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Procel Edifica: etiquetagem da eficiência energética

Leonardo Rocha, do INMETRO, explica o avanço do programa que coloca o país entre os mais atentos com o problema

Publicado em: 03/02/2010

Texto: Redação AECweb


Entrevista: Leonardo Rocha

Procel Edifica: etiquetagem da eficiência energética

Redação AECweb


Uma das ações mais comemoradas de 2009 no âmbito da sustentabilidade foi o lançamento oficial pela Eletrobrás e Inmetro do Procel Edifica - Etiqueta de Eficiência Energética para Edificações com área superior a 500 m2. Por ora voluntária e abrangendo as construções públicas, comerciais e de serviços, a etiqueta classifica os edifícios conforme seu desempenho energético que vão de ‘A’ (melhor) a ‘E’ (pior). Leonardo Rocha, da Divisão de Programas de Avaliação de Conformidade do INMETRO, conta nesta entrevista ao AECweb como avança o programa que coloca o país entre os mais atentos com o problema energético. Até o final do ano, será anunciada a etiquetagem para edifícios residenciais, adianta Rocha.

AECweb – Qual o procedimento para etiquetar um edifício?
Rocha -
O interessado em etiquetar um edifício deve verificar no site do Inmetro a documentação necessária prevista no regulamento. Depois, submeter seu projeto à análise do LabEEE - Laboratório de Eficiência Energética de Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina, reconhecido pelo Inmetro. Lá é aplicada toda a metodologia de cálculo que gera a classificação do projeto. Se for uma edificação já construída, o laboratório faz uma análise prévia e uma visita ao prédio pronto, para a inspecionar e avaliar se a obra concluída reflete o que está no projeto.

AECweb – Por enquanto, apenas o LabEEE está credenciado?
Rocha -
O Procel já capacitou outras 15 instituições, mas que ainda vão passar por um processo de avaliação pelo Inmetro no diz respeito ao atendimento de normas que regem a atuação dos laboratórios. Porém, muitos deles estão avaliando a pertinência de serem ou não designados. É até mesmo uma questão de mercado, talvez prefiram prestar consultoria ao invés de trabalhar oficialmente pelo programa. Pode acontecer que um construtor não saiba como projetar uma edificação atendendo aos requisitos e contrate um laboratório na condição de consultor. Isto também é válido, pois o objetivo é atingido da mesma forma. Ressalvo que as instituições não poderão fazer a avaliação de projetos em que atuaram como consultoras.

AECweb – Então, o laboratório que fizer a consultoria, não fará a auditoria?
Rocha -
Exato. O laboratório que atuar como consultor num projeto não poderá fazer a avaliação e auditoria desse mesmo projeto, pois isto infringe as normas internacionais. Mas, nada impede que ele faça a avaliação para outros projetos.

AECweb – Esses 15 também são laboratórios de universidades?
Rocha -
Trata-se de uma peculiaridade do Procel de destinar recursos para laboratórios pertencentes a universidades. Por outro lado, depois de tornado público o regulamento da etiquetagem, a partir de julho de 2009, esse se tornou um negócio, e nada impede que alguém se interesse, monte um laboratório e entre com o pedido de reconhecimento por parte do Inmetro. Ele vai poder atuar à vontade, independente da capacitação pela Eletrobrás.

AECweb – Como foi planejado o atendimento da demanda em relação ao número de laboratórios credenciados?



Rocha -
Todo programa quando começa é um grande ponto de interrogação. Há 20 anos, quando implantamos o programa de etiquetagem de geladeiras, também não sabíamos como seria a adesão da indústria e como o consumidor se comportaria, afinal ele tem um papel muito importante como agente indutor desse processo. No caso do Procel Edifica, na medida em que o consumidor passar a exigir imóvel construído a partir de critérios da arquitetura bioclimática, a demanda vai aumentando. Por enquanto, temos essa rede de 15 laboratórios que crescerá de acordo com a demanda.

AECweb – Por que cinco anos de prazo para que a etiquetagem se torne obrigatória?
Rocha -
Esse prazo é uma estimativa, tudo dependerá do comportamento do mercado. Se traçarmos um paralelo com o programa de geladeiras, veremos que demorou 15 anos para se tornar compulsório – a etiqueta passou a ser compulsória de cinco anos para cá. Acreditamos que cinco anos é um prazo razoável para o setor tomar conhecimento do programa, entender bem os aspectos envolvidos e o regulamento. Aí, sim, poderemos fazer uma análise mais aprofundada quanto a compulsoriedade.

AECweb – Quais são os cinco os projetos submetidos à etiquetagem?
Rocha -
Temos uma agência da Caixa Econômica Federal, em Curitiba; a sede administrativa da Caixa Econômica Federal, de Belém; e, em Santa Catarina, os projetos da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera, em Criciúma; a Faculdade Tecnológica Nova Palhoça; e o Laboratório de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina. Esses foram os cinco projetos que se submeteram ao processo de avaliação e obtiveram a classificação com relação aos níveis de eficiência energética previstos na regulamentação das edificações. Uma vez que esses projetos estejam construídos, passarão por um processo de inspeção no local para averiguar se a execução foi feita conforme o projeto. Aí, sim, a etiqueta será aplicada na fachada do prédio.

AECweb – Esses projetos já eram aguardados pelo Inmetro e Eletrobrás?
Rocha -
A Caixa Econômica Federal participou de todo o processo de elaboração da regulamentação do Procel Edifica, por se tratar de órgão financiador da construção. Seu interesse na etiquetagem é grande, conseqüentemente, como forma de dar o exemplo, submeteu dois dos seus vários projetos ao processo. Outro projeto é do edifício da faculdade dentro da própria Universidade Federal de Santa Catarina que faz as avaliações. As outras edificações resultam de um trabalho corpo-a-corpo feito pelos agentes envolvidos no sentido de angariar mais adesões.

AECweb – Com muito esforço do professor Roberto Lamberts, do LabEEE?
Rocha -
Exatamente, ele foi, tecnicamente, o ator central da regulamentação publicada pelo INMETRO.

AECweb – Há intenção de ampliar a etiquetagem para o segmento residencial?
Rocha
- A regulamentação residencial está em processo de elaboração e estimo que até o final do ano seja publicada. Esse tempo é necessário porque, uma vez terminada a regulamentação, passamos por uma fase de simulação. Ou seja, o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações fará uma série de simulações para avaliar a aplicabilidade da metodologia. Posteriormente, o Inmetro publica a regulamentação para edifícios residenciais.

AECweb – Existe um número ideal em termos de expectativa de economia de energia?
Rocha -
Os estudos preliminares apontam para uma expectativa de economia de energia em 50% em prédios novos que tenham incorporado, desde a fase de projeto, itens relacionados à eficiência energética. Já para os edifícios existentes e retrofitados, a economia cairá para 30%.



Redação AECweb