Quando a tinta for aplicada em paredes já pintadas anteriormente, e que estão em boas condições, é necessário limpar bem a superfície, lixar e só depois passar a nova demão de tinta. Caso a parede apresente más condições, a tinta antiga deve ser completamente removida e, a seguir, proceder como se fosse uma superfície nova.

“Paredes mofadas precisam ser cuidadosamente limpas, o que envolve a escovação da superfície, seguida por banho com uma solução de água potável e sanitária, deixando agir por 30 minutos. Depois, é preciso enxaguar a região com água potável, aguardar a secagem completa para, então, iniciar a pintura”, informa.

COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Adriana de Andrade Freire – Arquiteta, é pós-graduada em Materiais de Construção Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou nas reformas do parque Municipal de Belo Horizonte e do viaduto Santa Tereza.