Plataformas buscam capilaridade em outros setores

O desafio agora é prestar serviços em hospitais, escolas, teatros e grafite. Perspectivas na construção estão difíceis

Publicado em: 29/08/2015

Texto: Redação PE



Quando a NR 18 proibiu o transporte de pessoas por equipamentos de guindar, não projetados para esse fim, o uso das plataformas de trabalho aéreo finalmente se concretizava no Brasil. Até então elas não contavam com um respaldo normativo, embora já tivessem conquistado espaço na construção civil, indústria, comércio, entre outros setores.


Passados alguns anos, o desafio agora é fomentar novos nichos de mercado em que esse tipo de equipamento ainda não é conhecido ou bem utilizado. Setores como serviços públicos, hotelaria, conservação de patrimônio, hospitais, escolas e outras instituições já estão aderindo seu uso. A atuação na área de cultura e artes também é destaque, como em produções cinematográficas, teatro e até grafite.


O treinamento de operação e a consciência de segurança do trabalho em altura também são pontos bastante enfatizados por fabricantes como a Genie. A empresa contabiliza em seu centro de treinamento em Cotia (SP) cerca de 50 alunos por mês para operações comerciais, manutenção, operador de plataformas, além de ter uma unidade móvel de qualificação para atendimento direto no cliente.


“O mercado brasileiro ainda é novo e olhando para países mais maduros, como os da Europa e Estados Unidos, notamos que ainda temos muito espaço para crescer. Esse desafio é incentivador”, ressalta Raphael Cardoso, diretor da unidade de negócios Genie para a America do Sul.


O diretor da Solaris, Paulo Esteves, acrescenta: “Hoje, mesmo com a recessão do mercado, a boa notícia é que os clientes não substituíram o uso das plataformas por outras opções”, diz ele, explicando que a escassez de trabalho normalmente condiciona a busca por sistemas mais baratos, porém menos produtivos e que deixam a desejar em segurança.


Perspectivas difíceis para os próximos anos


Paulo Esteves informa que os próximos dois anos serão difíceis para a locação de plataformas, em razão da recessão econômica brasileira. “Esses equipamentos são importados e a alta do dólar tem comprometido as negociações. Além disso, hoje não há indícios de recuperação de nenhum dos mercados que utilizam plataformas. É preciso estar atento, observando a movimentação econômica e os desdobramentos que possam vir”, diz.


Para o diretor da Genie, os anos consecutivos continuarão difíceis, mas com boas perspectivas de rever custos e aprimorar processos. “O mercado desafiador nos traz oportunidades para sermos mais criativos e ter iniciativas novas, como nosso Centro de Reformas Genie, para aprimorar nosso foco no cliente. Nesses mais de 15 anos de atuação no Brasil, nos sentimos plenamente preparados para atender ao mercado como ele necessita”, empolga-se Raphael.


O Centro de Reformas é uma nova área da Genie em que os clientes poderão reformar completamente um equipamento com garantia de fábrica de seis meses. Também viabiliza a modalidade de trade in (recebimento de equipamentos usados na compra de plataformas novas).


Resistências ainda se contrapõem ao crescimento


Hoje no Brasil ainda existe certa resistência em função do custo total de uma plataforma. Mas as vantagens da utilização das plataformas pesam a favor, como segurança, agilidade e aumento de produtividade na obra.


Com o crescimento do mercado e a profissionalização dos locadores, além das exigências da NR18, os treinamentos de operação são hoje uma realidade. “Mas ainda encontramos irregularidades em alguns canteiros de obras, como o não uso de equipamentos de proteção individual (EPI), ou da plataforma sendo utilizada para elevar vigas de metais, ou mesmo na sustentação de estruturas de metais. Além de perigoso, isso danifica o equipamento que foi projetado para elevação de pessoas”, alerta Raphael Cardoso.


Paulo Esteves, da Solaris, não acredita que haja resistência para o uso das plataformas. Para ele, estão bem consolidadas, apenas existem algumas regiões onde o uso precisa ser mais intensificado e há muito mercado a explorar pela frente. “O que existe hoje é uma ‘superoferta’ de produtos e nos últimos meses percebemos certa deterioração nos preços de locação”, conclui o diretor da Solaris. A empresa possui 19 filiais distribuídas por vários estados brasileiros.


Colaboraram para esta matéria



Raphael Cardoso – Diretor da unidade de negócios Genie para a América do Sul

Paulo Esteves – Diretor da Solaris