Piso industrial pede projeto e execução primorosos

O sistema completo, incluindo o revestimento, é conceituado como piso de alto desempenho e se notabiliza pela alta qualidade desde o projeto, passando pelos materiais, fornecedores e empresa executora

Publicado em: 28/09/2021Atualizado em: 25/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Piso industrial
A patologia mais comum são as trincas que podem surgir por falha de execução (Foto: DifferR/Shutterstock)
Convencionou-se denominar o piso industrial como o piso de concreto executado sobre subleito e sub-base, que serve de substrato para o revestimento. Já o sistema composto pelo piso industrial e seu revestimento é o piso de alto desempenho
Wagner Edson Gasparetto

Piso industrial e piso de alto desempenho são conceitos que se confundem. Segundo o engenheiro Wagner Edson Gasparetto, diretor técnico de piso de concreto da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre), trata-se de uma questão mercadológica. “Convencionou-se denominar o piso industrial como o piso de concreto executado sobre subleito e sub-base, que serve de substrato para o revestimento. Já o sistema composto pelo piso industrial e seu revestimento é o piso de alto desempenho”, explica.

A avaliação de vantagens e desvantagens de cada solução construtiva e sistema deve ser feita com base nos desejos dos clientes no que diz respeito à custo, ciclo de manutenção, disponibilidade local de equipe executiva e de materiais. “De forma geral, o projetista deve exercer o conhecimento acumulado em projetos de pisos industriais e revestimentos, para contribuir com a conquista dos resultados de qualidade, valor e segurança esperados pelos clientes”, recomenda.

Piso industrial de concreto
Pisos de concreto de alta resistência feitos in loco

Composição

A composição de um piso industrial é muito ampla. Na camada de sub-base, podem ser empregados materiais como brita graduada simples, solo-cimento, concreto rolado, concreto magro, brita graduada tratada com cimento, entre outros.

Gasparetto aponta os tipos de pisos de concreto propriamente ditos:

• piso de concreto sem reforço estrutural (concreto simples);
• piso de concreto armado com telas soldadas em camada simples ou dupla ou, ainda, com aço em barras do tipo CA 50 ou CA 60;
• piso de concreto protendido com cordoalhas engraxadas ou aderidas;
• piso de concreto protendido quimicamente com adição de expansor e armadura;
• piso de concreto reforçado com fibras sintéticas ou metálicas;
• e piso de concreto apoiado sobre estacas, quando o solo não tem capacidade de suporte.

É extremamente importante analisar cuidadosamente os ataques químicos e mecânicos de cada área industrial para a melhor definição do revestimento
Wagner Edson Gasparetto

A escolha do revestimento, que pode ser o concreto polido, epóxi ou vinílico, depende de alguns requisitos. “É extremamente importante analisar cuidadosamente os ataques químicos e mecânicos de cada área industrial para a melhor definição do revestimento”, ensina.

Por exemplo: não é razoável considerar um piso de concreto polido em regiões onde existe a presença de ataque químico de ácido sulfúrico. Essa solução é muito usual em galpões logísticos, enquanto os revestimentos vinílicos são empregados nos ambientes administrativos e os revestimentos epóxis em áreas de produção.

Execução

As etapas e cuidados na execução do piso de alto desempenho são inúmeros. Abrangem desde uma análise geotécnica robusta até o levantamento adequado dos carregamentos e ações mecânicas e químicas. “Envolve o dimensionamento através das normas nacionais e internacionais, e detalhamento do projeto executivo sem detalhes genéricos para maior assertividade executiva”, diz Gasparetto.

É preciso que seja estabelecido um plano de ataque da obra, que vise atender os requisitos de qualidade e uma perfeita análise do concreto a ser utilizado. A empresa executora do piso deve ser definida a partir da comprovação do conhecimento do desafio que está estabelecido e com equipamentos adequados. Por fim, os fornecedores de insumos serão aqueles que atendem todos os requisitos de qualidade especificados. “É fundamental, ainda, estabelecer um plano de controle de qualidade, no sentido de verificar que todas as etapas estão sendo executadas de forma primorosa”, completa.

Patologias

Existem várias patologias que incomodam muito, como o desgaste superficial por abrasão ou ataque químico, quando existe. Podem ocorrer delaminações, deformações, bolhas nos revestimentos, falta de ancoragem entre o revestimento e o piso de concreto. Porém, a patologia mais comum são as trincas que podem surgir por falha de execução, de qualidade dos materiais ou de especificação.

Manutenção

“Antes da manutenção, temos que nos antecipar e promover um processo formalizado, com documentação robusta de todos os pontos que devem considerados, tanto das ações operacionais quanto das definições e partidos a serem escolhidos durante o projeto e execução”, orienta.

Existem vários cuidados que devem ser tomados, para evitar que uma pequena patologia não se torne a falência do sistema de piso de alto desempenho. É o caso da intervenção, dentro da vida útil prevista dos materiais de juntas, por exemplo, para sua substituição, além da inspeção periódica das áreas. “Uma das questões que devem ser consideradas desde o início, em qualquer sistema construtivo, é o procedimento de limpeza constituído por materiais que não agridam o piso de concreto ou o revestimento”, finaliza.

Curiosidade

Vem se tornando comum a especificação de piso industrial em projetos de interiores de residências. De acordo com Wagner Gasparetto, não se trata ainda de uma tendência. “Mas já existem inúmeras obras residenciais com revestimentos de alto desempenho, com apelo decorativo. São soluções fantásticas que pedem, porém, a análise das condições de contorno da obra, perfil dos proprietários e práticas usuais da família. Tudo isso deve ser levado em consideração para tomada de decisão”, comenta.

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Colaboração técnica


Wagner Edson Gasparetto – Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie (1984) e MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Atua desde 1985 no desenvolvimento do mercado de pisos e pavimentos de concreto, com trabalhos técnicos neste segmento. Participou de congressos e seminários internacionais. Integrou a diretoria executiva da ABECE Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) e da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre), que presidiu no biênio 2008-2010. Atualmente é diretor-presidente da LPE Engenharia e diretor Técnico de Concreto da Anapre.