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Perfis de aço podem agregar agilidade e economia a contenções de solos

Técnica é realizada com a cravação de perfis estruturais de aço junto às divisas do terreno. Racionalização de recursos, facilidade de cravação e baixa geração de resíduos são vantagens

Publicado em: 18/04/2018Atualizado em: 09/11/2018

Texto: Juliana Nakamura

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Relação custo-benefício é uma das vantagens (Foto: Divulgação MBigucci)

A contenção vertical com painéis estruturados por perfis de aço é uma técnica tradicional utilizada em obras de edificações e de infraestrutura. Seu principal apelo é a racionalização de recursos. As estacas de aço são cravadas junto ao limite das escavações e podem compor dois métodos construtivos em especial.

No primeiro, mais utilizado em obras de edificações com subsolos para garagens, os perfis formam cortinas de contenção mistas, estruturando painéis de concreto armado. Outra solução técnica, mais aproveitada em obras de infraestrutura viária, prevê o uso de estacas-prancha de aço cravadas no solo por bate-estaca, justapostas e intertravadas por meio de encaixes macho-fêmea.

GANHOS EM POTENCIAL

Em ambos os casos, o que explica o interesse das construtoras por essas metodologias são fatores como facilidade de cravação e menor geração de resíduos, alta capacidade de suporte de cargas, possibilidade de os mesmos perfis serem utilizados como fundações servindo de apoio das lajes periféricas da edificação, e a menor espessura final do arrimo.

“Outro aspecto positivo é a relação custo-benefício”, resume o engenheiro Milton Bigucci Junior, diretor técnico da MBigucci. Ele conta que sua construtora, sempre que possível, opta por essa solução em função do custo mais competitivo e da possibilidade de otimizar serviços e cronograma, uma vez que além de conter o solo, os perfis podem servir como apoio para partes da estrutura.

QUANDO USAR?

Tais vantagens não significam que a contenção com perfis de aço deva ser aplicada indiscriminadamente. Em primeiro lugar, a técnica não é aplicável a qualquer tipo de terreno, segundo o consultor Luiz Antonio Naresi Júnior, especializado em engenharia geotécnica. “Em solos com presença de rocha e matacão não conseguimos ter eficiência na cravação das estacas metálicas”, explica.

Outro aspecto positivo é a relação custo-benefício
Milton Bigucci Junior

Na construção de edifícios multipavimentos, a contenção com perfis de aço é viável para conter escavações mais rasas, em geral com até dois subsolos ou seis metros. Isso porque a técnica exige deixar um talude de proteção até o travamento dos perfis, o que é feito, na maioria das vezes, com a execução da laje. “O talude de proteção costuma interferir na área de fundação de alguns pilares, tornando impossível a execução do sistema. Daí a importância de a altura da contenção ser compatível com essa solução, uma vez que, quanto maior for a altura, maior deverá ser o talude e maior será o risco de existir a interferência com alguma fundação de pilar”, continua Bigucci.

SOLUÇÕES COMBINADAS

Os perfis de aço também podem ser utilizados em conjunto com outros sistemas de contenção, eliminando ou diminuindo a existência do talude de proteção e permitindo atingir escavações mais profundas.

“Nesses casos, é necessário comparar cuidadosamente os custos para conferir se a solução mista oferece vantagens”, diz Bigucci, que adotou essa tecnologia nas obras do complexo Marco Zero MBigucci, em São Bernardo do Campo (SP), com entrega prevista para esse ano. Nesse empreendimento com torres residenciais e comerciais, a combinação de contenção com perfil metálico e solo grampeado mostrou ser o mais viável para execução de três níveis de subsolo.

ETAPAS DE EXECUÇÃO

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Perfil metálico e solo grampeado na obra do Complexo Marco Zero (Foto: Divulgação MBigucci)

A execução de contenção com perfis de aço e painéis de concreto pré-fabricado é relativamente simples e contínua. Após a escavação do subsolo e a cravação das estacas com bate-estaca, os painéis de concreto são instalados entre os perfis de aço, constituindo a cortina de contenção. “A escavação ocorre simultaneamente com a montagem das cortinas até concluir todo o perímetro da obra, que deverá avançar até a cota da próxima laje. As cortinas são então travadas na armação das lajes de cada subsolo e do térreo”, explica Naresi. Após a cravação dos perfis metálicos são executadas as ancoragens, dimensionadas em função das características do solo, das construções vizinhas existentes e das etapas definidas no projeto.

“Um ponto que demanda atenção na execução de contenções com perfis de aço é a mobilização do bate-estacas, que pode gerar dificuldades em locais de difícil acesso”, salienta Naresi. Para o consultor em geotecnia, outros pontos críticos e que pedem cuidado especial de construtores e projetistas são a logística no canteiro relacionada à armazenagem e ao transporte dos perfis metálicos, e a vibração no momento da cravação, que exige o mesmo monitoramento rigoroso aplicado aos demais métodos de contenção de solos.

Colaboração Técnica

Luiz Antonio Naresi Júnior – Engenheiro-civil pós-graduado em engenharia geotécnica. É membro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e consultor de fundação pesada e geotecnia da Progeo Engenhar

Milton Bigucci Junior – Engenheiro-civil formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia e advogado formado pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. É diretor técnico da construtora MBigucci, vice-presidente da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC e membro da Vice-Presidência de Tecnologia do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).