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Pisos decorativos invadem corporações e casas noturnas

A tendência de humanizar o ambiente corporativo tem desembocado em projetos charmosos, que utilizam materiais alternativos, especialmente em espaços de convivência

Publicado em: 02/03/2009

Texto: Redação AECweb

A tendência de humanizar o ambiente corporativo tem desembocado em projetos charmosos, que utilizam materiais alternativos, especialmente em espaços de convivência

Pisos decorativos invadem corporações e casas noturnas

Redação AECweb

Tudo pode começar pelos revestimentos de piso que, em outros tempos, seriam impensáveis. Sozinhos ou em composições de bom gosto, entram em cena materiais como o ladrilho hidráulico, assoalho de madeira, mosaicos, cimento queimado, vidro e algumas cerâmicas rústicas.

“Os ambientes corporativos que permitem a interação entre os funcionários, como o lounge e o espaço de café, eram esquecidos nos projetos de interiores. Devido à troca de informações dentro das empresas, esses ambientes passaram a ser valorizados e estão se ampliando. Nas multinacionais norte-americanas, por exemplo, a área de café é ampla, confortável, tem pessoas trabalhando em seus laptops, em reuniões informais, ou resolvendo assuntos pelo celular”, observa o arquiteto Olegário Vasconcelos, do escritório Couto & Vasconcelos Arquitetura.

O arquiteto conta que tem aplicado nesses espaços materiais como a pastilha de vidro, que classifica como um revestimento tradicional. “Temos uma experiência interessante com a Alcoa, que tem seus escritórios na Marginal Pinheiros, em São Paulo , em que optamos por instalar pastilhas de vidro no lounge da empresa, que foi ampliado e situado numa das melhores vistas, a da ponte estaiada”, conta Vasconcelos.

O requinte do mosaico

Para o arquiteto Olegário Vasconcelos, quanto mais artesanal for o mosaico, mais textura ele tem e o resultado fica melhor.  “O mosaico precisa ser bem aplicado para durar décadas e a manutenção pede apenas que se passe um pano. Além dos lounges, também utilizamos em banheiros, espelhos d’ água e algumas áreas de tráfego. Para espelhos d’ água, tem mosaicos transparentes que são bárbaros, com várias cores, além do translúcido que confere uma luminosidade. “Para usar o mosaico folheado a ouro, é necessária uma aplicação com propriedade, sem agredir o meio ambiente”, comenta.

Para uso no piso, é preciso verificar se a lâmina de ouro 24 K está aplicada entre dois vidros de proteção, caso contrário, a peça ficará comprometida rapidamente. Soledad Diz, designer da Amenco, representante da marca italiana Bisazza no Brasil, lembra que a marca produz mosaicos em ouro com dimensões de 20 mm x 20 mm e 10 mm x 10 mm , para o uso em pisos de trafego leve. “Têm longa vida útil em condições normais de uso e conservação. Pode ser aplicado em áreas internas e externas; e áreas de tráfego leve, como piscinas, espelhos d’ água e fontes”, explica, recomendando avaliação e preparação da área onde será aplicado, que deve estar perfeitamente lisa e regular, curada, consistente e estável .

O bom e velho assoalho de madeira

Vasconcelos lembra que, em breve, empregará um outro revestimento tradicional, o assoalho de madeira de demolição, na empresa La Pastina. “No lounge da corporação, vamos utilizar o revestimento proveniente de madeira de demolição. É um material rústico e sustentável que remete ao campo, porém, é mais caro se comparado com os outros. Não precisa de nenhum tratamento e a limpeza é feita praticamente com um aspirador”, diz. Já o piso de poliuretano, o arquiteto considera ótimo para a limpeza, sendo possível a mistura de cores sólidas. “Na experiência do escritório, esse piso apresenta uma boa vida útil. A manutenção também é fácil e geralmente os fabricantes têm uma cera específica”, afirma.

A praticidade do linóleo
“O linóleo é um piso monolítico que permite a produção de curvas e o trabalho com cores e texturas, criando movimento. Também pode ser aplicado em hospitais e, se comparado ao vinílico, tem uma espessura maior, porque tem cortiça na composição, o que fotografa menos o piso. Além disso, a limpeza é muito fácil, apenas um pano resolve”, observa.

De acordo com Vasconcelos, o piso de cimento queimado, tradicional no Brasil, exige o cuidado de instalação de juntas de dilatação a cada 2 m, pelo menos. “Quanto maior, mais monolítico fica e tende a rachar. Não recomendo para ambientes corporativos e, sim, para lojas e residências”, diz, lembrando que é uma opção usual em escritórios de linguagem moderna, como os de arquitetura.

Pisos decorativos invadem corporações e casas noturnas

Vidro, sempre ‘clean’

Seguro e transparente, o vidro é utilizado na arquitetura como um piso em si mesmo. Autorportante, pode cobrir imensas áreas como a passarela ao ar livre, em forma de ferradura, sobre o Grand Canyon, nos Estados Unidos, com 21 m de comprimento, comportando 121 pessoas de uma só vez. “No Brasil, é empregado quando o arquiteto deseja conferir leveza e transparência aos ambientes”, diz Claudia Mitne , gerente de Marketing da Glasses – Vidros de Segurança. Segundo ela, é usado em locais como mezanino, escadas e passarelas. É comum, também, a aplicação decorativa ou comercial, instalando elementos sob o vidro, como um mostruário ou, ainda, imprimindo através de serigrafia, a logomarca da empresa sobre a superfície.

“Trata-se de vidro laminado de segurança, com altas espessuras, de acordo com os critérios da norma técnica dos vidros de segurança. O piso de vidro exige cálculo estrutural, considerando aspectos como dimensões da peça, tipo de fixação e de uso do local”, explica. Por ser laminado, permite a escolha de infinitas cores determinadas pelas películas de PVB (polivinilbutiral)”, explica Mitne.

Ladrilho hidráulico revisitado

A peculiaridade dos desenhos que o ladrilho hidráulico consegue compor artesanalmente, agora retorna com força nos projetos de interiores. Originário do século XIX, o piso foi o precursor da cerâmica. Restrito durante décadas ao revestimento de piso de casas de campo e de praia, tornou-se tendência em bares e restaurantes paulistanos, ampliando sua visibilidade. E caiu no gosto dos jovens casais que, hoje, o adotam no piso de suas casas e apartamentos. “A mistura de materiais que o ladrilho hidráulico possibilita é muito bem-vinda e, cada vez mais, os arquitetos têm abusado disso. Além do que, o material traz informações de várias épocas”, comprova o arquiteto Olegário Vasconcelos.



Colaboraram para esta matéria:

Olegário Vasconcelos,  
arquiteto formado pela FAU/Santos em 1985, é sócio fundador do escritório Couto e Vasconcelos Arquitetura, empresa criada em 1985 para atender clientes públicos e privados nas áreas de arquitetura, urbanismo e design. Em 22 anos de atuação, elaborou projetos especiais de instalações diversas, projetos de arquitetura de interiores e lay-outs, residências, bancos, empresas mistas e privadas, secretarias de governo , projetos industriais, projetos escolares públicos e  privados, conjuntos habitacionais e projetos de escritórios, agraciados com os prêmios Rino Levi de Arquitetura, IAB/SP, ASBEA entre outros. 

Zilton Michiles
é diretor da Ornatos, empresa fabricante de ladrilho hidráulico há 70 anos. “Fazemos exportações pontuais e uma infinidade de obras de restauro em todo o país, como a do Teatro Municipal e do Pátio do Colégio”, conclui Zilton Michelis.