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Piscina com borda infinita deve ser implantada em terrenos com declive

A diferença básica em relação às piscinas convencionais está na borda que necessita de inclinação e causa o transbordamento da água, criando a sensação de infinito

Publicado em: 21/11/2014Atualizado em: 16/11/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Piscina borda infinitaPiscina com borda infinita no Hotel Gungaporanga
Foto: Rogério Maranhão

O principal pré-requisito para projetar uma piscina com borda infinita, de acordo com o arquiteto Paulo Veloso, titular do escritório Paulo Veloso Arquitetura e Consultoria, é a irregularidade do terreno ou a variação de altura entre o nível da piscina e o do solo, em que o primeiro deve ser sempre mais elevado do que o segundo. “Se pudermos aliar isso a uma perspectiva com o horizonte ou bela paisagem ao fundo, é a condição perfeita para o uso desse tipo de borda”, afirma Veloso. Além do cenário, outras características interferem no momento de optar pela borda infinita. “Terreno com declive proporciona boas situações para esse tipo de piscina. É interessante, ainda, implantar essa solução com orientação poente, para melhor aproveitamento do sol no aquecimento da água e criação de paisagem de pôr do sol através da borda infinita”, completa o arquiteto Felipe Bastos, coordenador de Projetos no escritório DB Arquitetos.

Piscina borda infinitaPiscina com borda infinita no Hotel Gungaporanga
Fotos: Rogério Maranhão

Bastos diz que não é apropriado projetar essa solução para locais enclausurados, sem horizonte, pois assim o conceito de continuidade da borda infinita se perderá. “A utilização também é impraticável em situações onde a piscina não possa ter o nível elevado em relação ao terreno. Não adianta forçar, só para criar a borda infinita”, complementa Veloso.

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PREÇO

Terreno com declive proporciona boas situações para esse tipo de piscina. É interessante, ainda, implantar essa solução com orientação poente, para melhor aproveitamento do sol no aquecimento da água e criação de paisagem de pôr do sol através da borda infinita
Felipe Bastos

Segundo Bastos, a piscina de borda infinita é cerca de 15% mais cara do que as convencionais. “A borda infinita pressupõe maior consumo de revestimentos, sistema mais completo de calha, retorno e drenagem, e tudo isso onera o valor da construção. Essa piscina deve ter uma calha, tanque de captação perto da casa de máquina e, se possível, bomba exclusiva para que a água que transbordou seja captada e retorne ao filtro”, explica Veloso.

PROJETO

O mais indicado para estrutura desse tipo de piscina é o concreto armado, que deve ser impermeabilizado. A diferença básica em relação às piscinas convencionais está na borda que necessita de inclinação que causa o transbordamento da água, criando a sensação de infinito. Essa água que transborda cai em uma calha de concreto armado, localizado em um nível mais baixo do que a borda infinita, e é levada através de tubulações para um reservatório, onde é bombeada de volta para a piscina.

Piscina borda infinitaPiscina com borda infinita em apartamento na Alameda Tietê, São Paulo
Fotos: Tuca Reinés

Apesar de o material mais indicado ser o concreto armado, há outras opções. “Fabricantes de piscinas vinílicas também executam a borda infinita, porém vale ressaltar que o resultado estético não é interessante, como acontece com uso do concreto, e o vinil desbota com mais facilidade quando não está molhado”, alerta Bastos, lembrando que as piscinas de borda infinita, quando não estão em uso, têm suas bordas de transborde normalmente secas”, avalia Bastos.

A calha deve ser impermeabilizada e revestida, inclusive com o mesmo material usado para o revestimento da piscina, pois a água que transborda voltará para a piscina e deve estar limpa
Paulo Veloso

Sobre as novidades em materiais e pastilhas que integram a piscina à paisagem local, Veloso comenta que as pedras naturais são bastante decorativas, mas deve-se atentar para os tipos que têm baixa porosidade e bom desempenho dentro da água. “Há pastilhas de todos os tipos e todo dia são lançadas opções novas, antiderrapantes e com cores exclusivas. É positivo usar cores diferentes também, há casos de piscinas lindíssimas com tons de verde, amarelo e até vermelho. A integração com a paisagem depende do conceito e objetivo do projeto”, destaca. O acabamento ideal para maximizar o efeito de borda infinita tem de ser feito com material de tonalidade semelhante àquela predominante na paisagem.

CUIDADOS

Os cuidados com a piscina de borda infinita são praticamente os mesmos das convencionais, porém há alguns itens que pedem cuidados específicos. “A calha deve ser impermeabilizada e revestida, inclusive com o mesmo material usado para o revestimento da piscina, pois a água que transborda voltará para a piscina e deve estar limpa”, ressalta Veloso. Já o arquiteto Bastos ressalta que “os ralos da calha abaixo da borda infinita normalmente ficam em área de pouca visibilidade. É recomendável verificação periódica para evitar entupimento”, completa Bastos.

MODA OU ALTERNATIVA?

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Piscina com borda infinita - Terra Vista lote 77, Bahia
Foto: Tuca Reinés

De acordo com Veloso, a opção da piscina com borda infinita não é questão de moda. “É uma forma a mais de se desenvolver o projeto. A borda infinita não é premissa para se ter uma boa piscina, depende de cada projeto e a borda é um detalhe importante. Em algumas situações, a vocação da piscina pode ser o oposto de uma borda infinita, por exemplo, com a borda embutida no deck. Às vezes, quem solicitou o projeto quer uma piscina, mas não sabe de qual tipo e cabe ao arquiteto enxergar o potencial no terreno para o uso da borda infinita”, afirma.

Bastos concorda e diz que as piscinas de borda infinita não são uma moda, e sim alternativa de projeto. “É uma opção que em determinadas situações se torna mais interessante esteticamente do que a piscina com borda convencional. A boa arquitetura deve sempre tomar partido das situações que o terreno e o entorno proporcionam, utilizando elementos que valorizem o projeto”, conclui.

Colaboraram para esta matéria

Carlos Dränger
Paulo Veloso – Arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Desenvolveu projetos de arquitetura residencial, comercial e interiores no Brasil e exterior como autônomo. Atualmente, é titular do escritório Paulo Veloso Arquitetura e Consultoria.
Carlos Dränger
Felipe Bastos – Arquiteto graduado em 2012 pela FAAP. É coordenador de Projetos no escritório DB Arquitetos – David Bastos Arquitetura.