Pistolas sem ar oferecem pintura de qualidade e produtividade

Muito utilizada hoje em dia para obras novas e grandes áreas, a tecnologia airless apresenta algumas vantagens em relação às pistolas convencionais com ar comprimido. A seguir, comparamos os dois sistemas. Confira

Publicado em: 12/12/2019Atualizado em: 16/05/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

airless
A pintura feita com airless se destaca pela alta produtividade (foto: il21/shutterstock)

A pintura das paredes dos edifícios, especialmente dos novos, traduz o cuidado da construtora com a obra. Por se tratar da etapa final, essa atividade é muitas vezes negligenciada em razão da falta de recursos. “Quando se observa um imóvel recém-construído com a pintura manchada, escorrida e as paredes com imperfeições, é natural concluir que toda a obra foi igualmente malfeita. Por outro lado, um acabamento bem executado gera a percepção de qualidade tanto da obra quanto da empresa que a executou”, alerta a química industrial Rosemary Coutinho, especialista em tintas e pintura, fundadora do site O Pintor Consultoria.

Um acabamento bem executado gera a percepção de qualidade tanto da obra quanto da empresa que a executou
Rosemary Coutinho

Para se obter o melhor resultado, os profissionais devem considerar tanto a tinta certa quanto os métodos mais adequados para cada tipo de situação, considerando fatores como produtividade e melhor aproveitamento da tinta. A tecnologia dos equipamentos de aplicação da tinta é, hoje, aliada da qualidade da pintura de paredes. A prática tradicional, utilizando rolo e trincha, vai sendo substituída por esses equipamentos, com predominância do sistema airless.

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“No mercado, existem as pistolas convencionais com ar comprimido e as pistolas sem ar, que são as airless. A diferença entre a pintura com pistola airless e a pistola convencional é que a primeira não precisa de compressor”, explica, acrescentando tratar-se de equipamento que permite a aplicação de tinta pelo mecanismo de spray.

VANTAGENS DO AIRLESS

A diferença entre a pintura com pistola airless e a pistola convencional é que a primeira não precisa de compressor
Rosemary Coutinho

A pintura executada com airless assegura alta produtividade, pois trabalha com alta pressão, variando de 1.000 a 7.000 libras, aumentando a velocidade de aplicação. Já a pintura em spray com compressor usa pressão variando de 40 a 200 libras, o que torna a pintura mais lenta.

A técnica do airless também é mais limpa, pois gera menos respingos, ao contrário do que ocorre com o sistema de compressor. “A pistola convencional usa o ar comprimido para atomizar a tinta e lançar tinta e ar. Já a pistola airless lança apenas tinta pressurizada e isto faz a diferença”, completa.

A facilidade de operação do equipamento airless é vantagem interessante para o pintor. Além de dominar as funcionalidades da pistola com ar comprimido, o profissional deve conhecer e realizar algumas manutenções no compressor, como remover água e óleo dos respectivos filtros. “Se não forem feitas, a pintura ficará comprometida”, afirma Coutinho.

Contudo, o sistema airless tem, pelo menos, duas desvantagens: o custo superior ao do equipamento com compressor e o fato de não ser indicado para pintar pequenas áreas, em razão da relação custo-benefício desfavorável. Comparada ao método tradicional do rolo e trincha, a pintura feita com spray apresenta qualidade e produtividade muito superiores. Porém, o rendimento da tinta é maior quando utilizada a prática tradicional.

ONDE USAR AIRLESS

“A pintura com equipamento airless vale muito a pena em novos empreendimentos, principalmente porque exige apenas a proteção somente do piso, já que não há móveis nos ambientes”, orienta Rosemary Coutinho. Existem alguns modelos pequenos de airless específicos para repintura em residências. Porém, a pintura em spray sempre faz névoa que contamina o ambiente, o que pede o isolamento do mobiliário e de tudo o que não for para ser pintado. “Por isso, já vi algumas pessoas adquirirem estes equipamentos e se arrependerem, devido ao trabalho que tiveram para proteger o ambiente”, comenta.

CUIDADOS NO USO DO EQUIPAMENTO

Para melhor orientação, os profissionais devem ler o manual do equipamento adquirido antes de usá-lo, evitando surpresas desagradáveis. “É bom esclarecer que o uso dos EPIs é obrigatório sempre que se faz uma pintura, independentemente do método de aplicação, porque a tinta é produto químico tóxico para o ser humano”, alerta.

Portanto, é essencial usar óculos de segurança, máscaras de pó, quando lixar, e de gases orgânicos para preparar e aplicar tinta, e limpar os acessórios. Mesmo aplicando tintas diluídas em água, sente-se um “cheiro de tinta” que não deve ser respirado o dia todo ou durante todo o tempo de aplicação. Além disso, é importante proteger a pele de todo o corpo usando luvas, calças compridas e blusas de mangas longas. Os pés devem ser cobertos, usando calçado fechado. “Lembrando que o airless também pode ser empregado para pintura com vernizes, esmaltes e tintas que utilizam solventes para diluição”, observa.

Veja o passo a passo completo aqui.

MODELOS

De acordo com a especialista, há diversos tipos de equipamentos à venda no mercado, de fabricantes como Graco, Tecnospray e Wagner, entre outros. Mas, antes de comprar, o ideal é pesquisar na internet para encontrar o modelo mais adequado para a necessidade específica. “É preciso ter claro qual o objetivo da compra, se o equipamento será usado para aplicar massa ou aplicar tinta de acabamento, ou aplicar massa e tinta”, recomenda.

Depois, entrar em contato com a assistência técnica dos fabricantes que mais agradaram em preço ou técnica, e solicitar orientação com relação ao modelo que deve adquirir e os bicos de que vai precisar, entre outras informações. “Muita pesquisa e esclarecimento com pessoas que entendem do equipamento vão ajudar na compra do produto mais adequado”, comenta.

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Colaboração técnica

química industrial Rosemary Coutinho
Rosemary Coutinho – Química industrial com 25 anos de atuação nas áreas Técnicas e da Qualidade. Nos últimos 10 anos, atua como Inspetora de Pintura qualificada em obras da Petrobras, elaborando relatórios de pintura com o objetivo principal de medição de obra. Realiza treinamento de mão de obra, acompanhamento, direcionamento do processo de pintura para atingir metas. Tem sólida vivência com a ISO 9001, avaliação de fornecedores e profundo conhecimento em avaliação de tintas antes e após aplicação, através de análises em laboratórios químicos industriais, com base em normas nacionais e internacionais como ABNT, Petrobras, ASTM, ISO, IMO, NACE.