Perfuratrizes hidráulicas: opção a bate-estacas contra ruídos

Obras de fundação de complexo formado por torres corporativas e shopping center na Avenida Paulista estão menos barulhentas com uso de perfuratrizes hidráulicas

Publicado em: 12/09/2013Atualizado em: 05/12/2019

Texto: Redação PE

Quem passa na esquina da Av. Paulista com a Rua Pamplona, em São Paulo, além de se encantar com as verdadeiras obras de arte nos tapumes que retratam a região no século passado, não sabe que no local onde existia a mansão da família Matarazzo foi realizada uma das obras de fundação de maior complexidade técnica do País.

Nesse espaço - um dos metros quadrados mais caros da América Latina - é construído um complexo com torre comercial e shopping center, com 43 mil m² de área locável, 22 mil m² de área privativa de escritórios e 21 mil m² de área de shopping. A obra é realizada pelas incorporadoras Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e a Cyrela Commercial Properties (CCP).

Ao longo dos meses em que foi realizada a etapa de fundação, o normal era que houvesse muito barulho devido à movimentação de máquinas, bate-estacas e caminhões, mas o desafio do projeto foi utilizar máquinas de alta tecnologia capazes de reduzir a emissão de ruídos e causar o mínimo de interferência na rotina da cidade.

Cerca de 80 equipamentos trabalharam diariamente e, embora o silêncio tenha sido quebrado algumas noites com o desembarque de máquinas, devido às restrições impostas pela prefeitura, os equipamentos tinham baixa emissão de ruídos, com amortecimentos acústicos.

Entre escavadeiras, guindastes, caminhões, carregadeiras e carros pipa, as perfuratrizes hidráulicas roubaram a cena. Elas eliminam o terrível barulho dos bate-estacas, "pesadelo" da vizinhança de qualquer obra em fase de fundação.

O método utilizado foi o de estacas escavadas de grande diâmetro com fluído estabilizante, sistema de baixo impacto sonoro, escavadas mecanicamente e moldadas “in loco” com emprego de lama polimérica (para suporte das escavações) por meio de concretagem submersa.

Foram empregadas perfuratrizes hidráulicas semelhantes às utilizadas em hélice contínua ou mesas rotativas acopladas em guindaste, que acionam uma haste telescópica (Kelly), equipadas na sua extremidade com baldes, caçambas ou trados.

Segurança

O empreendimento além de ter chamado atenção pelo ponto de vista geotécnico, apresentou cuidados redobrados de segurança já que o fluxo de pessoas é intenso nas ruas e no subsolo. Foi escavado cerca de 9 mil m² em um terreno com área de 11.700m² entre as ruas São Carlos do Pinhal, Pamplona e Avenida Paulista e a primeira atividade foi construir as paredes diafragmas, para em seguida executar a escavação da caixa do subsolo.

A proximidade com o túnel por onde passa o metrô, na Paulista, exigiu dos  responsáveis técnicas precisas, complexas e seguras, como maior espessura das paredes de diafragma (50cm) contidas com tirantes de aço, que não interferem na segurança das obras metroviárias já realizadas.

Fonte: Clóvis Salioni Júnior - diretor da Geosonda S/A serviços de engenharia
Foto - Divulgação