Porcelanatos técnicos e esmaltados: conheça as diferenças

Entre as particularidades, o técnico é mais resistente e adequado a áreas de alto tráfego de pessoas. Já o esmaltado responde aos anseios da arquitetura, com seu amplo leque de padrões

Publicado em: 18/02/2021Atualizado em: 24/02/2021

Texto: Hosana Pedroso

porcelanato
Os porcelanatos técnicos apresentam maior resistência à abrasão (foto: divulgação)

Conhecidos popularmente como “toda massa”, os porcelanatos técnicos se caracterizam pelo seu processo de produção com massa única, queimada e prensada a temperaturas elevadas. “Uma das principais características dos produtos técnicos é sua maior resistência à abrasão, além de absorção de água menor que 0,1%”, diz Anderson Patrício Eziquiel, coordenador de Garantia de Qualidade da Eliane Revestimentos. Os porcelanatos técnicos não recebem nenhuma camada de esmalte na sua superfície. “E todas as peças de um porcelanato técnico são retificadas, ou seja, suas bordas são retas”, acrescenta Carolina Werner, especialista em Capacitação da Portobello.

Uma das principais características dos produtos técnicos é sua maior resistência à abrasão, além de absorção de água menor que 0,1%
Anderson Patrício Eziquiel

Já os porcelanatos esmaltados recebem uma camada de esmalte na superfície superior das peças, podendo receber tratamentos com diversos tipos de acabamento, como polido, lapado, acetinado, resistente ao escorregamento. As indústrias oferecem o produto ao consumidor em vasta gama de padrões, além, dos lisos. “Graças à tecnologia de impressão digital, é possível a reprodução de qualquer material essencial da arquitetura”, fala Werner.

Segundo Eziquiel, os porcelanatos técnicos trazem padronagens mais cleans, como aparência de cimento queimado, por exemplo. “Isso não significa que eles não possam ser decorados. Em 2020, apresentamos ao mercado dois porcelanatos técnicos que unem estética e tecnologia, inspirados no granito e no sílex – na versão polida, têm a vantagem adicional de brilho renovável com repolimento”, conta ele.

Outra característica do esmaltado é sua absorção de água menor ou igual a 0,5%. De acordo com Werner, os dois tipos podem ter acabamento polido, natural e externo.

RESISTÊNCIA E LOCAIS DE USO DOS PORCELANATOS

De acordo com o profissional da Eliane, os dois tipos são resistentes a manchas e abrasões. “Contudo, os produtos técnicos têm maior resistência a abrasões mecânicas e químicas que os porcelanatos esmaltados”, diz. Tanto porcelanatos esmaltados quanto técnicos podem ser utilizados em diversos ambientes. Geralmente, os esmaltados são mais indicados para áreas internas e externas de residências e os técnicos, para locais que registram maior circulação de pessoas e equipamentos, como áreas comerciais, além de grandes variações de temperaturas, como saunas, por exemplo. “Contudo, existem produtos esmaltados que também se adequam a ambientes de alto tráfego”, completa ele.

Para a correta especificação, Werner orienta que é preciso analisar o local de uso, o atrito ou resistência ao escorregamento e fatores como limpabilidade, resistência química, expansão por umidade, entre outros. “De modo geral, o porcelanato técnico com acabamento natural é indicado para locais com alto trânsito de pessoas. Já o porcelanato técnico polido e o porcelanato esmaltado polido possuem a mesma especificação técnica”, explica, recomendando que, no caso dos esmaltados, é necessário considerar o local de uso ou seu PEI – classificação que categoriza materiais em função de sua durabilidade frente a situações de tráfego e de desgaste. “Hoje, as indústrias podem optar por declarar o PEI ou local de uso. No caso da Portobello, é indicado o local de uso”, observa.

De modo geral, o porcelanato técnico com acabamento natural é indicado para locais com alto trânsito de pessoas. Já o porcelanato técnico polido e o porcelanato esmaltado polido possuem a mesma especificação técnica
Carolina Werner

Ambos os profissionais concordam que é quase impossível estabelecer relação de custo entre os dois tipos de porcelanato. Mesmo sem considerarmos a diferença de preço entre as diferentes marcas, a variedade de aplicações, acabamentos, formatos e decorações podem fazer com que um esmaltado possa ser até mais caro do que o porcelanato técnico.

CUIDADOS NA APLICAÇÃO

Os cuidados de aplicação são os mesmos para os dois produtos. Conheça os principais:

• Ter um contrapiso bem feito, que deve seguir as regras de, no mínimo, 28 dias de cura para o concreto, e 14 dias para emboço e contrapiso;
• Antes da aplicação, é preciso realizar a limpeza das superfícies e conferir se estão secas, limpas, sem restos de argamassa, tintas ou óleos. E, também, se estão regulares, sem poças ou caroços;
• A planicidade do contrapiso tem relação direta com a condição final do assentamento. Quando avaliado com uma régua de 2 m, a superfície não pode apresentar desvios superiores a 3mm, para garantir o assentamento correto;
• Os cortes devem ser feitos com equipamentos adequados, trazendo segurança e qualidade;
• Escolher a argamassa para porcelanato externa ou interna conforme o ambiente em que o revestimento será aplicado. E observar a argamassa correta para o tamanho da placa;
• Aplicar a argamassa de maneira correta, usando a desempenadeira dentada com a abertura de dente certa;
• Importante observar que, para peças com formato igual ou superior a 30x30 cm ou 900 cm² de área, é obrigatório uso de dupla colagem, ou seja, aplicar a argamassa colante na base do assentamento e no verso da placa. Nas duas superfícies, os cordões devem estar em sentido paralelo;
• Ao assentar, empurrar a placa 5 cm na diagonal para que os cordões de massa colante fiquem completamente rompidos e preencham totalmente o verso da placa. Depois, voltar à posição final;
• Usar niveladores de piso corretos, de qualidade. Cada clip deve suportar uma carga de, no mínimo, 40 quilos. E os niveladores devem ser removidos após a cura da argamassa colante.

LIMPEZA

A manutenção dos porcelanatos esmaltados e dos técnicos, assim como de outros revestimentos cerâmicos, é muito simples e pode ser feita com detergentes específicos que removem facilmente a sujeira. “A escolha do produto de limpeza a ser utilizado está mais relacionada ao tipo de sujeira a ser removida do que ao tipo de piso. Existem produtos mais leves, indicados para limpeza diária, assim como outros mais concentrados e com ação mais específica para remoção de sujeiras mais pesadas”, expõe Eziquiel.

Werner lembra que o ideal é utilizar detergente diluído em água, na proporção de uma colher para cada 5 litros. A solução deve ser aplicada com pano macio, depois de varrer ou aspirar o chão. De preferência, o aspirador deve ser utilizado com bico que tenha escova, pois evita arranhões. Outros cuidados que devem ser tomados é remover bem o produto de limpeza e fazer a higienização do rejunte com saponáceo líquido cremoso para não arranhar o piso.

“Mesmo sendo altamente resistente, o porcelanato pode ser afetado pela aplicação de substâncias químicas inadequadas ou produtos abrasivos”, diz Werner, referindo-se ao amoníaco, soda cáustica, sabão em pó, ceras, produtos que contêm ácido muriático ou clorídrico, removedor de ferrugem de roupa e escovas de cerdas duras. “Todos podem danificar o esmalte do porcelanato e até o rejunte”, finaliza.

Confira também: Saiba como especificar, instalar e cuidar do porcelanato

Colaboração técnica

Anderson Patrício Eziquiel – formado em Engenharia de Materiais com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, é coordenador de Garantia de Qualidade da Eliane Revestimentos.
Carolina Werner – é arquiteta e urbanista pela Univali, com especialização em Patologia das Construções pela Uninter. Atua há 10 anos na Portobello e, hoje, é Especialista Técnica na área de Desenvolvimento de Produto, sendo responsável pela elaboração de conteúdo técnico e conceitual.