Piso cimentício alia durabilidade e praticidade

Revestimento pode ser especificado tanto para áreas internas quanto externas

Publicado em: 31/03/2016Atualizado em: 11/05/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Os pisos contam com diferentes opções de acabamentos e cores (Who is Danny/shutterstock.com)

A denominação piso cimentício faz referência a uma ampla variedade de soluções. Todo revestimento que tem como aglomerante principal o cimento Portland é chamado de cimentício. Nesse grande grupo, é possível dividir os produtos em duas categorias: os pré-fabricados e os moldados in loco.

“Aqueles preparados em indústrias são fornecidos na forma de placas, como os ladrilhos hidráulicos ou peças de contorno irregular para confecção de mosaicos”, esclarece o engenheiro Públio Penna Firme Rodrigues, vice-presidente da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre). Já os pisos cimentícios preparados no canteiro são subdivididos em outros dois conjuntos: os produzidos artesanalmente com areia, cimento e, eventualmente, brita; e os pré-industrializados, fornecidos com doses adequadas de agregados especiais, cimento e aditivos, tornando-se necessário somente adicionar água.

Antes usada principalmente para revestir a superfície de grandes fábricas, hoje a solução de alta durabilidade, já é encontrada em residências, áreas comerciais, shoppings e hospitais. O crescimento do uso do material no mercado foi influenciado pelos investimentos dos fabricantes em pesquisas de desenvolvimento, que resultaram no aumento de competitividade na relação custo-benefício, em comparação com as cerâmicas e os porcelanatos. Hoje, os pisos cimentícios também contam com diferentes opções de acabamentos e cores, por isso são indicados tanto para ambientes internos quanto externos. “Basta olhar ao redor para perceber como estão presentes em calçadas, postos de combustíveis, supermercados, garagens, entre outros”, observa Rodrigues.

O produto tem ampla gama de utilização, das mais simples, como calçamentos, até o uso industrial e em revestimentos arquitetônicos
Públio Penna Firme Rodrigues

ESPECIFICAÇÃO

“O produto tem ampla gama de utilização, das mais simples, como calçamentos, até o uso industrial e em revestimentos arquitetônicos”, ressalta o engenheiro. Para especificar adequadamente os pisos cimentícios, o profissional responsável pelo projeto deve juntar informações fundamentais sobre qual será a destinação do ambiente, o fluxo de tráfego e quais agressões químicas e físicas poderão ocorrer no piso. Há situações, por exemplo, em que opções industrializadas, como os ladrilhos hidráulicos, são alternativas interessantes.

“Nesses casos, há a concorrência com a cerâmica, material que tem evoluído consideravelmente nas últimas décadas”, complementa.

Existem situações em que a aplicação dos pisos cimentícios não é recomendada. A principal contraindicação é resultado de umas das particularidades do material, sua porosidade. “O produto é capaz de absorver líquidos, o que facilita o surgimento de manchas”, adverte Rodrigues.

A porosidade apresenta diferentes níveis, variando conforme o tipo de piso. Nos rústicos, usados em calçadas, a quantidade de poros é alta. Já nos ladrilhos hidráulicos é bem menor, devido a seu processo de fabricação que utiliza pressões elevadas, reduzindo a possibilidade de absorção de líquidos. “Graças a essa característica, a instalação desse tipo de piso em ambientes úmidos pode não ser a melhor opção. Outra limitação é em áreas com possibilidade de quedas de elementos químicos ácidos ou básicos, ou, ainda, com presença de gordura animal ou sangue”, aconselha o especialista.

Basta olhar ao redor para perceber como pisos cimentícios estão presentes em calçadas, postos de combustíveis, supermercados, garagens, entre outros
Públio Penna Firme Rodrigues

INSTALAÇÃO

Um ponto positivo da solução é que sua aplicação não requer mão de obra especializada. O método de assentamento pode variar em função do formato da peça, mas, geralmente, é feito com argamassa de consistência seca (farofa), pois acomoda melhor as variações dimensionais, principalmente, a espessura das peças. “Existem também pisos fabricados com precisão geométrica suficiente para assentamento com argamassa colante”, indica o engenheiro.

NORMAS DE QUALIDADE

O Brasil ainda não conta com norma específica para os pisos cimentícios. “Infelizmente, nosso país é pobre em normatização técnica, o que nos obriga a lançar mão de normas estrangeiras”, lamenta Rodrigues. A ABNT já publicou textos relativos aos pisos intertravados (ABNT NBR 9781 — Peças de concreto para pavimentação — Especificação e métodos de ensaio) e às placas cimentícias (ABNT NBR 15498 — Placa de fibrocimento sem amianto — Requisitos e métodos de ensaio). “Porém, ainda há muito que se fazer nesse campo”, complementa.

MANUTENÇÃO

A praticidade e o baixo custo de instalação figuram entre as principais vantagens dos pisos cimentícios, que apresentam, ainda, alta durabilidade. A manutenção também é executada de maneira simples: sua limpeza deve ser feita somente com o uso de água e sabão neutro, com enxágue abundante na sequência. “A única desvantagem da solução está relacionada à estética, pois a absorção de líquidos torna esse tipo de piso muito fácil de ser manchado”, finaliza Rodrigues.

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Colaboração técnica

Públio Penna Firme Rodrigues – Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Mauá, mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), doutor em Ciências pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) na área de Física e Química dos Materiais, com diversos cursos de aperfeiçoamento no exterior. Tem mais de 30 trabalhos publicados em congressos nacionais e internacionais, bem como em revistas técnicas, abrangendo, principalmente, os temas de piso industrial e tecnologia do concreto. Atua na área de projetos e especificações de pisos e pavimentos de concreto, com trabalhos técnicos publicados na área de concreto, cimento, pré-fabricados, pisos e pavimentos de concreto. É vice-presidente da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre), diretor Técnico da LPE Engenharia e membro do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), do American Concrete Institute (ACI) e da Associação Brasileira de Pavimentação (ABPv).