Prédio em MG ganha classificação A de eficiência energética

Primeiro prédio de MG a ser premiado pela ENCE (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia) investiu em isolamento térmico, aproveitamento da água da chuva etc.

Publicado em: 22/02/2011Atualizado em: 11/10/2019

Texto: Redação AECweb

Redação AECweb

Sede da FIEMG recebe classificação A

O Edifício Sede da FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais -, em Belo Horizonte, é o primeiro prédio do estado a receber a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) para Projeto do Edifício com a classificação “A”. É, ainda, o segundo edifício no Brasil etiquetado na categoria Edifício Completo. Com projeto da MF Carmargos Arquitetura, o edifício tem quase 15 mil m² de área construída, distribuídos por seus 18 pavimentos. Para sua adequação às exigências do Procel/Inmetro contou com a consultoria da arquiteta e doutora em engenharia Roberta Vieira Gonçalves de Souza, professora do curso de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, e da arquiteta Jacqueline Alves Vilela, membro do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da mesma universidade.

“Investiu-se na melhoria do isolamento térmico das lajes de cobertura com uso de forro termoacústico, polipropileno ou de teto-jardins, dimensionados conforme a necessidade dos ambientes internos”, explica Roberta de Souza. As janelas receberam vidro duplo com fator solar de 0,43 – a título de referência, o vidro simples incolor tem um fator solar de 0,87. Os elevadores possuem controle inteligente de chamadas. O projeto contemplou, também, a conservação da água através da implantação de coleta de água da chuva em reservatórios com capacidade total de 40 mil litros, e os vasos sanitários e torneiras são economizadores de água.

Para a melhoria do sistema de iluminação artificial foram empregadas cores claras para paredes, tetos e mobiliário dos ambientes de trabalho, permitindo que as luminárias com lâmpadas e reatores de alto rendimento recebessem três lâmpadas ao invés de quatro, resultando numa economia de 25% da potência instalada. “O sistema de ar condicionado foi dimensionado para atender os requisitos da norma AHSRAE 90.1 e os demais requisitos do RTQ-C - Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais. O projeto adotou itens como separação por zona térmica e acionamento automatizado, este interligado ao sistema de segurança e acesso do prédio”, acrescenta. As fachadas aeradas com revestimento em granito possuem baixa transmitância térmica de 1,65 W/m2.K, valor bastante inferior aos 3,7 W/m2.K exigidos pelo Requisito Técnico.

Sede da FIEMG recebe classificação A

TRIPÉ DA EFICIÊNCIA

A professora Roberta de Souza lembra que “para a obtenção da etiqueta Procel, os edifícios são avaliados segundo três sistemas individuais: envoltória (fachadas e cobertura); sistema de iluminação; e sistema de ar condicionado, com pesos de 30%, 30% e 40% respectivamente”. A classificação geral ponderará esses três sistemas, somando ainda bonificações, que podem ser obtidas através da economia do uso de água, do emprego de fontes alternativas de energia e de qualquer inovação tecnológica que resulte em economia de energia na edificação. No caso do edifício da FIEMG, foi a combinação de estratégias que permitiu a obtenção de uma boa classificação final. “Cada um dos ajustes necessários foi analisado em termos de seu custo-benefício e de sua exeqüibilidade”, destaca.

As bonificações podem representar uma pontuação adicional de até 20% da nota total obtida nos demais itens. Revelam-se como importante estratégia para a obtenção de uma melhor classificação no caso de edificações que, por algum motivo, possuam limitações para melhoria da classificação em algum dos três itens principais.

A consultora ressalta que o Edifício Sede da FIEMG estava em fase de construção quando se iniciaram os trabalhos de avaliação dos itens contabilizados para a etiquetagem de sua eficiência energética. Isto limitou a obtenção de maiores níveis de eficiência em certos itens como a envoltória. “A cor do granito usado no revestimento externo do edifício, já adquirido pela empresa, não passou nos requisitos exigidos para nível A e B, ficando então a envoltória classificada como C, apesar de seu Índice de Consumo ter alcançado uma classificação “A”, explica.


ECONOMIA

O LABEEE - Laboratório de Eficiência Energética em Edifícios da Universidade Federal de Santa Catarina realizou estudos apontando que um edifício que recebe a classificação “A” do Procel terá uma economia média no consumo de energia da ordem de 20%, se comparado a um edifício que receba a classificação “D”. Segundo Roberta de Souza, a média dos edifícios hoje construídos no Brasil receberia a classificação “D”, enquanto um edifício classificado como “A” pode ter um desempenho bastante superior ao da média calculada.

“Com relação ao Edifício Sede da FIEMG, ainda não se tem dados de consumo tabulados para que se possa avaliar o seu comportamento real. Estudos indicam, no entanto, que se obteria uma economia superior a 50% no consumo de água, por exemplo. Os índices de redução no consumo de energia alcançados variam de requisito para requisito, ou seja, iluminação artificial e sistema de condicionamento de ar – o desempenho deste último dependerá da adequação da automação. Aspecto que pesa para o bom desempenho do sistema de iluminação artificial é o comportamento e treinamento do usuário em relação ao acendimento das lâmpadas próximas à janela ou o ato de desligar lâmpadas de áreas não utilizadas, já que a operação da iluminação não é automatizada”, comenta.

A professora entende que a FIEMG tem interesse em atender os requisitos de conforto ambiental, eficiência energética, racionalização de consumo de água e de energia, e as normas técnicas e decretos estaduais relativas ao assunto em seus edifícios. “Ao dar o primeiro passo para fazer visível o processo de etiquetagem de edifícios em Minas Gerais, a entidade atua como um indutor de mercado e se coloca à frente de um processo que visa uma maior eficiência nos processos produtivos da cadeia construtiva”, diz, acrescentando que a expectativa é de que o mercado da construção civil entenda e se aposse do conceito de eficiência energética, e que esse conceito agregue valor a edificação comercializada, diminua os custos para o consumidor final e auxilie o país a postergar investimentos na área de geração de energia elétrica.

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Sede da FIEMG recebe classificação A Roberta Vieira Gonçalves de Souza é arquiteta pela UFMG (1990), com mestrado e doutorado (2004) em Engenharia Civil pela UFSC, com doutorado sanduíche junto à Universidade Politécnica de Madri. Professora da Escola de Arquitetura da UFMG desde 1997. Coordenadora do Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. Membro da Secretaria Técnica do PROCEL Edifica na elaboração das Regulamentações de Eficiência Energética em Edificações (MME). Revisora da Revista Ambiente Construído e dos Cadernos de Arquitetura da PUCMINAS. Membro da CIE-br / INMETRO. Organizadora, coordenadora científica e revisora de artigos de congressos nacionais e internacionais. Consultora em Iluminação Natural e Eficiência Energética em Edificações.



Jacqueline Alves Vilela é arquiteta e mestre - UFMG (1988), com especialização em estudos ambientais pela PUC-MG e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007), atuando principalmente nas áreas de projetos de arquitetura e urbanismo, paisagismo e planejamento de espaços públicos externos, conforto térmico urbano, estudos sobre impactos ambientais gerados pelo processo de urbanização, sobre o clima urbano e sobre a paisagem. Atualmente é membro do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da UFMG e trabalha na análise de projetos para classificação das edificações para obtenção da etiqueta PROCEL de Eficiência Energética. Atua há mais de 20 anos como arquiteta na cidade de Belo Horizonte, com várias obras concluídas e projetos aprovados com devida ART junto ao CREA-MG.