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Projeção de concreto: via seca ou via úmida?

Especialistas esclarecem dúvidas sobre jateamento e especificação do equipamento para esse processo

Publicado em: 12/12/2014Atualizado em: 08/04/2015

Texto: Redação PE

Para dar mais mobilidade à obra, o equipamento de projeção de concreto é utilizado principalmente em trabalhos de concretagem de túneis, paredes de contenção, recuperação e reforço estrutural de lajes, vigas, pilares, além de paredes de concreto armado.

O jateamento pode ser feito por via seca ou úmida. Dessa forma, alterna-se a especificação do equipamento de aplicação e a forma que será utilizado. Por via seca, o cimento é bombeado sem a adição de água. Quando a mistura chega ao bico projetor, o operador pode regular a quantidade de água e aditivos que serão usados. Por via úmida, o concreto é preparado em usinas antes de ser levado para as construções.

Aplicação

Em caso de utilização de muito concreto na obra, Júlio Gallo, coordenador de engenharia da Unicom Engenharia, sugere a via úmida como opção mais adequada. “Em trabalhos realizados com grandes volumes de concreto, como tuneis e taludes, é bem mais fácil usar cimento úmido preparados em usinas de concreto. Por isso o desperdício é menor”, diz.

Por via úmida, a produção diária em uma obra varia de 24 a 30 metros cúbicos de concreto projetado, o que torna o processamento muito mais econômico. “A perda é muito maior, pois na hora de misturar água e cimento, o trabalho não ficará tão preciso como numa usineira. O desperdício por via seca pode chegar a 50 %”, diz Gallo, que completa. “Se a empresa tiver um profissional qualificado, essa perda pode ser menor”.

No entanto, Gallo sugere que em algumas situações nas quais não se utiliza grande quantidade de concreto, a forma mais eficaz e barata é usar o jateamento seco, como em subsolos de edifícios.

“Muitas empresas ainda não conhecem o processo de concreto projetado úmido. Em cidades distantes, por exemplo, é raro a utilização de tal método devido a distância da obra para uma usineira de concreto”, afirma Gallo.

Rodrigo Rogério, coordenador de geotecnia e fundações especiais da empresa GeoSoluções, explica que por estética não recomenda fazer projeção de concreto em prédios. “O aspecto visual implica. Eu recomendo apenas para obras de infraestruturas. Em condomínios, a estética vai prejudicar o visual do empreendimento”. Confira as vantagens e desvantagens de cada processo, antes de determinar o método a ser utilizado na sua obra segundo o especialista:

Via seca

Prós:

1. Equipamento consegue projetar concreto até 60 metros de distância;
2. Consumidor não depende de usina de concreto. Você consegue fazer o preparo no local da obra;
3. Projeção perpendicular ao alvo, para reduzir reflexão e aumentar compacidade do concreto;
4. É bom para revestimento primário, devido à flexibilidade do procedimento;
5. Melhor abastecimento da máquina;
6. Equipamento mais simples, barato e de fácil manutenção;

Contras:

1. Pode chegar até 35 % em paredes verticais, como taludes e ter ainda de 20 a 50 % de reflexão em tetos de túneis;
2. Formação de poeira, mesmo utilizando EPI-Equipamento de Proteção Individual-;
3. Serviço depende da qualidade da mão-de-obra;
4. Comprimento do mangote é menor, o que limita o alcance do equipamento na obra;

Via úmida

Prós:

1. Uso em revestimentos secundários de túneis devido à baixa reflexão (< 10 %); e alta produtividade com robôs;
2. Menor desperdício da obra, consequentemente melhor
produtividade;
3. Desperdício menor do concreto;
5. Comprimento do mangote de 80 a 100 metros. Reflexão baixa: < 5 %.

Contras:

1. Depende de aditivo acelerador de pega, que é muito caro. Ele evita o desperdício;
2. Localização: a empresa precisa estar perto de uma usina de concreto;
3. Preço e manutenção mais caros;

Danos à saúde

A formação de poeira quando o concreto é inserido no equipamento de jateamento por via seca causa problemas de saúde para o operador, mesmo ele utilizando corretamente os equipamentos de EPI.

"O cimento é um agente muito irritante para a pele e pode provocar diversas dermatoses."

O cimento e a cal quando umedecidos pelo suor, provocam uma reação que eleva a alcalinidade desses produtos. Os álcalis mais fortes em contato com a pele reduzem o manto lipídico e elimina ou diminui a camada protetora de gordura. Isso gera dermatoses conhecidas como eczema de pedreiros.

Apesar das empresas fornecerem aos funcionários luvas, máscaras tipo PFF1 e calçados, para neutralização dos agentes agressivos, o cimento é prejudicial para a pele. Doutor Salim Amed Ali, médico especializado em dermatologia ocupacional, explica os malefícios do cimento para a saúde:

 “O cimento é um agente muito irritante para a pele, em virtude de ser abrasivo higroscópico e altamente alcalino. Muitas vezes atinge PH próximo a 14. Diversas dermatoses podem acontecer depois do contato do cimento úmido.”, afirma o médico.

A dermatite que ocorre com maior frequência é a de contato por irritação. Quando há lesões próximas às porções distais dos dedos, eleva-se o risco de paroníquias (infecção nas unhas causadas por fungos e leveduras) e muitas vezes, quadros de infecção secundária associados à dermatite irritativa.

Outra doença causada pela poeira no jateamento a seco é a silicose, que é uma pneumoconiose (doenças pulmonares causadas pelo acúmulo de poeira nos pulmões) causada pela inalação de partículas de sílica. Essa substância se deposita nos alvéolos pulmonares e causa graves danos que levam o paciente a ter uma fibrose pulmonar nodular irreversível.

Colaboraram para esta matéria

Rodrigo Rogério- coordenador de geotecnia e fundações especiais na empresa GeoSoluções;

Júlio Gallo- coordenador de engenharia da Unicom Engenharia

Doutor Salim Amed Ali - médico especializado em dermatologia ocupacional