Piso aquecido auxilia no conforto térmico da edificação

Cada vez mais presente em edificações brasileiras, o sistema aquece todo o ambiente onde foi instalado, sem ressecar o ar ou queimar oxigênio. Veja mais sobre instalação e manutenção

Publicado em: 25/04/2018Atualizado em: 04/05/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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O piso aquecido é um sistema completo de calefação (crédito: shutterstock/Dagmara_K)

O piso aquecido é opção para substituir o uso de sistemas convencionais que elevam a temperatura dos ambientes. “É importante deixar claro que o calor no chão é um ‘brinde’, afinal, trata-se de solução completa de calefação”, explica Scheyla Ciruelos, diretora da Hotfloor. Fisicamente, o ar quente é menos denso que o ar frio e tende a subir, gerando sensação agradável no interior da edificação.

Desenvolvido nos Estados Unidos, o sistema é, basicamente, controlado por um termostato. “Quando o nível de calor está abaixo do desejado ou da faixa previamente programada, o dispositivo aciona o funcionamento do sistema. Os circuitos começam a operar até que o ambiente atinja a temperatura adequada”, detalha o engenheiro Cleverson Callera, gerente de Vendas Técnicas do Grupo Astra.

Além do termostato, outro elemento importante é o cabo calefator. “Os melhores são os italianos por agregarem alto desempenho e baixo consumo de energia”, comenta Ciruelos. Ainda integram o conjunto as mantas de tratamento térmico, as cintas metálicas para fixação e as placas de isopor. Sobre a instalação é assentado o revestimento de piso, que pode ser de qualquer tipo.

É importante deixar claro que o calor no chão é um ‘brinde’, afinal, trata-se de solução completa de calefação
Scheyla Ciruelos

INDICAÇÕES

Quando o piso aquecido começou a chegar ao Brasil, no início da década de 1990, seu principal aproveitamento era nos banheiros. A preferência é explicada pelo fato de muitos usuários se incomodarem de pisar no chão gelado logo após o banho quente. Com o passar do tempo, o produto foi ganhando espaço dentro das casas e, atualmente, está presente em praticamente todas as áreas internas.

“A solução é indicada para qualquer ambiente, mas o ideal é a especificação para locais fechados, pois é onde o piso aquecido funciona melhor”, destaca Callera. Sem causar interferências na decoração e não sendo fonte geradora de ruídos, o sistema se torna opção interessante para os quartos e salas de estar. Também substitui o ar-condicionado em edificações ocupadas por pessoas com problemas de respiração, como a rinite.

Pode ser instalado tanto em novos empreendimentos quanto em edificações já existentes. Porém, no segundo caso, é necessário que o ambiente sofra uma grande intervenção para execução do sistema de aquecimento sob o piso. “Com isso, o produto acaba sendo mais indicado para obras novas ou residências que estão passando por reformas”, afirma Ciruelos.

INSTALAÇÃO

Antes de iniciar qualquer atividade, é recomendada a adequação da infraestrutura elétrica, preparando a residência para a carga extra de energia. As mudanças necessárias são comuns, semelhantes àquelas realizadas na instalação de um sistema de ar-condicionado. Nessa etapa, também é possível verificar se as soluções de automação já presentes na residência são compatíveis com o piso aquecido — isso quando o sistema for automatizado.

O procedimento de execução começa com a criação de camada de isolamento térmico por toda a área que será atendida pelo sistema. Para isso, é usado um isopor especial que evita a fuga do calor para parte inferior do piso. “Em seguida é executado o contrapiso, que recebe uma malha de aço que proporciona resistência à tração e compressão, característica fundamental devido à flexibilidade do isopor”, diz Callera.

A busca por conforto em qualquer segmento está em alta, e com essa solução não é diferente
Cleverson Aislan Callera

Após a cura do contrapiso são instalados os cabos calefatores, fixados através de cintas metálicas. Sobre os elementos responsáveis pelo aquecimento é colocada uma tela galvanizada, que tem a função de aterramento. Os cabos são cobertos por uma argamassa específica, para que fiquem protegidos. “Nessa etapa, podem ser utilizados refratores térmicos que auxiliam na dissipação do calor”, fala Ciruelos.

Após a cura da última camada de argamassa, é realizado o assentamento do revestimento final. Já o termostato é instalado na parede, com altura média de 1,20 m do chão. Do equipamento devem sair dois eletrodutos que descerão até o piso, um para passagem dos cabos de energia e outro exclusivo para os sensores de temperatura. Todo o procedimento deve ser realizado por equipe técnica devidamente treinada e qualificada.

MANUTENÇÃO

Após a instalação, o sistema não necessita de manutenções periódicas. “A solução é fabricada e executada para funcionar sem problemas por longos períodos”, ressalta Ciruelos. A limpeza do piso pode ser feita de maneira comum, com uma vassoura para retirada da camada mais grossa de pó e depois um pano úmido. As únicas restrições são resultantes do tipo de revestimento utilizado, por exemplo, o uso de produtos ácidos em porcelanatos.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Além de melhorar a temperatura interna, a solução não resseca o ar e nem queima oxigênio. “O sistema também é capaz de evitar a proliferação de mofo, bolor e umidade no ambiente”, fala Ciruelos. Outra vantagem é o rápido aquecimento, que permite atingir o conforto térmico em poucos minutos. Por outro lado, a desvantagem é a necessidade de grandes reformas para a instalação.

MERCADO

A crença popular de que o Brasil não é um país frio é o principal obstáculo para o crescimento do mercado nacional dos sistemas de climatização e calefação. “Porém, essa percepção está mudando, principalmente, na região sul do país”, comenta Ciruelos. A expectativa é de uma demanda crescente nos próximos anos, com as pessoas começando a entender melhor as vantagens de sistemas como o piso aquecido.

“A busca por conforto em qualquer segmento está em alta, e com essa solução não é diferente. Mesmo nosso país tendo áreas pontuais de baixa temperatura, percebemos que a busca pelo sistema de aquecimento está vindo de todas as regiões”, destaca Callera. Segundo ele, não há como estimar um valor fixo para compra e instalação do piso aquecido. “Por serem necessários estudos individuais, os valores variam de caso para caso”, completa.

“Hoje, existem soluções na faixa de R$ 150,00 o metro quadrado”, informa Ciruelos. O investimento inicial pode ser pago pela economia que o sistema oferece. “O consumo energético médio do sistema varia entre R$ 3,00 e R$ 4,00 por metro quadrado por mês de uso. É, portanto, 38% mais econômico do que um ar-condicionado usado para aquecer o mesmo ambiente”, complementa.

“Considerando um sistema em funcionamento durante seis horas por dia, com consumo de 130 W/m², para uma área de 3 m², a um custo atual do KWh em torno de R$ 0,56, o aquecimento deste ambiente custará R$ 1,31”, finaliza Callera.

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Colaboração técnica

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Cleverson Aislan Callera – Engenheiro Civil pela Universidade São Francisco com MBA em Gestão de Novos Negócios pela Fundação Vanzolini. Atua no mercado da construção civil há 20 anos, com amplo envolvimento com novas tecnologias. Ocupa o cargo de coordenador Nacional de Vendas Técnicas na Astra.
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Scheyla Ciruelos – Fundadora e diretora da Hotfloor, empresa de Curitiba inaugurada em 1998 e que atualmente atende todo o Brasil.